Solventes: Indústria busca melhores padrões de qualidade

Tintas - Solventes: Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria

A falta de leis fundamentada sem critérios técnicos sempre foi um dos motivos apontados para explicar a baixa penetração de algumas tecnologias ambientalmente “amigáveis”no Brasil.

A omissão legislativa também é citada quando são examinadas práticas de comercialização danosas ou desonestas, exercidas em segmentos econômicos confiados ao bel-prazer de seus agentes.

Sentindo dificuldades para sensibilizar legisladores, a indústria brasileira está criando, em seu próprio seio, mecanismos para modificar a situação.

A auto-regulamentação, preenchendo o vácuo deixado pelo Poder Público, é um caminho eleito pelos industriais para atingir padrões mínimos na produção nacional.

A iniciativa surgida nos próprios elos da cadeia produtiva, de modo semelhante, pode desequilibrar o marasmo regulatório em favor de regras mais claras no comércio.

Um exemplo desse posicionamento pró-ativo é observado no setor de tintas. Apesar da entrada em vigor, no início de2009, da lei federal 11.762/08, que teor de chumbo em tintas imobiliárias, de uso infantil e escolar, vernizes e materiais similares a 0,06% (e, na prática,bane o metal), o segmento carece de legislação estabelecendo controles sobre insumos e qualidade dos bens finais.

Porém as mesmas tintas imobiliárias são contempladas por um programa setorial de qualidade coordenado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).

A participação no programa é voluntária para não associados, portanto seu poder de persuasão é limitado.

Mas esse tipo de acordo setorial pode se tornar o embrião de um projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),que, se aprovado, tem força de lei investida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Nesse cenário, aquilo que começa como o compromisso de alguns competidores pode resultar em obrigação para todo o mercado.

VOCs – Um tema que deverá ser objeto de auto-regulamentação é o das emissões de compostos orgânicos voláteis (VOCs,na sigla em inglês).

A denominação engloba diversas substâncias que reagem fotoquimicamente com óxidos nitrosos (NOx) na troposfera, a camada de ar com espessura média de 10 km logo acima da superfície terrestre. Esse processo forma ozônio, principal componente do smog fotoquímico.

Embora não exista um critério técnico único para a definição de VOCs, muitos solventes são assim considerados, de sorte que a indústria de tintas,historicamente, a maior consumidora do insumo industrial, é um dos setores intensamente envolvidos nas discussões sobre a emissão de voláteis.

Europa e Estados Unidos já possuem regras para reduzi-la,e o Brasil está próximo de adotar um controle maior sobre esse quesito.

Um comitê científico da Abrafati vem discutindo o assunto. Segundo Luis Manoel R. Mota, consultor que participadas reuniões na associação, foram definidos internamente os limites de VOCs para as tintas decorativas.

O mercado de pintura automotiva, original e epintura,outro segmento importante no tintas, ainda aguarda definições, mas Mota acredita que até o início de 2009o consenso será obtido.

Na repintura automotiva se torna mais complexo fechar uma posição em torno dos valores a serem permitidos, pois há uma infinidade empresas, muitas pequenas e médias, que precisam de tempo para se adaptar às novas tecnologias, necessárias para satisfazer critérios mais rígidos.

Outro ponto sensível é a definição de VOCs a ser seguida pelo Brasil. A Europa considera como composto orgânico volátil aquele que possui ponto de evaporação inferior a 250ºC. Para os americanos, a denominação corresponde à quantidade de material que evapora em uma hora, à temperatura de 100ºC.

Além disso, há questionamentos sobre esses parâmetros. Um dos argumentos é que a classificação das substâncias deveria se basear na reatividade fotoquímica delas com o NOx da troposfera para considerá-las como VOCs ou não.

Pelas palavras de Mota, o comitê científico da Abrafati tende a adotar o critério europeu, uma vez que o Brasil já segue outros modelos europeus relacionados,como o Sistema Global Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS, em inglês) e a Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico (FISPQ).

Mesmo sem regulamentação anterior, alguns segmentos de tintas, como as utilizadas na construção civil, já possuem conteúdo de VOCs muito próximos daqueles de tintas comercializadas nos Estados Unidos e na Europa.

Química e Derivados, Luis Manoel R. Mota, consultor, Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria
Luis Manoel R. Mota: Brasil deverá optar por definição européia de VOCs

“Com esse processo de padronização que a Abrafati começou, temos produtos no mercado imobiliário com qualidade similar aos de fora”, diz Mota, apresentando um comparativo contendo empresas associadas que representam a maior parte do mercado brasileiro.

Esmaltes sintéticos e vernizes apresentam discrepâncias maiores, mas as diferenças não são gritantes.

Pelos planos que estão sendo traçados na entidade setorial, as restrições a VOCs deverão manter o Brasil com atraso de apenas dois a três anos perante as limitações praticadas na Europa. Implantada a auto-regulamentação, a Abrafati ganha experiência no assunto, e pode propor uma norma brasileira baseada em sua iniciativa, como faz no caso do programa setorial de qualidade.

Correção de rota – Se há uns poucos anos o ânimo local para absorver solventes menos agressivos ao meio ambiente esbarrava na pouca consciência ambiental dos clientes brasileiros, nos seus bolsos com pouco dinheiro e na falta de leis, é notória, segundo fornecedores de solventes, a mudança do cenário no mercado nacional. “Há um comprometimento das empresas em oferecer alternativas melhores.

O mercado está muito mais sensível a questões ambientais, e a conscientização do usuário final cresceu”, atesta Marcos Basso, gerente de desenvolvimento de mercado para a América Latina da Eastman.

A empresa fornece solventes oxigenados importados para o mercado brasileiro, sendo alguns de seus principais produtos glicóis éteres (EEH), éter ésteres (EP eEEP), ésteres (IBIB) e cetonas (MAK,MIAK e MPK), obtidos pela tecnologia de gaseificação de carvão coque.

O foco principal são as especialidades. No segmento de commodities, a fornecedora concentra-se apenas em alguns nichos.

Com o bom desempenho dos segmentos de construção civil e automobilístico, que puxam o consumo de tintas e, conseqüentemente, o de solventes, até meados de setembro a Eastman vai cumprir em 2008sua meta de crescimento mínimo de 10%ao ano, estabelecida até 2010.

Em alguns mercados, a empresa chegou a dobrar de tamanho em quatro anos, um crescimento anual da ordem de 19%.

No entanto, conforme Fernando de Vincenzo, gerente de negócios – tintas, o crescimento da empresa, acima da média do mercado, está mais ligado à forma de atuação da companhia, que tem privilegiado a aproximação aos clientes por meio de uma estrutura que passou a contar com apoio comercial, de desenvolvimento de mercado e técnico.

Há algum tempo, essa estrutura contava apenas com um colaborador, mas foi ampliada para três.

Química e Derivados, Basso, Vincenzo e Urenhiuki, Marcos Basso, gerente de desenvolvimento de mercado para a América Latina da Eastman, Fernando de Vincenzo, gerente de negócios, Renan Urenhiuki, representante de desenvolvimento técnico, Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria
Basso, Vincenzo e Urenhiuki: Eastman atende mercado com novo time

É uma intensificação que inclui, além do fornecimento puro e simples, a oferta de serviços, logística (com auxílio de distribuidores), soluções técnicas e relacionamentos de longo prazo.

Esse approach proporcionou crescimento em linhas como as de cetonas para formulações de altos sólidos, e acetatos e glicóis utilizados em diversos segmentos de tintas.

A necessidade local pela fabricação de tintas com quesitos técnicos melhores, como baixa emissão de VOCs, decorrente da premissa de adequação a mercados de exportação, também contribuiu para as vendas de produtos da Eastman.

É ocaso do n-butil-propionato que, segundo Renan Urenhiuki, representante de desenvolvimento técnico – tintas para a América Latina, foi desenvolvido (assim como o propionato de propila) para a substituição de xilol e toluol em formulações de tintas.

O éster era apenas uma aposta há algum tempo, mas a melhoria da qualidade das tintas voltadas à exportação tornou sua comercialização uma realidade.

As tintas destinadas ao mercado local, se houver demanda,também poderiam utilizar o substituto,mas há uma dificuldade: o n-butil-propionato é um solvente, grosso modo,com desempenho intermediário entre oxilol, um aromático com alta emissão de VOCs, e as cetonas, cuja reatividade é bastante baixa.

Porém, no Brasil, praticamente não há aplicações que se situam nesse meio termo de desempenho. “No momento em que regulamentações locais

provocarem necessidade por formulações adequadas a padrões mais restritos, haverá grande demanda por esse produto”, explica Urenhiuki.

Mesmo nessa hipótese, entretanto, é preciso se levar em consideração o impacto econômico que a troca de uma matéria-prima por outra mais cara acarreta, reduzindo a velocidade do processo de substituição.

Esse movimento de aposentadoria de solventes aromáticos, agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, ainda é o principal foco de substituição no país.

Particularmente no caso dotolueno, diversas empresas buscam formulações livres da substância indesejada, principalmente grandes corporações que “importam” as restrições em vigor em seus mercados de origem. Alguns glicóis, como o etilglicol, também experimentam esse crescimento de rejeição.

Fontes renováveis – A Rhodia, produtora local de solventes oxigenados que está completando cinqüenta anos de atividades na alcoolquímica nacional em 2008,além de promover o caráter mais amigável de seus produtos, pode se beneficiar da plataforma produtiva que adotou.

A multinacional produz duas linhas de solventes.

A de acetatos, com base em etanol, gera produtos encerrando 100% de conteúdo renovável, se utilizados o etanol e o ácido acético derivados de cana-de-açúcar como matérias-primas.

Parte da produção, no entanto, consome ácido no entanto, consome ácido acético petroquímico importado e, nesse caso, os acetatos provêem de fontes 50% renováveis.

A outra linha, de cetonas,deriva da acetona, que a empresa co-produz na síntese de fenol,insumo básico para o negócio de poliamidas.

No início dessa rota está o cumeno, portanto as cetonas não usufruem do apelo da fonte renovável, embora sejam menos tóxicas e agressivas ao meio ambiente que os solventes hidrocarbônicos.

As tintas em geral, e as tintas de impressão, em particular, são mercados importantes para a empresa, onde é consumido, sobretudo, o acetato de etila.

O acetato de butila continua sendo um negócio quase que exclusivamente interno direcionado intensamente para a pintura automobilística original e repintura.

Até cerca de dois anos atrás, o negócio de solventes da Rhodia era encarado como uma operação regional.

Mas, com uma produção atual de cerca de 300 mil t/ano, entre acetatos e cetonas, a empresa se voltou para as vendas ao exterior, exportando cerca de 50% da produção.

Segundo Alexandre Castanho, diretor do negócio de solventes da Rhodia, a necessidade por ganhos de escala para operar no mercado mundial quintuplicou a produção nos últimos tempos.

A produção atual de acetona da Rhodia está em 120 mil t/ano. Mas como a planta de fenol está em plena fase de expansão para 235 mil t/ano em dezembro de 2008, a quantidade do co-produtose elevará para 150 mil t/ano.

Também existem planos para a ampliação da produção de ésteres de etanol, mas as incertezas que rondam 2009, por conta da crise financeira global, impõem análises mais detalhadas antes da definição de um salto de capacidade produtiva, que poderia vir a partir do terceiro trimestre do próximo ano.

Além do aumento do volume dos derivados de etanol, a expansão traria alguns novos solventes ao portfólio da Rhodia, já em fase de avaliação de processos e engenharia.

Uma corrente de pesquisa divulgada pela empresa são os produtos para a substituição de etilglicol,suspeito de carcinogênese.

Foto:Shutterstock

Também há planos para a substituição de tolueno exileno, aromáticos, por uma combinação de acetatos e cetônicos, um trabalho que começou no segmento de adesivos e que está sendo estendido às tintas.

Fundamentada em grande parte no etanol, a produção de solventes da Rhodia se beneficia da competitividade em preços do álcool produzido no país.

Com a cotação do barril de petróleo em patamares estratosféricos antes da crise financeira, ao redor de US$ 150, esse ganho de competitividade perante os produtos de origem petroquímica é ampliado,mas, nos preços atuais, na média de US$ 60 o barril, a perda de fôlego dos derivados do etanol brasileiro é importante,comenta Castanho.

