Produtos Químicos – Distribuidoras planejam como fazer a sucessão familiar

Sucessão dos Fundadores

Em todo o mundo, grande parte das distribuidoras químicas são empresas familiares, cuja história de confunde com a de seus fundadores – e muitas vezes termina com eles.

Várias distribuidoras nacionais se aproximam do cinquentenário, momento oportuno para pensar em meios de perenizar a empresa e promover a sucessão adequada de suas lideranças.

Há mais de um caminho para se atingir esses objetivos. Selecionamos alguns casos realizados ou em andamento para ilustrar as possibilidades e dificuldades desses movimentos.

Química e Derivados, Castro: resultados aumentam com serviços e novas bandeiras
Castro: resultados aumentam com serviços e novas bandeiras

A soteropolitana Morais de Castro atua há 50 anos no mercado químico, com três gerações da família Castro à frente das operações. A primeira sucessão foi traumática. “Meu avô adoeceu e meu pai, Eduardo Castro, precisou assumir os negócios imediatamente”, comentou André Castro, atual diretor comercial da distribuidora.

Ao longo dos anos, Eduardo assumiu posição preponderante no capital da empresa, tendo participação minoritária de sua irmã, casada com Walter Hart, atual diretor-presidente. A experiência traumática do passado motivou a família a planejar a sucessão, com auxílio da Fundação Dom Cabral, que há três anos a auxilia no planejamento estratégico. “A empresa está sendo reestruturada; embora não haja uma decisão final, a tendência é de meu pai e meu tio assumirem o conselho de administração, deixando a principal função executiva comigo”, informou André Castro. Ele informou que seus irmãos – que já trabalharam na empresa, mas tomaram outros rumos profissionais – concordam com esse modelo.

André se formou em administração de empresas, teve experiência na área acadêmica, passando pela então TeleBahia (hoje Vivo), para depois ingressar na Dow, na área de compras de materiais e matérias-primas para a América do Sul. “Em 2004, achei que era o momento de voltar para a empresa familiar, ideia que foi bem aceita pelo dr. Eduardo”, comentou. Na Morais de Castro, começou pela área de compras, mas foi aos poucos passando para a área comercial e assumindo responsabilidades crescentes. “O próximo passo será elaborar as regras do negócio, definindo as atribuições, metas e remunerações para todas as partes envolvidas”, explicou. “Não teremos problemas de conflitos familiares, a concordância é grande”, salientou.

Química e Derivados, Krueder planeja ampliação dos negócios na América Latina
Krueder planeja ampliação dos negócios na América Latina

Mudanças de rota – Aos 75 anos, a Química Anastácio passou por várias mudanças ao longo do tempo. “Uma empresa precisa se reinventar a cada dia”, defendeu o presidente Jan Krueder. Fundada pelo seu avô Frederico, a empresa nasceu como indústria de glicerina e derivados graxos e permaneceu nessa atividade até 2001.

Os pais de Jan morreram muito cedo e ele foi criado pelos avós. O avô o levava para visitar a fábrica desde a infância, despertando uma paixão pela atividade. “Aos quinze anos eu já queria trabalhar na Anastácio”, comentou. Com a morte do fundador, em 1980, a administração dos negócios ficou sob o comando de uma tia de Jan até 1995.

“Até o Plano Collor, tudo ia muito bem, mas a empresa acumulou uma série de prejuízos entre 1990 e 1995, caminhando para um quadro muito negativo”, informou. Nos anos 90, ele tinha acabado de se formar em administração de empresas e desenvolvia carreira no marketing da Procter&Gamble (P&G). Em 1995, aos 24 anos de idade, ele entendeu que era preciso socorrer a Anastácio antes que ela quebrasse. “Com 25% do capital, assumi o comando ‘na raça’, enfrentei greves, arrisquei meu patrimônio pessoal, comprei as participações dos demais familiares e iniciei uma reestruturação profunda”, recordou-se.

Em 2001, concluiu que a atividade industrial oleoquímica não era mais viável no modelo existente. Nesse ano, encerrou essa fabricação, ficando apenas com distribuição e revenda de químicos, que vinha crescendo em importância. Aos poucos foi definindo portfólio e segmentos de mercado, com sucesso.

Aos 44 anos, pai de duas meninas (13 e 4 anos) e de um menino (10 anos), Jan confessa que gostaria de ver seus filhos tocando o negócio daqui a alguns anos. “Eu já os trago com frequência para a empresa, eles têm até seus aventais para fazer algumas coisinhas num laboratório e parece que gostam muito”, disse.

