Notícias

Solventes pedem regulamentação para reorganizar setor

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2001
    -(reset)+

    Em Boituva são recuperados solventes clorados e demais solventes (hidrocarbonetos e sintéticos) aprovados pela legislação ambiental brasileira. “Não atuamos nem com produtos proibidos, nem com os de alta toxicidade, aos quais recomendamos incineração em instalações adequadas”, disse De Maria, embora admita ter capacidade técnica para lidar com estes, não o fazendo por razões econômicas.

    Os principais clientes da empresa se situam em empresas metalúrgicas, gráficas e indústrias químicas, enviando quantidades de solventes a partir de dois tambores de 200 litros. Cada tambor recebido é analisado e selecionado, identificando o solvente e os contaminantes. “Com isso, conseguimos formar lotes homogêneos, que passarão por neutralização e decantação, para separar sólidos, sendo enfim enviados para destilação”, explicou o diretor-comercial. O tempo de residência nas colunas varia conforme o produto, grau de contaminação e a pureza desejada do recuperado. Esses fatores determinam o custo da operação.

    “Se a contaminação é muito alta, pode não valer a pena destilar, e o material é enviado para incineradores ou fornos de cimento, junto com os resíduos de processo”, afirmou. A Speichim pode atuar como prestadora de serviços, reciclando produtos para clientes e cobrando pelo serviço, ou comprando solvente sujo, recuperando-o, e vendendo solventes separados ou formulações de tíneres para limpeza industrial, geralmente fabricados quando a purificação total do produto é difícil. “Quando se consegue purificar com facilidade, o solvente é devolvido para o cliente”, afirmou. O preço pago pelo solvente sujo varia conforme o volume, tipo e grau de contaminação. “Pode até não valer nada, ser lixo mesmo, e, nesse caso, cobramos para retirar o solvente e dar a ele a destinação mais adequada.” A companhia também produz sistemas solventes para diluição de resinas, mas, nesse caso, revende solventes virgens. Em qualquer situação, De Maria se recusa a participar de leilões de solvente sujo, por entender que isso reduz as margens da operação, comprometendo a qualidade do serviço. “Acaba sendo um risco ambiental, que poderia ser evitado”, comentou, reconhecendo apenas dois ou três concorrentes no mercado capazes de atuar com o mesmo grau de qualidade.

    O diretor da Speichim Brasil aponta alguns entraves para o desenvolvimento da reciclagem de solventes. Um deles é a destinação inadequada de resíduos solventes, seja pelo descarte irregular ou pelo envio a empresas incapacitadas para a recuperação. Muitas vezes, o próprio usuário de solventes opera instalações cativas de destilação, para reciclo. “Isso eleva o risco ambiental e ocupacional do cliente e nem sempre é feito com a melhor tecnologia”, criticou De Maria. Nesse caso há um problema adicional. Segundo o diretor, essas unidades cativas não são licenciadas isoladamente junto ao órgão de fiscalização ambiental, mas em conjunto com as linhas principais, atendendo a requisitos menos intensos dos que são exigidos da Speichim. “É uma concorrência desigual, porque nós passamos por vistorias feitas sob normas rígidas”, comentou. Há outro fator para a redução da oferta de resíduos solventes. “As empresas estão usando melhor os produtos, reduzindo o volume de perdas”, admitiu.

    A Speichim está preparada para buscar resíduos em todo o País, encarregando-se dos procedimentos legais para acondicionamento e transporte, conforme as leis de cada Estado por onde passará a carga. O Estado de São Paulo concentra 80% dos negócios. Segundo De Maria, há acordos informais com Dow, Rhodia e suas redes de distribuidores para indicar clientes com problemas de descarte ou reciclagem de solventes. Também os órgãos ambientais estaduais indicam clientes potenciais.

    Na linha dos solventes clorados, o percloroetileno, tricloroetano e o cloreto de metileno são os produtos mais freqüentes. Já nos inflamáveis, sobressaem os tíneres, álcoois, aromáticos e ésteres. Para os próximos dois anos, a empresa vai investir US$ 200 mil em benfeitorias voltadas para proteção ambiental e também em equipamentos para operar processos contínuos.

    João Miguel Chamma, da ICQ, reconhece o crescimento da recuperação de solventes principalmente na fabricação de fitas adesivas e de solventes de lavagem na indústria de tintas, apontando como exemplos de empresas capacitadas a Speichim (Adesol), Reac e Solventex. O grupo mantém a Ipiranga Serviços Ambientais (ISA) que, entre outras atividades, pode identificar resíduos, monitorar tratamento e disposição final certificada. “Nesses casos, a ISA acompanha o trabalho de recuperação de solventes feito em instalações de terceiros”, disse Chamma.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *