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Solventes pedem regulamentação para reorganizar setor

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2001
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    Pimentel relata que a principal preocupação das agências governamentais de todo o mundo ligadas à saúde ocupacional e meio ambiente estão voltadas para estabelecer normas para o uso adequado de solventes clorados, bem como de todos os produtos químicos. “Isso se reflete em normas para redução de emissões, procedimentos para manuseio seguro e melhores formas de descarte de resíduos”, comentou. Essas providências impactam o mercado de solventes, na medida que equipamentos mais modernos reduzem significativamente as emissões de solventes para o ambiente (perdas), baixando a demanda.

    O gerente de markting admite que os reflexos ambientais prejudicaram as vendas a partir de 1993. “Muitos usuários buscaram alternativas para os solventes clorados antes de entender o que realmente estava acontecendo”, afirmou Pimentel. Como exemplo, ele citou o caso dos grandes investimentos empreendidos por empresas de tratamento de superfícies para adotar o desengraxe alcalino, cujo desempenho é inferior. “Isso está em franco processo de reversão no Brasil”, comentou. Em parte, a crise de energia favoreceu o retorno aos clorados. O processo alcalino consiste em imersão das peças em banho aquecido de água com sais e hidróxidos. “A demanda energética para esquentar a água é cinco vezes maior que a requerida pelos solventes clorados”, comentou. Além disso, os solventes clorados dão origem a peças secas, enquanto o tratamento alcalino ainda exige etapa posterior de secagem em estufas, outro ponto consumidor de energia. No futuro, o tratamento alcalino terá de conviver com outro problema: a falta de água, tarifada a valores mais altos, acompanhada de restrições mais severas para descarte de resíduos.

    Também na lavagem a seco, a demanda de solventes cresceu 20% por causa da crise elétrica. “As pessoas deixaram de lavar roupa em casa, transferindo o consumo para as lavanderias, muitas com geradores próprios e todas isentas de corte de fornecimento de energia”, verificou Pimentel.

    Uma das maiores vantagens econômicas dos solventes clorados é a possibilidade de reciclar totalmente o produto em processos como tratamento de superfícies e lavagem de tecidos. “Isso nos dá uma enorme vantagem econômica sobre os processos alternativos, além da baixa geração de resíduos”, disse.

    Alinhada com os preceitos do programa de Atuação Responsável, a Dow selecionou rede de distribuidores capacitados, além de instruir usuários finais sobre o uso correto de produtos. No final de 2000, a companhia lançou sistema para distribuição de solventes clorados em circuito fechado. Trata-se de recipiente reutilizável de aço inoxidável montado sobre carrinho, facilitando o deslocamento. Um sistema de bomba, mangueiras e válvulas específicas se incumbe de alimentar as máquinas das lavanderias. Com isso, foram eliminados os vazamentos e riscos de derramamentos antes existentes. “Esses recipientes podem ser usados durante anos, acabando com o problema do descarte de tambores”, comentou. A Dow também estabeleceu parcerias com fabricantes de equipamentos e empresas de reciclagem de solventes para incentivar o descarte correto de seus produtos.

    Química e Derivados: Solventes: De Maria - unidade de Boituva recicla 400 t-mês de solventes sujos.

    De Maria – unidade de Boituva recicla 400 t-mês de solventes sujos.

    Reciclagem segura – Faltam estatísticas confiáveis sobre a dimensão do mercado de solventes reciclados no Brasil. Apesar de as normas ambientais e a adoção de sistemas de qualidade ambiental, aliadas à maior conscientização dos usuários, indicarem claramente o caminho da reciclagem tecnologicamente avançada, empresas ligadas à atividade registram estabilidade no envio de solventes usados para recuperação. “De três anos para cá, houve até redução no volume enviado para nós”, disse Carlos Roberto De Maria, diretor-comercial da Speichim Brasil, subsdiária do grupo francês Tredi, que comprou a operação antes mantida pela Adesol. “A preocupação ambiental e razões econômicas devem reverter essa situação”, espera.

    A Adesol, nome formado pelas primeiras sílabas de adesivos e solventes, iniciou atividades em 1972, às margens da Rodovia Anchieta, em São Paulo, destilando cloreto de metileno usado, recuperando-o. A instalação foi logo depois transferida para o sítio de Ribeirão Pires-SP, onde depois passaram a ser fabricados polímeros para tratamento de água, negócio que se tornou o mais relevante da companhia, com 90% do faturamento, culminando com a venda, em agosto de 1999, para a francesa Suez. A negociação limitou-se à unidade de Ribeirão Pires e às marcas dos produtos para água da Adesol.

    A empresa nacional continuou ativa na recuperação de solventes, atividade transferida para unidade construída especialmente para isso em 1990, na pequena Boituva-SP, onde processa em média 400 t/mês de produtos sujos, nas oito unidades de beneficiamento (destilação) multiuso, embora especializadas por grupos de produtos. “Dependendo do que a gente processa, a capacidade aumenta bastante”, explicou De Maria.

    Em março de 2000, o grupo francês Tredi, com faturamento mundial da ordem de 170 milhões de euros em negócios ligados à descontaminação de áreas, monitoramento ambiental e recuperação de materiais, iniciou negociações com a Adesol, por meio da subsidiária Speichim (Sprecialité Industrielle Chimique). O processo terminou em setembro de 2001, com o grupo francês adquirindo 60% do capital da Adesol, sendo os restantes 40% divididos entre os acionistas remanescentes, entre os quais o próprio De Maria. No Brasil, a Tredi também atua com incineração de resíduos industriais, tendo se associado à Bayer para operar o incinerador construído pela empresa de origem alemã em Belford Roxo-RJ, agora sob denominação Tribel.



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