O modelo de produção adotado pela empresa francesa também faz supor a razoabilidade de uma verticalização total na cadeia de etanol,desde o cultivo da planta.

O mercado desse álcool, segundo o diretor, não gira em torno do mundo químico.

Ele é muito ligado à gasolina e se torna arriscado depender de uma matéria-prima fortemente influenciada por outros segmentos da economia.

Aumentos na cotação do etanol provocados por mudanças no mercado de combustível poderiam tornar o custo da matéria-prima irreal para os negócios com solventes.

Essa idéia já foi pensada na Rhodia, mas é outro projeto que entra em hibernação por conta do cenário confuso no mercado mundial.

Cenário que, no exterior, se configurou mais cedo, e foi sentido pela multinacional no começo de novembro.

Os clientes que realmente “sumiram”,porém, na avaliação de Castanho, foram os de tintas para pintura automobilística, segmento em que a companhia não possui grande participação – e a exportação contempla setores diversos, além dos automóveis, como o farmacêutico,adesivos e tintas para embalagens.

No mercado interno, o desaquecimento econômico tardou um pouco mais, masquem puxou o freio primeiro também foi o setor automobilístico.

Outros mercados decidiram aproveitar o momento para enxugar estoques, e dezembro deve ser o mês de real acomodação do mercado local à nova realidade.

No meio desse jogo, e depois de passar por aumentos de preços de matérias-prima se um câmbio desfavorável para quem se reporta em euros, em 2008, o negócio de solventes da Rhodia apresentou ganhos de competitividade e manteve o resultado do ano passado, porém com aumento do volume de vendas.

Química e Derivados, Alexandre Castanho, diretor do negócio de solventes da Rhodia, Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria
Enfoque internacional alavancou capacidade instalada, diz Castanho

“E, em 2009, esperamos repetir a dose, em um ambiente que será mais hostil”, informa Castanho, confiante em um câmbio mais propício à exportação e atento à queda de preços que o mercado de solventes e já está percebendo no final deste ano.

A exportação continua prioritária, com foco no crescimento fora da região onde estão Brasil.

Um de seus vértices poderá ser a ampliação da produção de acetato de butila,cuja capacidade, de 20 mil t/ano, é insuficiente para uma participação no mercado internacional. Isso é claro, se a indústria automobilística mostrar maior vigor.

Na configuração atual, a Europa responde por 57% do volume de solventes vendidos ao exterior; a América Latina, 17%; a do Norte, 11%; e, por último, a Ásia.

Esse continente já teve maior peso no destino das exportações da Rhodia, porém, com dificuldades para gerenciá-lo a distância, a produtora perdeu espaço.

Ela pretende retomar o que já lhe pertenceu com o envio de um brasileiro, que realizará o atendimento local, com o reforço oferecido pelos novos produtos e, quiçá, investindo em produção na própria Ásia.

Mais expansões – A Oxiteno é outra produtora instalada no Brasil com fortes bases na exportação.

Seu amplo portfólio de solventes, responsável por importante participação no mercado brasileiro, é composto por produtos oxigenados, cujo grande consumidor local, por via direta ou distribuição, são as tintas, principalmente para construção civil e automobilística.

No rastro do bom desempenho desses setores em 2008 e da melhoria da qualidade das tintas nacionais, que favorece o melhor desempenho dos solventes oxigenados, a Oxiteno obteve crescimento de cerca de 5% sobre 2007 no negócio de solventes, a despeito dos impactos negativos do aumento do petróleo (a empresa utiliza matérias-primas petroquímicas, como etileno) e do real valorizado, até setembro.

Química e Derivados, Maurício Lopes, gerente de mercado, Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria
Maurício Lopes: Oxiteno vai aumentar produção e portfólio de acetados

“O negócio de solventes terá um bom resultado em 2008, consistente com o projetado”, afirma Maurício Lopes, gerente de mercado.

As oscilações assustam os especuladores, mas quem está no jogo para competir precisa enxergar além das ondulações mais fortes.

