Química

Sulfato de Amônio – nova tecnologia cria oportunidades para produção

Quimica e Derivados
17 de dezembro de 2018
    -(reset)+

    Com uma economia fortemente dependente do agronegócio, o Brasil importa cerca de 70% dos fertilizantes utilizados como fontes de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) para nutrição dos cultivos nacionais solo nacional. Segundo a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) foram entregues ao mercado brasileiro 34,4 milhões de toneladas de fertilizantes em 2017. No mesmo ano, o país importou 23,9 milhões de toneladas, segundo levantamento do Portal GlobalFert, representando um aumento de 18% com relação ao volume importado em 2016. De maneira oposta, a produção nacional de fertilizantes intermediários (matérias-primas para produção de fertilizantes mistos e granulados complexos NPK) não tem acompanhado o crescimento da demanda, gerando um ciclo de cada vez mais dependência dos produtos importados. O gráfico a seguir (Figura 1) compara a produção nacional de fertilizantes intermediários frente ao volume importado dos mesmos produtos nos últimos anos.

    Figura 1 – Percentual de produção nacional de fertilizantes intermediários frente ao volume iImportado (fonte: AndaNDA)

    Química e Derivados, Sulfato de Amônio – nova tecnologia de processo cria oportunidades para produção local

    Fato relevante, as plantas nacionais de fertilizantes intermediários nos últimos três anos passaram por mudanças com relação aos seus controladores e operadores, trazendo perspectivas de investimentos para modernização do parque industrial instalado e de aumento de capacidade de produção. Conforme reportagens do jornal Valor Econômico, publicadas em 2016, a CMOC International, braço internacional da chinesa China Molybdenum Company (CMOC), adquiriu os ativos de mineração da Anglo American. Entre os ativos estão duas plantas de fertilizantes fosfatados, localizadas nas cidades de Cubatão-SP e de Catalão-GO. A aquisição dos ativos de fertilizantes de fosfato e de potássio da Vale foi concluída em 2017 pela norte-americana Mosaic. Por fim, a venda das plantas de fertilizantes nitrogenados da Vale em Cubatão para a norueguesa Yara foi aprovada pelo CADE este ano.

    No caso específico do sulfato de amônio – fórmula química (NH4)2SO4 – a dependência externa é ainda maior quando confrontada com a média geral de importação de fertilizantes. Nos últimos anos a agroindústria brasileira tem consumido cerca de 2 milhões de toneladas de sulfato de amônio por ano, das quaiscom cerca de 90% têmdeste volume de origem importada. De acordo com o portal de notícias GlobalFert, os países originários do sulfato de amônio importado pelo Brasil em 2017 são variados, destacando-se China, responsável pelo fornecimento de 38% do sulfato de amônio importado, Bélgica (22%), Estados Unidos (21%), Holanda (8%) e Polônia (6%).

    Utilizado como fonte simultânea de nitrogênio e de enxofre para nutrição de plantasdo solo, o sulfato de amônio pode apresentar, a depender das características do solo e do clima em questão, vantagens quando comparado com outros fertilizantes, como menores perdas por volatilização, desnitrificação ou lixiviação. Quanto à comercialização, o sulfato de amônio é disponibilizado na forma de cristais ou de grânulos. O gráfico da Figura 2 mostra o perfil da importação brasileira nos últimos anos, evidenciando um aumento na preferência do agricultor pela forma granular do produto, sendo esta a forma mais eficaz para aplicação na agricultura, possuindo inclusive até mesmo valor de mercado consideravelmente mais elevado do que na forma cristalina. A preferência do agricultor pelos grânulos (diâmetro típico da partícula dna ordem de 2,5 mm) dá-se pela maior facilidade de estocagem, adubação e mistura com outros fertilizantes, quando comparado com os cristais de sulfato de amônio, principalmente no caso de aplicações mecanizadas no cultivo. No caso do fertilizante na forma cristalina, o tamanho da partícula é geralmente menor que 2 mm, o que dificulta sua mistura com outros fertilizantes e sua utilização em sistemas mecanizados.

    Figura 2 – Evolução da importação de sulfato de amônio no Brasil (fonte: AndaNDA)

    Química e Derivados, Sulfato de Amônio – nova tecnologia de processo cria oportunidades para produção local

    Quanto às rotas industriais de produção, pouco mais de 40% da produção mundial do sulfato de amônio está atrelada à produção de cCaprolactama, cuja principal aplicação industrial é como insumomonômero para fabricação de poliamidaNylon- 6. O sulfato de amônio é obtido como um subproduto do processo industrial de produção de cCaprolactama. Atualmente esta é a principal rota de produção mundial do fertilizante em pauta.



    Recomendamos também:








    Um Comentário


    1. Renan Carlos Jordão Cazon

      Boa noite, gostei de mais de sua publicação, hoje o Brasil importa em Sulfato de amônia o equivalente a 1 bilhão de reais, um mercado que os brasileiros estão perdendo para as importações, tenho muita vontade em montar uma fábrica bem pequena de sulfato de amônia, queria saber qual o custo para montar uma fábrica com a tecnologia da Thiesenkrupp, por favor entre em contato comigo pelo e-mail também, renancazon30@gmail.com



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *