Tecnologia ambiental: LG oferta membranas filtrantes no brasil

O grande conglomerado co­reano LG, famoso por suas televisões, celulares e diversos outros produtos eletrônicos de consumo de massa, a partir deste ano passou a ofertar um produto constante em seu imenso portfólio de atividade e desconhecido do mercado brasileiro: membranas filtrantes.

Desde 2009 a empresa global de US$ 160 bilhões possui sociedade com uma pequena empresa coreana especializada em membranas, a KORed, fundada em 1999 e hoje detentora de várias patentes na área, desde membranas de osmose reversa até sistemas inovadores de MBR (Membrane Bio-Reactor), para reúso de efluentes ou esgotos domésticos.

Com a associação da LG, o fornecimento dos sistemas, antes nas mãos de uma pequena empresa, passou a contar com a força do conglomerado para apresentação de garantias em grandes fornecimentos.

A atuação comercial no Brasil fica a cargo da filial da integradora de sistemas australiana Wise Water International, de Campinas-SP, que já começa a prospectar o mercado e mostrar a potenciais clientes – públicos do saneamento ou privados na indústria -, em uma fase inicial, apenas o seu sistema de MBR, com placas planas de polieterssulfona, denominado G-MBR.

“Nosso plano é começar divulgando esse sistema, que possui concepção inovadora, e depois, com calma, trazer todas as demais tecnologias da KORed”, disse o sócio-diretor da Wise Water International, Marco Astolfi.

As inovações do sistema, segundo ele, têm a ver principalmente com a extrema economia de espaço que proporciona à instalação da unidade.

Química e Derivados, Astolfi (esq.) e Lavender com placa plana de PES da LG KORed
Astolfi (esq.) e Lavender com placa plana de PES da LG KORed

Além de ser feita com material hidrofílico, que torna o fluxo de vazão da membrana maior do que o das concorrentes de placas planas (de mais de 410 l por m3/h, conhecido como LMH, contra 220), um dos trunfos para deixar a estação mais compacta está em um reator desenvolvido recentemente para desfosforização total do efluente (e de remoção do nitrito), em substituição aos sistemas convencionais físico-químicos.

Trata-se do G-Filter, que reúne em um só vaso, com poucos metros de altura e largura, dependendo do escopo da obra, os processos de agitação, coagulação e filtração, para remover o fósforo antes do MBR. “Ele representa um quinto do tamanho de um sistema convencional que prepara o esgoto para o MBR”, revelou o outro sócio-diretor, Richard Laveder. Afora o G-Filter, o sistema também inclui no pré-tratamento o G-Screen, um filtro peneira que remove os principais causadores de incrustação e entupimentos dos poros, os chamados debris (que podem ser desde fios de tecidos, cabelos, sementes ou quaisquer outros fragmentos).

Outra vantagem para deixar o sistema compacto é a possibilidade de empilhar os módulos, o chamado double deck, em que um stack pode ficar em cima do outro. Essa reengenharia torna o sistema por placas planas competitivo contra as membranas hollow fiber (fibra oca), tipo espaguete. “E os coreanos conseguiram também estreitar os módulos com as membranas”, disse Astolfi. Além disso, segundo Richard Laveder, a tecnologia de placas planas da LG não precisa de constante borbulhamento para retrolavagem das fibras. “A limpeza é feita com a simples parada e relaxamento das membranas, para remoção dos contaminantes”, disse. “O que economiza muita energia”, completa.

A tecnologia LG KORed pode ser utilizada em quaisquer efluentes, desde condomínios até grandes estações de reúso de esgoto. Aliado ao fato de sua estrutura de microfiltração ser de material hidrofílico (PES), o que melhora seu fluxo de vazão ao atrair mais a água, o tamanho dos poros da membrana (0,18 µm a 0,2 µm) também contribui para tornar a tecnologia, segundo Astolfi, um competidor com possibilidade clara de participar do mercado global e nacional, que começa a ver as membranas como solução para muitos de seus problemas e necessidades de água.

Água para o sertão

 

Química e Derivados, José Roberto Ramos, Perenne
José Roberto Ramos, Perenne

A fabricante de sistemas para tratamento de água e efluentes Perenne, de São Paulo, fechou mais um grande contrato para unidades de dessalinização de poços de água salobra no semiárido nordestino. Em construção em sua fábrica em Feira de Santana-BA, são 200 equipamentos de osmose reversa (membranas de quatro polegadas) com vazão média de 1 m3/h. O fornecimento é para a Companhia Estadual de Saneamento de Pernambuco (Compesa), que distribuirá os equipamentos para 200 cidades do sertão do estado. Segundo o diretor de inovação e relações internacionais da Perenne, José Roberto Ramos, a concorrência vencida foi feita em caráter emergencial para atender um período grave de estiagem na região. Foi fechado em janeiro e a entrega dos sistemas precisa se concluir até o final do ano.