Centrada em uma visão de longo prazo, a Oxiteno elegeu algumas linhas de produtos em que possui melhor competitividade para efetuar novos investimentos.

Os solventes receberão um reforço significativo a ser realizado em 2009 na unidade de acetatos. Além de dobrar a produção para40 mil t/ano, ele trará um novo produto ao mercado.

A fábrica produzirá acetatos leves, como isoamila (ou isopentila) e outro que ainda não era produzido no Brasil.

A novidade completa o portfólio da companhia, por se tratar de um solvente mais leve que os acetatos de éteres já fornecidos pela Oxiteno.

O novo acetato já está sendo comercializado em quantidades estritas, mas com o aumento da capacidade produtiva, passará a estar disponível em grande escala, possibilitando a entrada da empresa em aplicações em que não participava além de um reforço para as vendas de solventes destinadas ao exterior.

O Brasil já consome um contra tipo do acetato que será produzido pela a Oxiteno em 2009.

No entanto, Maurício Lopes afirma que o novo solvente é mais competitivo, pois se origina na cadeia de nafta, enquanto o outro competidor tem base na cadeia de propeno.

A companhia também comprovou, tecnicamente, que o produto pode substituir seu sucedâneo,o acetato de butila, na proporção de um para um. Obviamente, este item varia de aplicação a aplicação, mas a fabricante está apta a ajudar no acerto da formulação da tinta, se necessário.

Apesar da incerteza que paira sobre 2009, ainda indefinido na maioria das bolas de cristal de economistas, a fornecedora de solventes oxigenados prevê que o negócio alcançará crescimento similar ao de2008 – isto é, 5%, principalmente graças à venda de novos produtos.

Agregando valor – Embora haja demandas por solventes menos tóxicos e poluentes no país, a maior parte das vendas de solventes ainda é constituída pelos hidrocarbônicos,derivados alifáticos e aromáticos do petróleo, os produtos tradicionais desse mercado.

No entanto, mesmo quem sempre foi conhecido pela comercialização desse tipo de solvente, como a Carbono Química, está engajado na busca de opções mais sustentáveis.

Dentro de uma estratégia de agregação de valor ao portfólio, a distribuidora partiu para a busca de solventes com apelo ambiental, traduzido por atributos diversos, como menor odor, toxicidade,conteúdo de aromáticos, ou emissão de VOCs.

Características de biodegradabilidade ou produção com base em fontes renováveis também são traços desejáveis.

Como não há no mercado um único solvente com essas atribuições, a postura de busca por valor gerou a entrada no segmento de oxigenados, como fornecimento de ésteres próprios.

Em seu módulo industrial, a empresa fabrica acetatos mais pesados, entre C4 e C7 (como acetatos de butila,etila, isobutila e isoamila).

A reorganização também forjou a comercialização de hidrocarbonetos com baixo teor de aromáticos, resultado de trabalhos de cooperação com a Petrobras e a Braskem, e a disponibilização de um carbonato orgânico da Huntsman, com aplicação em tintas, lubrificantes e adesivos selantes para construção civil.

As relações de fornecimento da Carbono Química com grandes produtores mundiais é um dos pilares denotados adicionalmente pela revenda de solventes alifáticos leve se médios e solventes ciclo alifáticos da Total Fluids.

A expectativa é de que apareceria contribua com um aumento de 3% a 5% no faturamento da empresa brasileira, em números calculados sobre o faturamento apurado em 2007.

Segundo o diretor-superintendente da Carbono Química, Washington Yamaga, além dos novos contratos de fornecimento, das novas linhas de produtos e do aprendizado de reconhecimento do valor agregado, a distribuidora realizou um grande esforço de informação e formulação com seus clientes.

 Química e Derivados, Washington Yamaga, diretor-superintendente da Carbono Química, Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria
Washington Yamaga espera crescimento do metilciclohexano em

“Estamos trabalhando com associações ou diretamente com os clientes para a viabilização dos produtos”,disse.

Quem deve experimentar uma introdução substancial no mercado em 2009, fruto dessa tentativa, é o metilciclohexano, que já foi apresentado,como parte do movimento de aproximação, à Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro,Calçados e Artefatos (Assintecal).

