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Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tecnologia Ambiental – Recuperação energética: WTE tenta superar obstáculos para crescer

Marcelo Furtado
17 de dezembro de 2013
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    Futuro positivo – Apesar dos percalços, há uma expectativa muito grande entre os players do mercado de que a waste-to-energy consiga vencer essas barreiras e se desenvolva no país. Como prova dessa tendência, há vários fornecedores de sistemas já representados no país por EPCistas, como Enfil e Centroprojekt, outros com escritórios próprios (caso da Keppel Seghers, que fornecerá para Barueri e Osasco e tem acordo com a Foxx), além dos grupos tradicionais no gerenciamento de resíduos, que também cogitam buscar negócios nessa área, caso da Foz do Brasil, do grupo Odebrecht.

    Química e Derivados, Bugalho: Barueri vai ser o laboratório em escala real

    Bugalho: Barueri vai ser o laboratório em escala real

    O projeto mais próximo de ocorrer, em Barueri, tem a promessa de ser o grande laboratório em escala real da tecnologia no Brasil, segundo o vice-presidente da Cetesb, Nelson Bugalho. “Estão todos de olho em como ele vai ser implementado e principalmente como se dará sua operação. A partir daí, do seu sucesso dependerá a entrada de mais projetos no país”, disse Bugalho. Para ele, não há muito como fugir de uma tecnologia desse tipo, principalmente em grandes conglomerados urbanos. “Não dá mais para depender de aterros. Uma cidade como São Paulo precisaria no futuro de mais uma cidade como ela só para receber todo o seu lixo”, disse. É bom lembrar que a média de geração de lixo brasileiro per capita é de 1,5 kg/dia no Brasil.

    Outros especialistas também enxergam na reciclagem energética o futuro inexorável do gerenciamento de lixo no Brasil, apesar do preconceito de ambientalistas e da justificativa de que os projetos não são economicamente viáveis – neste último caso se encaixa o grupo Estre, que possui 17 aterros, nos quais recebe quase 40 mil t/dia de lixo de todo o país, e que recentemente revelou que a WTE não faz parte dos seus planos, porque o investimento não compensa, segundo revelou Pedro Stech, diretor de tecnologia e meio ambiente da empresa.

    goldembergO professor José Goldemberg, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, ex-secretário estadual de meio ambiente de São Paulo, tem visão otimista com relação ao uso do lixo como fonte de energia renovável. Além de se basear em projeções internacionais que mostram crescimento nessa área, em contraponto às fontes tradicionais de energia, Goldemberg lembra da chamada learning curve, uma regra de mercado infalível. “Quando o consumo de algo dobra, o seu custo cai 20%. E essa regra, na minha opinião, vai ser determinante para incentivar a recuperação energética, que hoje ainda pode ser um investimento caro para alguns operadores”, disse.

    Outro ponto para o qual o professor chama a atenção faz parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina a logística reversa a geradores, a ser implementada de forma paulatina, englobando desde embalagens alimentícias, de fármacos, linha branca, móveis, entre outros itens. “Os geradores vão reunir material sólido e com possibilidade de gerar energia”, explicou.

    Goldemberg revela algumas estatísticas de consumo energético para apontar o crescente uso dos resíduos domésticos urbanos como fonte cada vez mais importante na matriz energética. Em 2050, é previsto que, do total de 162 a 267 EJs de energia consumida no mundo, 11 EJs serão provenientes do lixo urbano, seja na forma de incineração direta ou por meio do biogás de aterros. “Isso é mais do que toda a energia atualmente consumida no Brasil, de 10 EJs”, disse Goldemberg. “Por bem ou por mal, essa vai ser a saída”, completou.

    O sistema que entrará em operação em Barueri, com previsão de início das obras no começo do ano que vem, tem prazo de entrega de 24 meses. Sua concessão e operação de 30 anos, segundo a prefeitura, está atrelada a um grande trabalho de conscientização já em curso na cidade, com a criação de cooperativas de catadores, que serão os responsáveis diretos por boa parte da triagem do material que servirá para alimentar o incinerador. Por meio da queima (mass burning) de 800 t/dia de lixo da cidade e municípios vizinhos, a caldeira do sistema gera vapor para movimentar turbinas que produzirão 17 MWs médios, venderão 15 MWs e ficarão com 2 MWs para operação da planta. A capacidade total é para 20 MWs.

    Para especialistas em estudos de viabilidade técnica de projetos de geração de energia oriunda do lixo, pelo método de queima direta (mass burning), o mercado brasileiro ainda tem alguns entraves importantes para serem superados, caso queira optar pela tecnologia.

    Química e Derivados, Até agosto de 2014: fim dos lixões e apenas rejeitos nos aterros

    Até agosto de 2014: fim dos lixões e apenas rejeitos nos aterros

    Vai crescer – Para tornar o mercado mais atrativo para os investimentos em tecnologias mais complexas, como as usinas de recuperação de energia, além das determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos, os especialistas contam com a projeção de crescimento da geração de lixo per capita no país. Ao contrário de países mais desenvolvidos, com consumo estabilizado e até com geração em queda de resíduos “caso da Europa e dos EUA, com taxa negativa de 1% ao ano”, no Brasil a geração per capita cresce a 1,7% ao ano.

    “A geração de lixo no país tem muito a crescer. Enquanto nos Estados Unidos cada habitante gera 736 kg por ano de lixo, no Brasil, apenas 378 kg”, disse Carlos Silva Filho, da Abrelpe. Em outras palavras, e respeitando a diferença populacional, os Estados Unidos geram 259 milhões de toneladas/ano de lixo, enquanto o Brasil, 61 milhões t.



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