Jan assegura que, se assim quiserem, eles serão treinados para serem bons executivos ou conselheiros. “Mas só terão cargos importantes aqui dentro se forem melhores que os profissionais disponíveis no mercado”, garantiu. “Meritocracia é um conceito fundamental na nossa empresa e na família, meus filhos têm metas até para receberem suas mesadas.”

Para ele, empresas familiares são um sucesso em todo o mundo, especialmente quando mantêm seus valores e o foco no longo prazo. “O fundamental é que os proprietários se esforcem para manter as empresas mais ricas do que eles mesmos”, afirmou.

Plano acertado – Com 59 anos de experiência comercial no setor químico, dos quais 37 como empresário, Isanoel Mesquita Camacho havia decidido sair de cena ao completar 75 anos de idade (está com 73). Em 2010, contratou uma empresa de consultoria para definir quem seria seu sucessor entre seus quatro filhos, todos eles atuantes na Nicrom.

Química e Derivados, Consultoria indicou Marisa para a sucessão de Camacho
Consultoria indicou Marisa para a sucessão de Camacho

A consultoria confirmou o favoritismo o natural da primogênita Marisa Arantes Camacho. “Ela já está há 30 anos no negócio, com atuação muito forte e presente na área comercial, e começou a receber os encargos da direção geral em 2011, aos poucos”, comentou o empresário.

“Nunca fui forçada a trabalhar na empresa do pai, nem tinha essa expectativa quando jovem, mas fui aos poucos fazendo tarefas de cobrança e pequenas vendas e acabei me envolvendo no negócio naturalmente”, explicou Marisa. Todos os quatro filhos do fundador passaram pelos departamentos internos, do balcão de vendas à administração, ao longo dos anos. “Todos também permaneceram um período no exterior”, aduziu Camacho.

Marisa, economista, pós-graduada em marketing, sempre gostou mais da área comercial. Um dos irmãos é químico e administrador, atualmente comanda as operações logísticas. Outro irmão, economista com MBA em gestão, trabalhou em outras empresas e hoje cuida da parte administrativa da Nicrom. A irmã de Marisa se especializou em finanças e, por isso, comanda a área financeira. “A família aceitou a indicação da pirmogênita como principal executiva da empresa, sem problemas”, informou Mesquita, que resolveu sair das operações diárias, mas desistiu da ideia de parar de trabalhar, passando a supervisionar os resultados e cuidar do planejamento de longo prazo. “Enquanto puder ser útil, vou ficando por aqui, não tenho vontade de ficar em casa de pijama”, concluiu.

Química e Derivados, Marmelsztejn mantém a meta de fidelização dos clientes
Marmelsztejn mantém a meta de fidelização dos clientes

Sem parentesco – A Cosmoquímica optou por um caminho menos usual para a sucessão de sua principal liderança, o fundador Jayme Marmelsztejn. “Tentamos uma solução familiar, mas minha filha trabalhou alguns anos comigo e chegamos à conclusão que seria melhor para todos se ela desenvolvesse outra atividade”, comentou.

Sem alternativa familiar, o empresário preferiu recorrer à profissionalização para perenizar a empresa. Contou com o auxílio de um grupo de consultores que identificou os potenciais candidatos a ocupar o principal cargo executivo, para selecionar entre eles a pessoa mais adequada, segundo os critérios apontados. “O executivo poderá mudar muita coisa aqui dentro, menos mexer na nossa filosofia de trabalho de privilegiar o pessoal interno e colocar o cliente no foco de todas as decisões”, salientou Marmelsztejn, que se dedicará ao planejamento estratégico dos negócios.

Ao fim do processo, o engenheiro químico José Eduardo Verzemiassi foi o indicado e passou a assumir as responsabilidades do cargo desde janeiro deste ano. Ele atua na Cosmoquímica há 19 anos, tendo ingressado pela área de procurement, apoiando o departamento comercial, passando mais tarde para as operações. Coordenou em 2008 a expansão dos armazéns da nova sede e reforçou a experiência administrativa. Antes da distribuidora, ele trabalhou na Sanbra e na Cisper.

Verzemiassi enxerga um grande potencial de crescimento na Cosmoquímica, por contar com excelente estrutura e posicionamento de mercado. “A visão do fundador é sensacional, ele enxerga tudo o que acontece pelo ângulo do cliente, como se fosse um representante deste aqui dentro”, elogiou. “Não vamos perder essa cultura.”

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