Solventes: Tecnologia reduz custos no acetato de etila

A Cloroetil Solventes Acéticos S.A. pretende ampliar em 50 mil t/ano sua capacidade produtiva de acetato de etila no Brasil, mediante a instalação de unidade específica para o éster.

A novidade contará com tecnologia desenvolvida na Alemanha pela Davy Process Technology, pela qual será possível partir do etanol e chegar ao acetato de etila sem passar pelas etapas intermediárias de acetaldeído e ácido acético, como é feito na sua fábrica de Mogi Mirim-SP, com capacidade para 18 mil t/ano do éster.

“O novo processo é mais econômico e não gera subprodutos”, explicou o diretor Alexandre Manfredi.

O etanol será sucessivamente desidrogenado e hidrogenado seletivamente, com auxílio de catalisador, conduzindo a uma mistura de acetato de etila e etanol.

O refino da mistura separa o éster do álcool, que pode ser recirculado no processo.

“A eficiência das operações é elevada, permitindo uma redução bruta de custos da ordem de 15% a 20% em relação ao sistema atual”, comentou. “Dará para brigar até com o tolueno.”

A tecnologia da Davy já é usada há dois anos na África do Sul pela Sasol, em unidade de porte semelhante alimentada por álcool obtido pela via carboquímica.

Química e Derivados: Solventes: Fábrica da Cloroetil produzirá outros ésteres.
Fábrica da Cloroetil produzirá outros ésteres.

“Eles usam um catalisador de 1ª geração, enquanto nós poderemos usar a 2ª geração, aprimorada”, afirmou Manfredi.

Na Alemanha, a Davy mantém um piloto para 5 t/ano, que já usa o novo catalisador e álcool brasileiro de cana-de-açúcar, com excelentes resultados.

A Cloroetil foi licenciada para o uso da tecnologia no Brasil e na América do Sul, com exclusividade.

O investimento previsto para o projeto é de US$ 30 milhões, prevendo-se o início das obras para os primeiros meses de 2004, com término nos meses finais de 2005.

A construção ficará à cargo da alemã Ferrostaal, na modalidade EPC (engineering, procurement and construction).

Falta definir a engenharia financeira, do que se ocupará a diretoria da Cloroetil até o final deste ano.

Segundo Manfredi, 25% do total será bancado pela empresa (equity), e o restante poderá ser contratado junto à agência alemã de exportação, a KFW.

“Entramos com uma carta-consulta junto ao BNDES para tentar o financiamento nacional”, disse o diretor.

O apoio do BNDES é desejável tanto pelo fato de poder comprar equipamentos no Brasil, quanto por evitar contrair dívidas em moeda forte.

O relacionamento com o banco de desenvolvimento é antigo. Inaugurada em 1982, a Cloroetil foi construída com o apoio do órgão.

Da década de 1980 até 1996, a Shell Química respondeu pela distribuição do acetato de etila, tendo inclusive assumido uma participação de 49% do capital da Cloroetil.

“Passamos por alguns anos difíceis, pois tínhamos dívidas em dólar, oriundos de contratos de adiantamento de câmbio (ACC)”, explicou.

“Em 2002 a situação financeira da empresa já ficou equilibrada e promovemos uma reestruturação completa, de modo a permitir a alavancagem financeira para novos projetos.”

Mercado de solventes – O acetato de etila tem sido favorecido, como todo o grupo dos solventes oxigenados, pelas restrições impostas aos solventes hidrocarbônicos convencionais.

No Brasil, o baixo preço do etanol torna muito competitivo o uso do éster. Atualmente, a Cloroetil pode fabricar 15 mil t/ano de ácido acético (a 100%), das quais 90% vai para a produção de acetatos (24 mil t/ano).

A empresa conta com duas linhas de produção, uma específica para o acetato de etila, e a outra, de menor porte, para obter os acetatos de amila e isobutila, além do próprio etila, se necessário.

Química e Derivados: Solventes: Manfredi busca integração com usina paulista.
Manfredi busca integração com usina paulista.

“Tínhamos parado com o butila, mas voltamos a produzi-lo”, comentou Manfredi.

O problema é a variação muito grande dos preços do butanol, aliado ao pequeno tamanho do mercado desse éster. Com a inauguração da nova planta, a empresa espera direcionar a unidade antiga para os outros ésteres.

Pequena parte do acetaldeído produzido (1%) toma o rumo das indústrias de aromas e fragrâncias, enquanto 10% do ácido acético é comercializada para aplicações industriais variadas.

Das 50 mil t/ano de acetato de etila a serem oferecidas pela nova instalação, apenas 20 mil t/ano ficarão no mercado local, segundo prevê o diretor.

A Cloroetil, segundo maior produtor nacional, já vende 18 mil t/ano no Brasil, que apresenta taxa de crescimento anual da ordem de 3,5%, consumindo atualmente de 48 mil a 52 mil t/ano, com suprimento liderado pela Rhodia (capacidade para 80 mil t/ano) e complementado pela Butilamil (para 12 mil t/ano), além de importações da Ipiranga Química e Makeni.

Dados da Abiquim indicam a produção nacional de 76.376 t de acetato de etila, em 2001, das quais 61.790 t foram consumidas no País.

O diretor explicou que será firmado contrato de exportação para 20 mil t/ano, do tipo take or pay, com a Ferrostaal, que também deterá uma pequena participação no capital. Outras 10 mil t/ano serão alocadas no exterior em negócios spot.

“O mercado de oxigenados chega a US$ 10 bilhões/ano no mundo, dos quais apenas US$ 1 bilhão é realizado no Brasil”, afirmou.

A Europa toda consome US$ 3,5 bilhões ao ano, enquanto os EUA ficam com US$ 2,5 bilhões. O mercado mundial de acetato de etila está apertado em termos de suprimento.

Segundo o diretor, o índice de ocupação das fábricas é de 91%, com poucos anúncios de novas capacidades em construção.

O preço internacional do éster situa-se entre US$ 800 a US$ 890/t, enquanto o mercado brasileiro, contando com etanol abundante, paga US$ 790/t, em média.

A competitividade do projeto pode ainda melhorar. A Cloroetil estuda a implantação junto a uma usinas de açúcar e álcool na região de Bauru-SP, localização favorável para atender aos fabricantes de tintas, o principal mercado consumidor.

“Instalados dentro da usina teremos uma redução de custos de transporte do etanol, além de podermos contar com o vapor de baixo custo que já é gerado no local”, explicou.

Está em estudos a configuração do negócio, que pode ser feito em nome da própria Cloroetil, que compraria o álcool e pagaria pelo uso do espaço e pelo consumo de utilidades, ou por meio de uma empresa a ser formada entre a usina selecionada e a empresa, com divisão proporcional dos resultados.

“Há uma diferença tributária favorável ao segundo caso”, comentou.

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