Startups: Jovens empreendimentos químicos geram inovação e resultados econômicos

Química e Derivados, Startups: Jovens empreendimentos químicos geram inovação e resultados econômicos
Startups, fundamentadas em inovação.

 

Química e Derivados, Araújo: Basf acelera projetos ligados aos agronegócios
Araújo: Basf acelera projetos ligados aos agronegócios

Startups, assim são denominadas as empresas nascentes, fundamentadas em inovação.

Elas são frequentemente vinculadas às tecnologias da informação e comunicação, os campos mais propícios a esses empreendimentos, pois neles não há a necessidade de investimentos em plantas produtivas e, além disso, pequenas operações rapidamente podem atingir escala global, como ocorreu com Facebook e Uber, entre vários outros exemplos.

A despeito das dificuldades, cresce a presença de startups nas atividades industriais, até no setor químico (histórias de startups do setor nas próximas páginas). Difícil imaginar espaço para elas em um mercado dominado por enormes transnacionais, mas fatores como necessidade de produtos mais afeitos à sustentabilidade ambiental, mudanças nos processos produtivos e a evolução dos modelos de relacionamento com outros integrantes da cadeia fazem com que até os grandes players se tornem agentes de promoção de startups.

A Basf, por exemplo, gerencia em sua matriz alemã o fundo de investimentos Basf Venture Capital, focado na compra de participações em novos empreendimentos. No ano passado, lançou o AgroStart, programa no âmbito latino-americano e gerido a partir do Brasil, que seleciona startups dedicadas ao agronegócio para um programa de aprimoramento e desenvolvimento.

Desenvolvido em parceria com a aceleradora Ace (ver quadro com informações sobre aceleradoras e outros mecanismos de fomento a startups), o AgroStart privilegia cinco focos de inovação no agronegócio. Entre eles, gestão – inclusive gestão de agroquímicos – e a chamada ‘agricultura de precisão’, que já recebeu mais de duzentas inscrições. “Alguns dos projetos inscritos estão sendo acelerados, mas não posso dizer quantos ou quais”, relata Almir Araújo, gerente de marketing digital para a América Latina da Basf.

Química e Derivados, Peres: startups identificam nichos de mercado rapidamente
Peres: startups identificam nichos de mercado rapidamente

Ele crê que as parcerias com startups serão importantes para as empresas químicas, até para melhor associá-las ao conceito Indústria 4.0 que inclui a automação e a internet das coisas entre outros aspectos. Mas os empreendimentos inovadores também podem gerar novas moléculas e novos ingredientes químicos: “Recebemos alguns projetos desse gênero e os estamos analisando”, comenta Araújo.

Por sua vez, a Braskem encerrou em maio a terceira etapa de inscrições no projeto Braskem Labs, que nas duas edições anteriores recebeu mais de 350 inscritos, dos quais selecionou 31. Também desenvolvido em parceria com a Ace, esse programa visa acelerar o crescimento de negócios que, a partir de soluções baseadas na química e no plástico, podem produzir algum impacto social relevante.

O rol de projetos selecionados no Braskem Labs inclui um módulo portátil que permite a pacientes acamados ou com dificuldade de locomoção tomar banho ou se higienizar sem sair do leito, além de uma solução biodegradável que elimina a necessidade da descarga após alguém urinar (assim, reduz em 75% a água consumida em vasos sanitários).

Eduardo Peres, head de negócios em petroquímicos básicos da Braskem, considera “essencial” a consolidação das startups no setor químico, pois, com as grandes empresas mais focadas em commodities e produtos básicos, elas podem ser mais ágeis na busca de novos produtos e na percepção de novos nichos. E os dois lados ganham com as parcerias. “Os empreendedores podem ter acesso ao know how e aos relacionamentos das grandes empresas. Essas, por sua vez, até estimularão seus colaboradores que, trabalhando com startups, vêm a química e o plástico sendo usados em projetos interessantes e descolados”, destaca Perez.