Além da entrega dos equipamentos, que inclui pré-tratamento com filtro de cartucho e dosadores para correção de pH e insumos anti-incrustantes e biocidas (quando há necessidade por causa de alta salinidade), o contrato engloba também obra civil, perfuração de poços, operação assistida e treinamento dos responsáveis pela operação nas prefeituras. A Perenne também precisará construir piscinas revestidas com mantas para receber o rejeito salino da operação (salmoura), permitindo sua utilização para criação de peixes ou camarões. “Essa é uma determinação muito inteligente, incluída nos projetos no Nordeste, para evitar o que ocorria no passado, quando o rejeito era descartado no solo”, disse Ramos.

Os equipamentos de osmose reversa, vendidos no regime de turn-key, dessalinizam água de boa qualidade de poços, mas com alta salinidade, de até 15 mil ppm, tornando-a potável na faixa de 100 a 1.000 ppm. A Perenne é líder absoluta nessa área. Com 22 anos de existência, conta com mais de três mil unidades de osmose instaladas, sendo 90% delas no semiárido nordestino e no norte de Minas Gerais. São estações que vão desde 200 litros por hora até 30 m3/h.

Apesar de sua força no mercado de dessalinização, a Perenne também atua nos mercados de grande porte, fornecendo sistemas para desmineralização, de ultrafiltração ou MBR, e se utilizando de contratos com grandes produtores de membranas, como Toray, CSM e Hyflux. A empresa é dividida em quatro unidades de negócio: grandes contratos (setores de petróleo, siderurgia, papel e celulose); segmentos industriais (alimentos, bebidas, cosméticos); equipamentos padronizados, como skids de osmose reversa; e assistência técnica. Segundo José Roberto Ramos, um fato todas as unidades de negócio têm em comum: o foco na tecnologia de membranas. Recentemente, a empresa lançou um MBR compacto específico para uso em condomínios.

Degrémont na remoção de sulfato

Foi assinado pela Degrémont Brasil em 5 de abril um contrato de fornecimento de unidades para remoção de sulfato em duas plataformas replicantes em construção pelo Estaleiro Angra dos Reis, da BrasFELS. A conquista tem valor especial para a filial do tradicional grupo francês por ser o primeiro ganho pela empresa nessa área no Brasil, depois de se qualificar para o fornecimento (foi homologada na Petrobras no final de 2011), nacionalizar a expertise da matriz e fazer acordo com a japonesa Hydranautics, que há cerca de dois anos também entrou no vendor-list da petroleira como fornecedora de membranas de nanofiltração, o coração do processo, pois são elas que removem seletivamente o sulfato da água de injeção em poços de petróleo off-shore.

Os fornecimentos serão para as plataformas FPSOs replicantes (assim chamadas por terem dados de processo e operacionais iguais) P66 e P69, que serão alugadas pelo afretador de navios à Petrobras para exploração no pré-sal. Ambas contarão com 1.250 membranas de nanofiltração cada e, da mesma forma, incluirão ainda unidades de osmose reversa para produção de água para diluição de óleo (fresh water maker for oil dilution), cujas membranas serão também da Hydranautics.

O acordo marca uma nova era nos contratos de unidades de remoção de sulfato no Brasil – processo que aumenta a produção de poços profundos ao remover os íons sulfatos da água, o que evita a formação de depósitos inorgânicos nos poços, aumentando a pressão para a extração e prolongando a vida útil da produção (ver QD-524, agosto de 2012). Isso porque até o momento tratava-se de um mercado dominado pela criadora da patente das membranas de nanofiltração seletivas, a Dow Química, que possuía contrato de exclusividade com as OEMs Aker Solutions, Veolia, Siemens e Cameron. Com a caducidade da patente em 2007, a Hydranautics se preparou para participar do novo mercado até se qualificar na Petrobras (e em outras petroleiras pelo mundo) e se associou à integradora de sistemas Degrémont para completar o pacote de fornecimento das unidades turn-key.

