Química

Solventes – Tintas – Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria

Marcio Azevedo
1 de dezembro de 2008
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    Fontes renováveis – A Rhodia, produtora local de solventes oxigenados que está completando cinqüenta anos de atividades na alcoolquímica nacional em 2008,além de promover o caráter mais amigável de seus produtos, pode se beneficiar da plataforma produtiva que adotou.A multinacional produz duas linhas de solventes. A de acetatos, com base em etanol, gera produtos encerrando 100% de conteúdo renovável, se utilizados o etanol e o ácido acético derivados de cana-de-açúcar como matérias-primas. Parte da produção, no entanto, consome ácido no entanto, consome ácido acético petroquímico importado e, nesse caso, os acetatos provêem de fontes 50% renováveis.A outra linha, de cetonas,deriva da acetona, que a empresa co-produz na síntese de fenol,insumo básico para o negócio de poliamidas. No início dessa rota está o cumeno, portanto as cetonas não usufruem do apelo da fonte renovável, embora sejam menos tóxicas e agressivas ao meio ambiente que os solventes hidrocarbônicos. As tintas em geral, e as tintas de impressão, em particular, são mercados importantes para a empresa, onde é consumido, sobretudo, o acetato de etila. O acetato de butila continua sendo um negócio quase que exclusivamente interno direcionado intensamente para a pintura automobilística original e repintura.
    Até cerca de dois anos atrás, o negócio de solventes da Rhodia era encarado como uma operação regional. Mas, com uma produção atual de cerca de 300 mil t/ano, entre acetatos e cetonas, a empresa se voltou para as vendas ao exterior, exportando cerca de 50% da produção. Segundo Alexandre Castanho, diretor do negócio de solventes da Rhodia, a necessidade por ganhos de escala para operar no mercado mundial quintuplicou a produção nos últimos tempos.

    A produção atual de acetona da Rhodia está em 120 mil t/ano. Mas como a planta de fenol está em plena fase de expansão para 235 mil t/ano em dezembro de 2008, a quantidade do co-produtose elevará para 150 mil t/ano. Também existem planos para a ampliação da produção de ésteres de etanol, mas as incertezas que rondam 2009, por conta da crise financeira global, impõem análises mais detalhadas antes da definição de um salto de capacidade produtiva, que poderia vir a partir do terceiro trimestre do próximo ano. Além do aumento do volume dos derivados de etanol, a expansão traria alguns novos solventes ao portfólio da Rhodia, já em fase de avaliação de processos e engenharia. Uma corrente de pesquisa divulgada pela empresa são os produtos para a substituição de etilglicol,suspeito de carcinogênese. Também há planos para a substituição de tolueno exileno, aromáticos, por uma combinação de acetatos e cetônicos, um trabalho que começou no segmento de adesivos e que está sendo estendido às tintas.
    Fundamentada em grande parte no etanol, a produção de solventes da Rhodia se beneficia da competitividade em preços do álcool produzido no país. Com a cotação do barril de petróleo em patamares estratosféricos antes da crise financeira, ao redor de US$ 150, esse ganho de competitividade perante os produtos de origem petroquímica é ampliado,mas, nos preços atuais, na média de US$ 60 o barril, a perda de fôlego dos derivados do etanol brasileiro é importante,comenta Castanho. O modelo de produção adotado pela empresa francesa também faz supor a razoabilidade de uma verticalização total na cadeia de etanol,desde o cultivo da planta. O mercado desse álcool, segundo o diretor, não gira em torno do mundo químico. Ele é muito ligado à gasolina e se torna arriscado depender de uma matéria-prima fortemente influenciada por outros segmentos da economia. Aumentos na cotação do etanol provocados por mudanças no mercado de combustível poderiam tornar o custo da matéria-prima irreal para os negócios com solventes. Essa idéia já foi pensada na Rhodia, mas é outro projeto que entra em hibernação por conta do cenário confuso no mercado mundial.

    Cenário que, no exterior, se configurou mais cedo, e foi sentido pela multinacional no começo de novembro. Os clientes que realmente “sumiram”,porém, na avaliação de Castanho, foram os de tintas para pintura automobilística,segmento em que a companhia não possui grande participação – e a exportação contempla setores diversos, além dos automóveis, como o farmacêutico,adesivos e tintas para embalagens. No mercado interno, o desaquecimento econômico tardou um pouco mais, masquem puxou o freio primeiro também foi o setor automobilístico. Outros mercados decidiram aproveitar o momento para enxugar estoques, e dezembro deve ser o mês de real acomodação do mercado local à nova realidade. Nomeio desse jogo, e depois de passar por aumentos de preços de matérias-prima se um câmbio desfavorável para quem se reporta em euros, em 2008, o negócio de solventes da Rhodia apresentou ganhos de competitividade e manteve o resultado do ano passado, porém com aumento do volume de vendas. “E, em2009, esperamos repetir a dose, em um ambiente que será mais hostil”, informa Castanho, confiante em um câmbio mais propício à exportação e atento à queda de preços que o mercado de solventes e já está percebendo no final deste ano.



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