Química

Solventes – Tintas – Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria

Marcio Azevedo
1 de dezembro de 2008
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    Química e Derivados, Maurício Lopes, gerente de mercado, Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria

    Maurício Lopes: Oxiteno vai aumentar produção e portfólio de acetados

    A exportação continua prioritária, com foco no crescimento fora da região onde estão Brasil. Um de seus vértices poderá ser a ampliação da produção de acetato de butila,cuja capacidade, de 20 mil t/ano, é insuficiente para uma participação no mercado internacional. Isso é claro, se a indústria automobilística mostrar maior vigor.

    Na configuração atual, a Europa responde por 57% do volume de solventes vendidos ao exterior; a América Latina, 17%; a do Norte, 11%; e, por último, a Ásia. Esse continente já teve maior peso no destino das exportações da Rhodia, porém, com dificuldades para gerenciá-lo a distância, a produtora perdeu espaço. Ela pretende retomar o que já lhe pertenceu com o envio de um brasileiro, que realizará o atendimento local, com o reforço oferecido pelos novos produtos e, quiçá, investindo em produção na própria Ásia.
    Mais expansões – A Oxiteno é outra produtora instalada no Brasil com fortes bases na exportação. Seu amplo portfólio de solventes, responsável por importante participação no mercado brasileiro, é composto por produtos oxigenados, cujo grande consumidor local, por via direta ou distribuição, são as tintas, principalmente para construção civil e automobilística. No rastro do bom desempenho desses setores em 2008 e da melhoria da qualidade das tintas nacionais, que favorece o melhor desempenho dos solventes oxigenados, a Oxiteno obteve crescimento de cerca de 5% sobre 2007 no negócio de solventes, a despeito dos impactos negativos do aumento do petróleo (a empresa utiliza matérias-primas petroquímicas, como etileno) e do real valorizado, até setembro. “O negócio de solventes terá um bom resultado em 2008, consistente com o projetado”, afirma Maurício Lopes, gerente de mercado.
    As oscilações assustam os especuladores, mas quem está no jogo para competir precisa enxergar além das ondulações mais fortes. Centrada em uma visão de longo prazo, a Oxiteno elegeu algumas linhas de produtos em que possui melhor competitividade para efetuar novos investimentos. Os solventes receberão um reforço significativo a ser realizado em 2009 na unidade de acetatos. Além de dobrar a produção para40 mil t/ano, ele trará um novo produto ao mercado. A fábrica produzirá acetatos leves, como isoamila (ou isopentila) e outro que ainda não era produzido no Brasil. A novidade completa o portfólio da companhia, por se tratar de um solvente mais leve que os acetatos de éteres já fornecidos pela Oxiteno. O novo acetato já está sendo comercializado em quantidades estritas, mas com o aumento da capacidade produtiva, passará a estar disponível em grande escala, possibilitando a entrada da empresa em aplicações em que não participava além de um reforço para as vendas de solventes destinadas ao exterior. O Brasil já consome um contra tipo do acetato que será produzido pela a Oxiteno em 2009. No entanto, Maurício Lopes afirma que o novo solvente é mais competitivo, pois se origina na cadeia de nafta, enquanto o outro competidor tem base na cadeia de propeno. A companhia também comprovou, tecnicamente, que o produto pode substituir seu sucedâneo,o acetato de butila, na proporção de um para um. Obviamente, este item varia de aplicação a aplicação, mas a fabricante está apta a ajudar no acerto da formulação da tinta, se necessário.

    Apesar da incerteza que paira sobre 2009, ainda indefinido na maioria das bolas de cristal de economistas, a fornecedora de solventes oxigenados prevê que o negócio alcançará crescimento similar ao de2008 – isto é, 5%, principalmente graças à venda de novos produtos.

    Agregando valor – Embora haja demandas por solventes menos tóxicos e poluentes no país, a maior parte das vendas de solventes ainda é constituída pelos hidrocarbônicos,derivados alifáticos e aromáticos do petróleo, os produtos tradicionais desse mercado. No entanto, mesmo quem sempre foi conhecido pela comercialização desse tipo de solvente, como a Carbono Química, está engajado na busca de opções mais sustentáveis.
    Dentro de uma estratégia de agregação de valor ao portfólio, a distribuidora partiu para a busca de solventes com apelo ambiental, traduzido por atributos diversos, como menor odor, toxicidade,conteúdo de aromáticos, ou emissão de VOCs. Características de biodegradabilidade ou produção com base em fontes renováveis também são traços desejáveis.

     Química e Derivados, Washington Yamaga, diretor-superintendente da Carbono Química,  Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria

    Washington Yamaga espera crescimento do metilciclohexano em

    Como não há no mercado um único solvente com essas atribuições, a postura de busca por valor gerou a entrada no segmento de oxigenados, como fornecimento de ésteres próprios. Em seu módulo industrial, a empresa fabrica acetatos mais pesados, entre C4 e C7 (como acetatos de butila,etila, isobutila e isoamila). A reorganização também forjou a comercialização de hidrocarbonetos com baixo teor de aromáticos, resultado de trabalhos de cooperação com a Petrobras e a Braskem, e a disponibilização de um carbonato orgânico da Huntsman, com aplicação em tintas, lubrificantes e adesivos selantes para construção civil. As relações de fornecimento da Carbono Química com grandes produtores mundiais é um dos pilares denotados adicionalmente pela revenda de solventes alifáticos leve se médios e solventes ciclo alifáticos da Total Fluids. A expectativa é de que apareceria contribua com um aumento de 3% a 5% no faturamento da empresa brasileira, em números calculados sobre o faturamento apurado em 2007.

    Segundo o diretor-superintendente da Carbono Química, Washington Yamaga, além dos novos contratos de fornecimento, das novas linhas de produtos e do aprendizado de reconhecimento do valor agregado, a distribuidora realizou um grande esforço de informação e formulação com seus clientes. “Estamos trabalhando com associações ou diretamente com os clientes para a viabilização dos produtos”,disse. Quem deve experimentar uma introdução substancial no mercado em 2009, fruto dessa tentativa, é o metilciclohexano,que já foi apresentado,como parte do movimento de aproximação,à Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro,Calçados e Artefatos (Assintecal).
    A reorganização da Carbono Química também se refletiu em uma diversificação da área geográfica de atuação, ampliada para o sul e o oeste do país. Suas vendas fora da região Sudeste representam agora 25% do total, contra um patamar anterior de10%. Em receitas, a empresa computou uma grande evolução sobre 2007,com volumes um pouco acima do crescimento orgânico das indústrias para as quais fornece solventes. Mas as margens, como foi a regra, ficaram mais comprimidas.

    Distribuição reorganizada – Outro caso de iniciativa da indústria que culmina com a aprovação de regras setoriais é o ocorrido com a comercialização de solventes. Monopólio estatal até o governo Collor, o segmento passou por uma ampla abertura em meados de 1999. Os preços internos do Brasil, até então artificialmente mantidos no mesmo nível em todo o país, se tornaram um grande atrativo para as importações. O movimento brusco desorganizou o setor de distribuição local, pela dificuldade de competição com o produto importado. Nesse mercado livre de regulamentação, explica RuyRicci, diretor-executivo do Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindsolv), os solventes foram parar em misturas indevidas com outros produtos, como fruto de adulterações, sendo a mais evidente a de combustíveis.

    Química e Derivados, Ruy Ricci, diretor-executivo do Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindsolv),  Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria

    Ruy Ricci pede revisão de portarias da ANP

    Com o esforço do sindicato, a Agência Nacional do Petróleo publicou a portaria 21/2001, estabelecendo exigências mínimas para a distribuição de solventes, mas relegou a etapas posteriores regulamentações mais profundas, que nunca aconteceram. “O sindicato entendia ser necessária uma resolução que revisasse a portaria 21, e o resultado foi a resolução 24, de 2006”,disse o diretor-executivo do Sindsolv.

    A nova legislação definiu de maneira mais clara a figura do distribuidor de solventes, além de impor aos candidatos à atividade restrições, como a tancagem mínima de 420 m3, capital social integralizado de ao menos R$850 mil, a caducidade do registro de distribuidor sem uso em 180 meses, e o recadastramento dos agentes do mercado. Dois anos após a edição da portaria, o setor de distribuição (desconsiderado o benzeno, muito perigoso e incomum ao portfólio do distribuidor de solventes típico) seres ume a 32 empresas identificadas pela ANP, uma grande vitória para o sindicato, na avaliação de Ricci.Dessas, 20 completaram o processo de recadastramento, e 12 ainda estão em fase de adequação.
    Apesar dos avanços, o Sindsolv ainda não está satisfeito com toda a legislação em vigor. Seu diretor executivo critica a portaria 312/2001da ANP, que regulamenta a figura do importador. “A importação é o grande resquício de fragilidade na cadeia dos solventes”, afirma. Há 110 importadores cadastrados na agência, porém sujeitos a exigências consideradas muito brandas. O crescimento da quantidade de títulos de importação concedidos impressiona, mostrando até casos muitíssimo curiosos, como um título concedido para uma empresa de Ponta Porã-MS, localidade deveras distante de centros de produção e consumo. Há promessas de revisão da portaria 312,mas elas ainda não foram cumpridas.Também merecem revisões, na opinião do Sindsolv, a portaria ANP 63/99,que define com pouco rigor a figurado grande consumidor de solvente,e a 318/2201, centrada no produtor secundário (formulador), que fraciona um determinado corte de solventes ou mistura tipos diferentes.

    O sindicato reúne, atualmente, oito associados, de um número potencial de 32. Contrapondo o crescimento da entidade na divulgação de suas causas à escassez de novas adesões de distribuidores, Ricci destacou a ampliação do escopo de atuação da entidade. Uma das frentes é a intensificação do diálogo com representantes de elos industriais relacionados à cadeia de solventes, incluindo a Assintecal, a Abrafati, o Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Se vitorioso, o esforço irá gerar um grupo setorial para discutir as necessidades da cadeia posterior à síntese de produto. A interlocução com os fabricantes, na opinião do diretor-executivo do Sindsolv, seria facilitada e se beneficiaria “do relacionamento histórico do sindicato com a produção”



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