Química e Derivados, Spina: processos e modelos de negócios também são atraentes
Spina: processos e modelos de negócios também são atraentes

Oportunidades e viabilização – Embora os projetos fundamentados em tecnologia da informação e da comunicação ainda sejam amplamente majoritários, startups vinculadas à manufatura começam a se tornar mais comuns. Nesse segmento, a indústria química constitui universo particularmente promissor: “Há nesse setor oportunidades em segmentos como a química verde, a impressão 3D – que exige novos materiais –, e a nanotecnologia”, especifica Hudson Mendonça, diretor do comitê de CleanTech da Associação Brasileira de Startups – ABStartups (propondo bens e serviços ambientalmente mais amigáveis, o conceito cleantech, aliás, sustenta muitos projetos de inovação na indústria).

Na realidade, pode-se inovar em qualquer atividade, pondera Cassio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil (entidade que congrega investidores que destinam recursos a startups). “Inovação não se refere apenas a produtos, mas também a processos e modelos de negócios”, argumenta.

Sergio Risola, CEO do Cietec (incubadora da Universidade de São Paulo-USP), avalia haver atualmente no Brasil o amadurecimento de um ambiente favorável ao desenvolvimento de startups. “Recebo continuamente grandes empresas em busca de parcerias para inovação”, relata. “O fluxo de investimento ainda é inferior ao que eu desejaria, mas bons projetos podem até escolher entre investidores”, acrescenta Risola.

Além disso, ressalta Mendonça, da ABStartups, empreendedores hoje dispõem de ferramentas bastante acessíveis para auxiliá-los em seus projetos empresariais: contadores que trabalham em pool para reduzir os preços de seus serviços, ferramentas de gestão via internet mediante pequenas mensalidades, ambientes de coworking que reduzem os custos com as estruturas físicas de administração, entre outras.

Química e Derivados, Risola: ambiente para negócios está favorável para inovações
Risola: ambiente para negócios está favorável para inovações

Algum interessado em criar uma startup, recomenda Mendonça, deve inicialmente buscar o apoio de alguma operação de aceleração, que pode lhe fornecer alguns recursos financeiros, mas é importante sobretudo por sua rede de contatos e por ações de capacitação. Caso não tenha ainda nenhum conhecimento do universo de negócios, ele pode até começar por uma incubadora, para depois chegar a uma aceleradora. “Depois, é preciso contatar investidores, existem fundos privados, organismos e instituições, interessados na área química”, enfatiza.

Exemplo de instituição com recursos alocados em startups do setor químico é a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que já destinou R$ 2 milhões para a IQX, startup abrigada em uma incubadora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) cujo portfólio inclui aditivos para recuperação de borracha e para confecção de materiais com proteção contra descargas eletrostáticas. Oriundos de um programa denominado Pipe (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), tais recursos visam também inserir a IQX no mercado internacional.

Por enquanto, as duas sócias da IQX preferem não contar com investimento privado, esperando que seu empreendimento se valorize mais. Mas em duas ocasiões elas já apresentaram a empresa a potenciais investidores e notaram ser ainda bastante reduzidos, no universo das startups, os negócios não relacionados à tecnologia da informação e comunicação. “Mesmo nesse cenário pouco favorável, já fomos procuradas por investidores”, diz Silmara Neves, uma das criadoras e sócias da IQX.

Rochmam

Química e Derivados, Equipamento recicla solventes
Equipamento recicla solventes

Modelo de negócios já aprovado, com faturamento em contínua expansão, e capacidade de se manter com as receitas decorrentes de seu desenvolvimento de negócios, assim Carlos Henrique Gonçalves define o atual momento da Rochmam, fabricante de máquinas para reciclagem de solventes da qual é sócio, atualmente abrigada no Cietec. Como informou, para se expandir mais depressa, a empresa necessitaria de investidores. “Hoje apostamos muito no sistema de locação dos nossos equipamentos, cuja produção exige recursos”, justifica Gonçalves.

