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Solventes pedem regulamentação para reorganizar setor

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2001
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    O sítio de Paulínia-SP responde pelo fornecimento mundial de solventes sintéticos da Rhodia mundial. “Exportação, para nós, é atividade obrigatória, temos contratos de fornecimento para vários países, nos quais contamos com distribuidores”, comentou Castanho. “Não se trata de venda de excedentes, mas de uma estratégia mundial.” A Rhodia mantém capacidade para 130 mil t/ano de ésteres, a terceira maior unidade produtora do mundo, além de 70 mil t/ano de cetônicos puros. “A linha de cetônicos roda a plena carga, enquanto a de ésteres apresenta ocupação de média a alta”, disse.

    Castanho avalia o mercado mundial de sintéticos como vendedor, dada a existência de fábricas novas para atender uma demanda frouxa, principalmente com a retração da economia americana. “Há 200 mil t/ano de capacidade excedente de ésteres apenas na Europa”, afirmou. Já os cetônicos passam por um período de equilíbrio entre oferta e demanda, embora tenha havido abundância de acetona no Golfo do México no final de 2000 e início de 2001. “Os preços já voltaram ao normal”, informou. A tendência dos oxigenados é de prosseguir na substituição dos aromáticos durante 2002, embora os preços não devam apresentar melhoria, por causa da situação econômica mundial.

    Sistemas deslancham – A Bandeirante Química apostou no crescimento de demanda pelos sistemas solventes, contando com o apoio da Rhodia e da Dow, esta com linha de produtos incrementada pela absorção do portfólio da Union Carbide. “Há uma clara evolução de negócios com sistemas, bem acima da venda dos solventes isolados”, afirmou Abreu. Os fabricantes de embalagens e de autopeças são os segmentos consumidores mais ativos, pela facilidade operacional e pelo retorno econômico da opção. Com isso, a venda de sistemas da distribuidora cresceu de 1,5 milhão de litros por mês, em 1999, para 2,2 milhões de litros/mês, em 2000. Para ele, o Brasil conta com a vantagem de ter ampla oferta de álcool etílico (anidro) para a formulação de sistemas muito competitivos.

    “Os usuários estão cada vez mais se dedicando exclusivamente para seus processos principais e comercialização de produtos, deixando de se preocupar com atividades acessórias, como a mistura de solventes”, explicou Chamma, da ICQ. Por isso, a venda de formulações está em alta, já representando de 10% a 12% da venda de solventes isolados (sem contar a produção de tíneres). “No estágio atual, estamos substituindo as formulações que os clientes já produziam, mas temos capacidade técnica e operacional para propor novas alternativas de solvência”, disse.

    “Os sistemas solventes já estão conquistando novos mercados, como a indústria de couros”, afirmou Castanho, da Rhodia. Partindo do mesmo conceito técnico da linha Rhodiasolv, a empresa desenvolveu o Rhodiaeco, linha de solventes ecológicos. O primeiro produto desenvolvido nesse conceito consiste em veículo para insumos curtentes, capaz de eliminar produtos como ácido sulfúrico no tratamento primário das peles. “O uso do ácido exige etapa posterior de neutralização com álcali, gerando um resíduo que precisa ser tratado e disposto”, explicou Castanho. Além da redução de custos, o uso do Rhodiaeco permite reduzir até 17 horas o tempo de curtimento. “Trata-se de projeto mundial, que começou pela região Brasil”, afirmou. A linha combina correntes cetônicas e ésteres, sendo protegida por patentes mundiais. Dentro de um ano, a empresa espera ver crescimento explosivo de negócios.

    Química e Derivados: Solventes: Pimentel - baixo consumo de energia devolve mercado aos clorados.

    Pimentel – baixo consumo de energia devolve mercado aos clorados.

    Clorados recuperam clientes – A pressão ambientalista atingiu em cheio o ramo de solventes clorados, provocando o banimento de alguns itens, mas maculando a imagem de todos a partir de 1993. Passados alguns anos, os exageros foram depurados e os clientes voltaram a consumir as linhas cloradas remanescentes. “Apesar de todas as dificuldades conjunturais, verificamos incremento da demanda de 4% em 2001, em relação a 2000”, informou Luiz Pimentel, gerente de marketing para solventes clorados da Dow para a América Latina.

    A empresa vai investir US$ 600 mil, em 2001 e 2002, na manutenção e melhoria de processo da fábrica de solventes instalada no Distrito Industrial de Aratu, na Bahia, além dos US$ 100 mil aplicados nos dois últimos anos em comunicação, sistema de entrega, treinamento de distribuidores e usuários.

    O protocolo de Montreal, instituído em 1987, indicou a eliminação da produção e do uso de dois solventes clorados: o 1,1,1-tricloroetano e o tetracloreto de carbono, comprovadamente agressivos à camada de ozônio. Os países desenvolvidos já haviam proibido a produção, mas os países em desenvolvimento poderiam continuar a produzi-los até 2010. “A Dow decidiu fechar todas as suas fábricas de 1,1,1-tricloroetano em 1994, uma das quais ficava em Aratu”, disse Pimentel. No caso do tetracloreto de carbono, a fábrica então existente em Aratu também produzia percloroetileno. “Essa unidade foi a primeira do mundo a operar apenas com o percloroetileno, evitando produzir o tetracloreto de carbono, que não mais teria demanda.”

    Da linha de clorados, o Brasil consome basicamente tricloroetileno, cloreto de metileno e percloroetileno, em aplicações diversas, da extração de princípios ativos antibióticos à lavagem a seco de tecidos, passando pelo tratamento de superfícies metálicas e plásticas. “A produção local responde por quase 30% da demanda interna, sendo os 70% restantes importados dos Estados Unidos e da Europa”, explicou. Em Aratu, a Dow fabrica percloroetileno para todo o mercado latino-americano.



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