Sustentabilidade – Cadeia produtiva consolida esforços

Química e Derivados, Painel sobre compras reuniu executivos do setor
Painel sobre compras reuniu executivos do setor

Para reforçar a sustentabilidade na cadeia de fornecedores da indústria química nacional, a iniciativa Together for Sustainability (Tfs) – Juntos pela Sustentabilidade – reuniu, em meados de junho, em São Paulo, cerca de 250 empresas.

Organizado para difundir os ideais do TfS e expandir a sua base de apoio, o evento contou com o painel de discussão “Criação de vantagens competitivas e sustentáveis na cadeia de suprimento global”. Carlos Fadigas, presidente da Braskem e do conselho diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), discursou sobre a responsabilidade social corporativa na América Latina.

Para evidenciar os benefícios das avaliações e auditorias do TfS, a EcoVadis e a SGS explicaram como criam valor para os fornecedores. Empresas participantes do programa relataram as suas experiências – é significativo o volume de compras dos associados e as oportunidades de negócios resultantes.

Para demonstrar que se pode oferecer suporte para os fornecedores interessados em ingressar no programa e melhorar o seu desempenho em sustentabilidade, a Fundação Espaço ECO, outra parceira do TfS, apresentou o conceito dos workshops de fornecedores.

Química e Derivados, Eberhard: sistema unificado eliminará avaliações múltiplas
Eberhard: sistema unificado eliminará avaliações múltiplas

“Há um grande interesse da comunidade química pela iniciativa”, comentou o presidente do TfS e vice presidente sênior da Evonik Industries AG, Ruediger Eberhard. Este foi o primeiro evento do gênero na América Latina e, a julgar pelo número de empresas participantes, a reunião brasileira se equiparou à realizada na China.

A expectativa é difundir ainda mais a iniciativa pela região latino-americana, a partir do Brasil, que abriga a sexta maior indústria química do planeta – são quase mil fábricas de produtos químicos de uso industrial.

“Queremos reduzir os riscos para o futuro, aumentar a consciência da sustentabilidade e melhorar continuamente as nossas cadeias de fornecedores para beneficiar a saúde do consumidor e o meio ambiente”, afirmou Eberhard.

Ele avalia que, para aumentar os padrões de sustentabilidade no Brasil, ainda “vai levar alguns anos”, mas ressalta que há avanços, pois grande parte das empresas está disposta a melhorar a sua avaliação. “A maior parte das já avaliadas melhorou muito a sua nota”, destacou o presidente do TfS.

De qualquer maneira, o pensamento é que a maior parte dos fornecedores locais apresenta um “nível muito bom”. Assim como se trabalha com a American Chemistry Council (ACC), a The European Chemical Industry Council (Cefic) e a China Petroleum and Chemical Industry Federation (CPCIF), o plano contempla o envolvimento da Abiquim: “Temos de conversar mais para ver o que se pode melhorar”, observou Eberhard.

A iniciativa TfS deu os seus primeiros passos em 2011 com a união de esforços dos departamentos de compras de seis empresas químicas multinacionais: Basf, Bayer, Evonik, Henkel, Lanxess e Solvay. Se antes o foco era preço, qualidade e prazo, a agenda passou a incluir a sustentabilidade.

No início, de definição de processos e treinamento de fornecedores e empresas terceirizadas, foram feitas avaliações e auditorias de sustentabilidade nas cadeias de abastecimento globais daquelas grandes indústrias.

Atualmente, são 13 membros (com a adesão de AkzoNobel, Arkema, Clariant, DSM, Eastman, Merck e Wacker) que, juntos, geram receitas da ordem de € 220 bilhões e gastos de € 140 bilhões. Outras cinco empresas estão em processo de integração, entre elas, a Brenntag e a DuPont.

O propósito do TfS é desenvolver e implementar um programa de padronização global, com o engajamento de fornecedores, para avaliar e melhorar as práticas de sustentabilidade dentro da cadeia de suprimento da indústria química. Os membros do TfS combinaram os seus conhecimentos e desenvolveram um programa que inclui avaliações e auditorias de sustentabilidade, que são compartilhadas pelos associados, o que leva a um aproveitamento completo da sinergia potencial da indústria.

A iniciativa se baseia nas boas práticas e princípios estabelecidos pelo Pacto Global das Nações Unidas (UNCG), o Acordo de Atuação Responsável (Responsible Care Global Charter), assim como pelas normas elaboradas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização Internacional de Normalização (ISO) e a Responsabilidade Social Internacional (SAI), entre outros.

Química e Derivados, Bertrand Conquéret, da Henkel, falou sobre o TfS
Bertrand Conquéret, da Henkel, falou sobre o TfS

As avaliações, elaboradas pela EcoVadis, reconhecida prestadora de serviços de avaliação no segmento de sustentabilidade, baseiam-se em questionários e o resultado é refletido em um detalhado sistema de pontuação, que inclui aspectos como meio ambiente, práticas de trabalho, práticas comerciais justas e gerenciamento dos fornecedores. Os resultados são disponibilizados na plataforma EcoVadis para os membros do TfS.

Os fornecedores participantes do programa têm que preencher apenas um formulário padronizado globalmente, e não múltiplos questionários com informações relevantes sobre sustentabilidade fornecidas a todos os compradores. Fica dispensada, portanto, a realização de avaliações ou auditorias de sustentabilidade separadas com cada um dos fornecedores.

“Uma auditoria para um vale para todos” é o lema, segundo Eberhard. “Queremos evitar avaliações duplas ou múltiplas. Esta é uma forma de ser mais eficiente, reduzir custos, e melhorar o relacionamento com os fornecedores e a sustentabilidade, pois os fornecedores poderão melhorar os seus processos”, acrescentou.

As auditorias são baseadas em critérios adotados por todos os membros do TfS e são realizadas por empresas parceiras, com representantes em todo o mundo (ex.: SGS). Ao contrário das avaliações, as auditorias compreendem visitas físicas em cada fábrica. Os resultados, assim como os Planos de Ação Corretiva relacionados, também são divulgados na plataforma EcoVadis.

Até a metade deste ano foram realizadas mais de 7.800 avaliações e mais de 300 auditorias externas; foram definidos 32 critérios de auditoria e mais de cem auditores foram qualificados. Esse processo, que é contínuo, iniciou-se na Ásia e depois se espalhou pela Europa e Américas. Calcula-se que o Brasil responda por aproximadamente 4% das avaliações. A Europa lidera, com 42%, seguida da China (22%), resto das Américas (18%) e resto da Ásia (14%).

“Nosso objetivo é a aquisição responsável de bens e serviços, como também a melhoria das normas ambientais e sociais de fornecedores da indústria química em todo o mundo”, concluiu Eberhard.

A expectativa da Henkel na América do Sul é atingir os padrões de sustentabilidade em 90% dos seus fornecedores até o final deste ano, revelou Ignacio Martínez Sabino, da área de comunicação corporativa responsável por Argentina e Chile.

Para ingressar como membro no TfS a empresa precisa alcançar a nota mínima de 60 pontos. Entre os parâmetros adotados estão gestão, ambiente, saúde e segurança, trabalho e direitos humanos e governança corporativa. Os custos de adesão são variáveis. Uma avaliação, por exemplo, pode custar US$ 500 e uma auditoria, US$ 2 mil. Há empresas que abonam € 30 mil anuais. O TfS emite relatórios com avaliações e notas e promove treinamento para os fornecedores e o pessoal de compras das empresas.

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