Fundada em 2010, a Rochmam produz máquinas de reciclagem de solventes com capacidades entre 5 e 120 litros (complementa esse portfólio representando uma fabricante italiana). Já instalou mais de duzentas delas, em gráficas, fabricantes de calçados, produtores de tintas, entre outros tipos de clientes. Mediante um processo baseado em destilação, essas máquinas reciclam praticamente todos os solventes e diluentes utilizados na lavagem de equipamentos industriais, podendo, como anuncia a empresa, a partir do reuso, reduzir em 90% o consumo desses produtos.

O solvente reciclado pela Rochmam, afirma Simei Marucci, fundadora e também sócia da empresa, pode até ter qualidade superior à de um novo, por exemplo, no caso de diluentes de tintas, que também são recuperados na reciclagem, e ajudarão a gerar, ao final do processo, um solvente de melhor qualidade que os solventes de lavagem aos quais eles serão misturados. “O processo também pode separar o solvente da água, reduzindo o seu percentual na mistura”, acrescenta Simei.

A Rochmam, ela complementa, antes de desenvolver um equipamento para um cliente analisa qual solvente ele reciclará, levantando aspectos como possibilidade ou não de reação com a máquina e temperatura de ebulição, para só então definir suas características. “A parte química comanda o projeto”, explica Simei.

Atualmente, opera com cinco colaboradores, e durante algum tempo a empresa contou com recursos de um investidor privado para a fabricação de determinada quantidade de equipamentos. Ainda não recebeu dinheiro de órgãos governamentais de fomento à pesquisa e inovação, mas hoje trabalha em parceria com outra empresa – também incubada no Cietec – que obteve recursos da Fapesp para desenvolver sistemas de assistência remota para seus equipamentos.


IQX

Química e Derivados, Silmara (esq.) e Carla: a IQX teve recursos do programa Pipe
Silmara (esq.) e Carla: a IQX teve recursos do programa Pipe

Fundada em 2011 por Silmara Neves e Carla Fonseca, ambas formadas em Química pela Unicamp, a IQX disponibiliza duas linhas de produtos: IQX Eco-resinas Condutivas e IQX Regenera, destinadas, respectivamente, a conferir condutividade elétrica a materiais e a recuperar borracha descartada.

Os produtos IQX Regenera, por exemplo, permitem a recuperação de borracha de aparas e refugos, além de pneus. “Os aditivos anteriormente disponíveis são utilizados exclusivamente para recuperação de borracha oriunda de pneus”, observa Silmara. “Além disso, nosso produto não gera odores desagradáveis durante a utilização e nem no produto final”, acrescenta.

Já as Eco-resinas Condutivas IQX são utilizadas como aditivos funcionais na elaboração de borrachas, embalagens e tintas industriais com emprego na obtenção de produtos com proteção ESD (contra descargas eletrostáticas). Têm como matérias-primas a glicerina bruta – nesse caso, oriunda da produção de biodiesel – e polímeros condutores. “Elas oferecem a possibilidade de conferir coloração aos produtos, algo que não existia antes, pois os produtos para proteção ESD usuais contêm negro de fumo e, por isso, apresentam a cor preta”, acrescenta Silmara.

Segundo ela, é significativo o nicho de mercado composto pelos artigos com proteção ESD, entre os quais há itens como caixas, equipamentos de proteção no trabalho e embalagens, entre outros.

Química e Derivados, Filmes aditivados evitam acumular eletricidade estática
Filmes aditivados evitam acumular eletricidade estática
Química e Derivados, Pisos de borracha condutivos previnem descargas elétricas
Pisos de borracha condutivos previnem descargas elétricas
Química e Derivados, Aditivo da IQX não contém negro de fumo
Aditivo da IQX não contém negro de fumo
Química e Derivados, Calçados de segurança também se beneficiam da inovação
Calçados de segurança também se beneficiam da inovação

Abrigada no Ciatec (incubadora da Unicamp), a IQX já tem clientes em empresas de setores como embalagens e artigos de borracha, mas visa também mercados como as indústrias têxtil, fabricantes de tintas e produção de eletroeletrônicos, entre outras. “Estamos consolidando parcerias nos segmentos de borracha, tintas e embalagens, que estão permitindo a customização dos produtos para diferentes aplicações industriais”, revela Silmara, que atualmente se responsabiliza pelas atividades administrativa e comercial da empresa (sua sócia Carla se dedica mais a P&D e produção).

