Química

Solventes: Tecnologia reduz custos no acetato de etila

Marcelo Fairbanks
24 de outubro de 2003
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    A Cloroetil Solventes Acéticos S.A. pretende ampliar em 50 mil t/ano sua capacidade produtiva de acetato de etila no Brasil, mediante a instalação de unidade específica para o éster. A novidade contará com tecnologia desenvolvida na Alemanha pela Davy Process Technology, pela qual será possível partir do etanol e chegar ao acetato de etila sem passar pelas etapas intermediárias de acetaldeído e ácido acético, como é feito na sua fábrica de Mogi Mirim-SP, com capacidade para 18 mil t/ano do éster.

    Química e Derivados: Solventes: Fábrica da Cloroetil produzirá outros ésteres.

    Fábrica da Cloroetil produzirá outros ésteres.

    “O novo processo é mais econômico e não gera subprodutos”, explicou o diretor Alexandre Manfredi. O etanol será sucessivamente desidrogenado e hidrogenado seletivamente, com auxílio de catalisador, conduzindo a uma mistura de acetato de etila e etanol. O refino da mistura separa o éster do álcool, que pode ser recirculado no processo. “A eficiência das operações é elevada, permitindo uma redução bruta de custos da ordem de 15% a 20% em relação ao sistema atual”, comentou. “Dará para brigar até com o tolueno.”

    A tecnologia da Davy já é usada há dois anos na África do Sul pela Sasol, em unidade de porte semelhante alimentada por álcool obtido pela via carboquímica. “Eles usam um catalisador de 1ª geração, enquanto nós poderemos usar a 2ª geração, aprimorada”, afirmou Manfredi. Na Alemanha, a Davy mantém um piloto para 5 t/ano, que já usa o novo catalisador e álcool brasileiro de cana-de-açúcar, com excelentes resultados. A Cloroetil foi licenciada para o uso da tecnologia no Brasil e na América do Sul, com exclusividade.

    O investimento previsto para o projeto é de US$ 30 milhões, prevendo-se o início das obras para os primeiros meses de 2004, com término nos meses finais de 2005. A construção ficará à cargo da alemã Ferrostaal, na modalidade EPC (engineering, procurement and construction). Falta definir a engenharia financeira, do que se ocupará a diretoria da Cloroetil até o final deste ano.

    Segundo Manfredi, 25% do total será bancado pela empresa (equity), e o restante poderá ser contratado junto à agência alemã de exportação, a KFW. “Entramos com uma carta-consulta junto ao BNDES para tentar o financiamento nacional”, disse o diretor. O apoio do BNDES é desejável tanto pelo fato de poder comprar equipamentos no Brasil, quanto por evitar contrair dívidas em moeda forte.

    O relacionamento com o banco de desenvolvimento é antigo. Inaugurada em 1982, a Cloroetil foi construída com o apoio do órgão. Da década de 1980 até 1996, a Shell Química respondeu pela distribuição do acetato de etila, tendo inclusive assumido uma participação de 49% do capital da Cloroetil. “Passamos por alguns anos difíceis, pois tínhamos dívidas em dólar, oriundos de contratos de adiantamento de câmbio (ACC)”, explicou. “Em 2002 a situação financeira da empresa já ficou equilibrada e promovemos uma reestruturação completa, de modo a permitir a alavancagem financeira para novos projetos.”

    Química e Derivados: Solventes: Manfredi busca integração com usina paulista.

    Manfredi busca integração com usina paulista.

    Mercado de solventes – O acetato de etila tem sido favorecido, como todo o grupo dos solventes oxigenados, pelas restrições impostas aos solventes hidrocarbônicos convencionais. No Brasil, o baixo preço do etanol torna muito competitivo o uso do éster. Atualmente, a Cloroetil pode fabricar 15 mil t/ano de ácido acético (a 100%), das quais 90% vai para a produção de acetatos (24 mil t/ano). A empresa conta com duas linhas de produção, uma específica para o acetato de etila, e a outra, de menor porte, para obter os acetatos de amila e isobutila, além do próprio etila, se necessário. “Tínhamos parado com o butila, mas voltamos a produzi-lo”, comentou Manfredi. O problema é a variação muito grande dos preços do butanol, aliado ao pequeno tamanho do mercado desse éster. Com a inauguração da nova planta, a empresa espera direcionar a unidade antiga para os outros ésteres.

    Pequena parte do acetaldeído produzido (1%) toma o rumo das indústrias de aromas e fragrâncias, enquanto 10% do ácido acético é comercializada para aplicações industriais variadas.

    Das 50 mil t/ano de acetato de etila a serem oferecidas pela nova instalação, apenas 20 mil t/ano ficarão no mercado local, segundo prevê o diretor. A Cloroetil, segundo maior produtor nacional, já vende 18 mil t/ano no Brasil, que apresenta taxa de crescimento anual da ordem de 3,5%, consumindo atualmente de 48 mil a 52 mil t/ano, com suprimento liderado pela Rhodia (capacidade para 80 mil t/ano) e complementado pela Butilamil (para 12 mil t/ano), além de importações da Ipiranga Química e Makeni. Dados da Abiquim indicam a produção nacional de 76.376 t de acetato de etila, em 2001, das quais 61.790 t foram consumidas no País.

    O diretor explicou que será firmado contrato de exportação para 20 mil t/ano, do tipo take or pay, com a Ferrostaal, que também deterá uma pequena participação no capital. Outras 10 mil t/ano serão alocadas no exterior em negócios spot. “O mercado de oxigenados chega a US$ 10 bilhões/ano no mundo, dos quais apenas US$ 1 bilhão é realizado no Brasil”, afirmou. A Europa toda consome US$ 3,5 bilhões ao ano, enquanto os EUA ficam com US$ 2,5 bilhões. O mercado mundial de acetato de etila está apertado em termos de suprimento. Segundo o diretor, o índice de ocupação das fábricas é de 91%, com poucos anúncios de novas capacidades em construção. O preço internacional do éster situa-se entre US$ 800 a US$ 890/t, enquanto o mercado brasileiro, contando com etanol abundante, paga US$ 790/t, em média.



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