A reorganização da Carbono Química também se refletiu em uma diversificação da área geográfica de atuação, ampliada para o sul e o oeste do país.

Suas vendas fora da região Sudeste representam agora 25% do total, contra um patamar anterior de10%.

Em receitas, a empresa computou uma grande evolução sobre 2007,com volumes um pouco acima do crescimento orgânico das indústrias para as quais fornece solventes.

Mas as margens, como foi a regra, ficaram mais comprimidas.

Distribuição reorganizada – Outro caso de iniciativa da indústria que culmina com a aprovação de regras setoriais é o ocorrido com a comercialização de solventes.

Monopólio estatal até o governo Collor, o segmento passou por uma ampla abertura em meados de 1999.

Os preços internos do Brasil, até então artificialmente mantidos no mesmo nível em todo o país, se tornaram um grande atrativo para as importações.

O movimento brusco desorganizou o setor de distribuição local, pela dificuldade de competição com o produto importado.

Nesse mercado livre de regulamentação, explica Ruy Ricci, diretor-executivo do Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindsolv), os solventes foram parar em misturas indevidas com outros produtos, como fruto de adulterações, sendo a mais evidente a de combustíveis.

Com o esforço do sindicato, a Agência Nacional do Petróleo publicou a portaria 21/2001, estabelecendo exigências mínimas para a distribuição de solventes, mas relegou a etapas posteriores regulamentações mais profundas, que nunca aconteceram.

Química e Derivados, Ruy Ricci, diretor-executivo do Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindsolv), Solventes - Tintas - Indústria busca melhores padrões de qualidade com regulamentação própria
Ruy Ricci pede revisão de portarias da ANP

“O sindicato entendia ser necessária uma resolução que revisasse a portaria 21, e o resultado foi a resolução 24, de 2006”,disse o diretor-executivo do Sindsolv.

A nova legislação definiu de maneira mais clara a figura do distribuidor de solventes, além de impor aos candidatos à atividade restrições, como a tancagem mínima de 420 m3, capital social integralizado de ao menos R$850 mil, a caducidade do registro de distribuidor sem uso em 180 meses, e o recadastramento dos agentes do mercado.

Dois anos após a edição da portaria, o setor de distribuição (desconsiderado o benzeno, muito perigoso e incomum ao portfólio do distribuidor de solventes típico) seres ume a 32 empresas identificadas pela ANP, uma grande vitória para o sindicato, na avaliação de Ricci.

Dessas, 20 completaram o processo de recadastramento, e 12 ainda estão em fase de adequação.

Apesar dos avanços, o Sindsolv ainda não está satisfeito com toda a legislação em vigor. Seu diretor executivo critica a portaria 312/2001da ANP, que regulamenta a figura do importador.

“A importação é o grande resquício de fragilidade na cadeia dos solventes”, afirma.

Há 110 importadores cadastrados na agência, porém sujeitos a exigências consideradas muito brandas.

O crescimento da quantidade de títulos de importação concedidos impressiona, mostrando até casos muitíssimo curiosos, como um título concedido para uma empresa de Ponta Porã-MS, localidade deveras distante de centros de produção e consumo.

Há promessas de revisão da portaria 312,mas elas ainda não foram cumpridas.Também merecem revisões, na opinião do Sindsolv, a portaria ANP 63/99,que define com pouco rigor a figurado grande consumidor de solvente,e a 318/2201, centrada no produtor secundário (formulador), que fraciona um determinado corte de solventes ou mistura tipos diferentes.

O sindicato reúne, atualmente, oito associados, de um número potencial de 32.

Contrapondo o crescimento da entidade na divulgação de suas causas à escassez de novas adesões de distribuidores, Ricci destacou a ampliação do escopo de atuação da entidade.

Uma das frentes é a intensificação do diálogo com representantes de elos industriais relacionados à cadeia de solventes, incluindo a Assintecal, a Abrafati, o Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Se vitorioso, o esforço irá gerar um grupo setorial para discutir as necessidades da cadeia posterior à síntese de produto.

A interlocução com os fabricantes, na opinião do diretor-executivo do Sindsolv, seria facilitada e se beneficiaria “do relacionamento histórico do sindicato com a produção”

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