IPOL

Nanotubos de carbono ou grafeno modificados quimicamente para conferir às peças utilizadas em diversos ramos industriais características como maior resistência mecânica, ou maior condutividade elétrica ou térmica, essa é a proposta da Ipol Nanotecnologia, nascida em 2013 no CT-Nano (Centro de Tecnologia de Nanotubos de Carbono da Universidade Federal de Minas Gerais), hoje abrigada no BH-Tec (Parque Tecnológico de Belo Horizonte).

De acordo com Vinícius Gomide de Castro, sócio-diretor da empresa, tratando-os quimicamente, a Ipol produz nanotubos com elevada capacidade de dispersão e mistura nos produtos, assim supera um dos principais obstáculos hoje colocados na trajetória de uso mais intensivo da nanotecnologia nas atividades industriais. “No momento, focamos o trabalho com polímeros e borrachas, em aplicações para setores como óleo e gás, mineração, energia eólica e tintas e vernizes”, detalha.

Fundada em 2013 por três pesquisadores – Castro, entre eles –, em 2015 a empresa venceu a primeira edição da categoria Empresas Nascentes de Base Tecnológica (Startups), do Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia, conferido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Já depositou sete pedidos de patentes e, enquanto testa aplicações de seus produtos, busca investidores capazes de ajudá-la a conferir escala comercial para sua tecnologia.

Castro aponta haver interesse nas atividades da Ipol, tanto entre investidores quanto entre empresas que deverão utilizar seus produtos. “E não necessariamente startups precisam concorrer com os conglomerados do setor químico, há oportunidade para o trabalho conjunto, no qual elas fornecerão insumos inovadores às grandes empresas”, pondera.


GlobalYeast

Diferentemente da maioria das startups, que precisam suar para conseguir recursos, a GlobalYeast já nasceu com o apoio de quatro investidores, que em 2015 alocaram cerca de R$ 10,5 milhões nesse empreendimento. Três desses investidores são belgas e o quarto é o fundo brasileiro Performa.

A empresa desenvolve e implementa soluções compostas por leveduras industriais geneticamente modificadas que, em média, podem incrementar entre 1% a 2% a produtividade na obtenção de etanol (considerando-se os enormes volumes de produção desse álcool, esse incremento pode ser bastante significativo). Também presta serviços destinados a garantir aos usuários desses produtos as condições mais adequadas de realização da fermentação.

Agora, a empresa mantém unidades no Brasil e na Bélgica, conta com uma equipe de quinze pesquisadores e engenheiros, e atende clientes no Brasil, Estados Unidos e Europa. Na base desse empreendimento, aparecem as pesquisas do belga Johan Thevelein, uma das referências mundiais na pesquisa de leveduras. E no comando está o brasileiro Marcelo do Amaral, que anteriormente gerenciava a área de inovação da Raízen.

O setor químico, crê Amaral, oferece espaço para o empreendedorismo via startups. “As empresas químicas em geral, especialmente com as consolidações dos últimos anos, precisam de constante fluxo de inovação e essa demanda é uma porta aberta para o empreendedorismo”, ressalta.

Além disso, prossegue o CEO da GlobalYeast, não apenas o setor químico, mas a sociedade de maneira geral agora exige produtos e serviços mais sustentáveis e mais rentáveis, que muitas vezes decorrem de avanços tecnológicos e científicos capazes de oferecer projetos inovadores. “Cabe ao empreendedor realizar essa conexão”, complementa.

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Um Comentário

  1. Tenho aditivo químico Anti chamas, que não causa mal ao ser humano e nem á natureza. Preciso se alavancagem pra finalizar o protótipo.
    Tbem inversor térmico da fibra de lã de vidro.

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