Tratamento de Água

Substitutos do cloro ganham espaço no saneamento – Meio ambiente

Marcelo Furtado
14 de janeiro de 2019
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    Ácido peracético – Uma alternativa química também com promessa de ser mais difundida é o uso do oxidante ácido peracético na etapa de desinfecção final de efluentes. Nos últimos anos, a Peróxidos do Brasil está por trás da difusão do uso do desinfetante nessa aplicação, já que tradicionalmente o produto – fabricado em Curitiba-PR – é comercializado para aplicações industriais, como por exemplo na de fármacos, alimentos e bebidas, para desinfecção de embalagens e equipamentos, e em esterilização em hospitais.

    Segundo Luiz Teixeira, da área de pesquisa e desenvolvimento da Peróxidos, o ácido peracético vem como uma segunda alternativa ao cloro, junto com a radiação ultravioleta, outro sistema que ele chega a ver com um pouco de frequência pelo país na desinfecção final de efluentes. Já o ozônio, por exemplo, que teoricamente também teria uso na aplicação, por demandar altos investimentos em capex e opex, não tem se mostrado viável.

    Conforme explica Teixeira, o uso para essa aplicação surgiu globalmente há mais de uma década para atender a demanda em Milão, na Itália, onde a concessionária privada passou a reusar o esgoto doméstico da cidade para a irrigação de plantações de frutas da região. “Eles queriam evitar a formação de organoclorados que poderiam contaminar as frutas”, disse. A saída foi optar pelo ácido peracético, um oxidante eficiente sem a geração de subprodutos, a não ser o ácido acético, ou seja, vinagre.

    O sucesso na aplicação em Milão fez o seu uso se expandir para a capital italiana Roma, para adequar o esgoto tratado, sem cloro e risco de geração de organoclorados nas praias do Mediterrâneo, atendendo restrições para balneabilidade. Da experiência italiana, continua Teixeira, o ácido peracético ganhou espaço na mesma aplicação em cidades dos Estados Unidos, a exemplo de Chicago.

    Há cerca de sete anos, a Peróxidos resolveu desenvolver o mercado no Brasil. O produto, segundo Teixeira, foi testado e aprovado em várias localidades e já tem sido aplicado em ETEs no Sul e Sudeste, que descartam esgotos tratados em rios de baixa vazão, as quais o técnico da empresa prefere não revelar os nomes. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2014, porém, Teixeira afirma que o ácido peracético foi utilizado para desinfecção final de água da área da Marina da Glória e da Lagoa Rodrigo de Freitas, ambas utilizadas para provas aquáticas. “Não houve nenhum caso de contaminação de atletas, o que demonstra a eficácia do tratamento”, disse.

    UV na Aegea – Para desinfecção final de efluentes, há concessionárias que começam a usar a radiação ultravioleta. É o caso da Aegea Saneamento, um dos maiores grupos privados de saneamento do país, atuante em 49 cidades de 11 estados.

    Na ETE Búzios, na concessionária Prolagos, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, a Aegea tem um sistema UV de desinfecção final, com capacidade para a vazão máxima de 310 litros por segundo e média de 205 l/s. Após a desinfecção, a saída máxima de coliformes fecais na saída é de 10³ NMP/100 ml. No local, o reator de desinfecção por UV tem tubos de quartzo e lâmpadas de amálgama de baixa pressão e alta intensidade, energizadas por reatores eletrônicos. O sistema é composto por um único banco, com módulos de lâmpadas instalados na posição horizontal em um canal de concreto.

    De acordo com a coordenadora de processos da Aegea, Natália Marques, a decisão pelo uso de UV tem a ver, em primeiro lugar, com as exigências de descarte dos locais onde estão as ETEs, que no caso da Região dos Lagos é bastante restritivo, para manter a balneabilidade da Lagoa de Araruama. Uma vantagem da tecnologia de UV, além da alta desinfecção, é o fato de não reagir com a amônia (muito presente em esgotos). Já o cloro, em contato com a amônia, gera as cloraminas, causadora de vários problemas à saúde, como irritação de olhos, alergias, dores de cabeça e ouvido, além de, ao ser objeto de longa exposição, poder causar problemas respiratórios e até mesmo a infertilidade masculina.

    Além de usar na ETE Búzios, recentemente ampliada para 200 l/s, a Aegea também tem duas unidades de desinfecção por UV na PPP que possui em Serra-ES, com a companhia estadual Cesan. Fora o UV, afirma Natália, a Aegea também utiliza carvão em pó e ainda peróxido de hidrogênio para pré-oxidação na ETA Juturnaíba, também na Prolagos, em Araruama (RJ), quando há proliferação de algas no reservatório.



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