Paques recupera biogás de cervejaria

A holandesa Paques, especializada em tratamento de efluentes anaeróbicos e tecnologias de reaproveitamento, com fábrica em Piracicaba-SP, está em processo de fornecimento de sistema de remoção de H2S (gás sulfídrico) do biogás gerado pelo tratamento anaeróbico de efluentes da Cervejaria Petrópolis. Trata-se da tecnologia biológica de lavagem de gases Thiopaq, que remove o H2S, prejudicial não só ao meio ambiente, mas também por ser um agente corrosivo de equipamentos e tubulações, para que o biogás possa ser utilizado em queima como combustível nas caldeiras da cervejaria em Boituva-SP, onde a empresa possui três reatores anaeróbicos com a tecnologia da Paques.

Com mais de 150 referências no mundo do sistema que remove também o gás sulfídrico do gás natural (a empresa tem joint-venture com a Shell, a Paquell, apenas para aplicação em óleo e gás), o Thiopaq transforma o H2S em uma pasta de enxofre que pode ser comercializada como fertilizante, dependendo do volume, o que não é o caso da cervejaria, que vai gerar apenas 10 kg por dia de enxofre.

Segundo explicou o engenheiro Nivaldo Dias, da Paques, o lavador é um purificador alcalino no qual a solução cáustica consumida é continuamente regenerada por meio de biorreator, o que economiza, em comparação com uma lavagem alcalina convencional, cerca de 90% da soda utilizada para a lavagem. No lavador da Paques, o gás contendo o H2S entra em contato com a água de lavagem em contracorrente. A absorção do gás sulfídrico ocorre sob condições alcalinas, permitindo uma reação com os íons de hidróxido. A água da lavagem, com sulfeto, entra no biorreator onde é oxidada a enxofre elementar pela ação de bactérias autotróficas incolores de enxofre.

O hidróxido usado no lavador de gás é regenerado no reator biológico. A água reciclada para a parte superior do lavador, sem o sulfeto, resulta em diferença de concentração entre a fase líquida e a gasosa, o que permite uma alta eficiência de remoção de H2S, superior a 99,5%. Uma pequena corrente de purga – sais de sódio e de enxofre – sem sulfetos pode ser descartada.

A cervejaria Petrópolis está comprando dois sistemas para sua fábrica, o que significa o primeiro fornecimento da tecnologia Thiopaq no Brasil pela Paques, que abriu sua filial brasileira no ano passado. É bom lembrar que há mais de 170 ETEs industriais e domésticas com tecnologia anaeróbica da Paques, já que antes de abrir a subsidiária ela era representada no Brasil pela Dedini desde 1986.

Reciclagem energética em Barueri

O grupo norte-americano especializado em reciclagem energética de lixo, a Foxx URE-BA Ambiental, conseguiu autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para implantar e operar a usina termelétrica (UTE) Barueri, com capacidade de geração de 17,5 MW. Além disso, a agência declarou como legal a parceria público privada (PPP) entre a prefeitura de Barueri e a empresa como produtora independente de energia elétrica de fonte renovável. A resolução permite que o empreendimento forneça energia pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) com isenção total nas tarifas de transporte de energia, o que na prática viabiliza o projeto. Agora o processo fica na dependência da AES Eletropaulo, que determinará as exigências técnicas para ligar a energia da usina da Foxx ao SIN. Trata-se do primeiro projeto de recuperação energética oriundo da queima do lixo doméstico, uma tendência que promete se alastrar pelo país, já que outros projetos, como em Porto Alegre-RS e São Bernardo do Campo-SP, estão em andamento. A unidade contará com gerador de 20 MW e potência de 17,5 MW. Com licença ambiental emitida pelo órgão ambiental paulista, a Cetesb, em dezembro de 2012, o empreendimento é uma concessão de serviço para tratamento e reciclagem energética por 30 anos, o que inclui a separação de materiais possíveis de serem reciclados.

Fentox na Petrobras

A empresa Tratch Mundi, especializada em remediação de áreas contaminadas, recebeu certificado de capacitação técnica para serviços na rede de postos Petrobras. A certificação permite que a empresa participe de concorrência para realizar remediações in-situ utilizando a tecnologia patenteada “Sistema de remediação de solo, águas subterrâneas e rochas fraturadas”, com reagentes das marcas Fentox e Fentox TPH. Segundo a Petrobras, o processo da empresa por oxidação de massa in-situ foi testado tecnicamente, atendendo aos requisitos da petroleira.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.