Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Surfactantes: Blends e oleoquímica ampliam opções para formuladores

Marcelo Furtado
18 de novembro de 2013
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    Também com alta explosão de espuma em sabonetes, o que dá melhor sensação de limpeza, por ser em flocos diminui o pó suspenso no ar, facilitando sua manipulação. Apesar de sólido, o LESS renovável pode ser empregado em formulações de xampus, espumas de barbear e cremes. Mas sua aplicação mais indicada seria para sabonetes em barras e pastas de dentes. “No exterior, ele é muito usado em cremes dentais, mercado que estamos desenvolvendo no Brasil”, disse Lopes.

    Outro grade em desenvolvimento comercial lançado recentemente é o Alkont EL 3645, derivado do açúcar de milho e de ácido graxo de PKO. Com função espessante em cremes, protetores solares, xampus, sabonetes líquidos, trata-se de tensoativo não-iônico éster etoxilado multifuncional. “Ele melhora a reologia da cremosidade, com absorção ao toque seco e é ideal para produtos infantis para a face e o corpo, pois não irrita os olhos e é livre de conservantes”, afirmou o gerente global. Além disso, o Alkont também encontra uso em produtos para higiene íntima, por não apresentar irritabilidade dérmica, sensibilização ou alergia. A inovação apresenta ainda diferencial para emulsões cosméticas, por ser adequado para formulações a frio e compatível com formulações a quente.

    Segundo Maurício Lopes, hoje a Oxiteno é a segunda maior produtora global, em volume, de tensoativos etoxilados, com quatro fábricas no Brasil (Bahia e São Paulo), e outras no exterior: Uruguai, Venezuela, três no México e uma nos Estados Unidos. Perdendo nessa área apenas para a Basf (que comprou a Cognis), o negócio de home and personal care é o maior negócio globalmente do grupo, representando de 25% a 30% da empresa, sob crescimento de 14% em volume nos últimos anos.

    Para cumprir a estratégia de aumentar sua fatia no mercado de cosméticos, atendendo à demanda do setor por produtos sustentáveis, é plano da Oxiteno em dois anos ter 100% do ácido de palmiste (PKO), utilizado em sua fábrica, certificado pela RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil). Já associada à RSPO, a empresa quer garantir que seu PKO seja oriundo apenas de plantações com manejo sustentável. De forma geral, hoje de 20% a 25% das matérias-primas utilizadas pela empresa são de fontes renováveis.

    Do carité – A tendência de encontrar alternativas mais sustentáveis para tensoativos também faz parte do cotidiano de outra empresa brasileira, com produção própria, a Polytechno, de Guarulhos-SP. Segundo o gerente de pesquisa e desenvolvimento, Fabricio Sousa, há um crescente uso de linha de derivados da manteiga de carité, cuja base é importada da empresa sueca AAK. Denominada Lipex, a linha contempla tensoativos catiônicos, cosurfactantes e um anfótero.

    Química e Derivados, Sousa: aposta em surfactantes com base na manteiga de carité

    Sousa: aposta em surfactantes com base na manteiga de carité

    Os tensoativos catiônicos são dispostos em dois grades: Lipex Shea Q50 e Lipex Shea Q. O primeiro é obtido por processo inovador que garante propriedades condicionantes antiestáticas, atuando em formulações cosméticas como emulsificante dos componentes graxos. “Ele melhora a penteabilidade, o brilho e a textura dos cabelos”, disse Sousa. Além disso, pode ser aplicado na elaboração de condicionadores e máscaras para tratamento capilar, combatendo a carga estática. Conta como vantagem ainda sua irritabilidade inferior em comparação com tensoativos catiônicos tradicionais.

    Outro produto de destaque da linha é o Lipex Shea Betaina, um tensoativo anfótero com propriedades emolientes antiestáticas. Assim como os demais tensoativos anfóteros, ele é recomendado para xampus e sabonetes líquidos, sugerindo-se a associação com tensoativos aniônicos para melhorar as características espumógenas, viscosidade, penteabilidade e condicionamento. “Ele também reduz potencial irritante de outros componentes presentes nas formulações”, completou Sousa.

    A parceria com a sueca AAK garante a obtenção de uma matéria-prima de alta qualidade, importante para a síntese de surfactantes eficientes, condição fundamental quando se trata de insumos vegetais. As sementes da planta seguem padrões de manejo sustentável em Burkina Fasso, na África, de onde são transportadas para a fábrica sueca. Lá a manteiga é extraída e o processamento segue padrão rigoroso para evitar a destruição dos compostos bioativos naturais, os insaponificáveis. “É dessa manteiga cuidadosamente produzida que fabricamos a nossa linha”, disse Sousa. Segundo ele, alguns desses produtos são exportados para a própria AAK, que os revende para países da Ásia, Europa e Estados Unidos.

    As linhas de surfactantes da Polytechno são obtidas pelo processamento de óleos integrais que preservam a integridade dos principais componentes ativos (insaponificáveis) do produto acabado, com tecnologia 100% nacional. Além do carité, há surfactantes derivados do babaçu, da oliva e, em alguns casos, com a sinergia de dois ou mais óleos, é possível obter produtos exclusivos, segundo Fabricio Sousa.



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