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Solventes pedem regulamentação para reorganizar setor

Marcelo Fairbanks
7 de novembro de 2001
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    Em 1998, a BR Distribuidora lançou a linha Solbrax ECO de solventes especiais, caracterizada por apresentar baixa toxicidade, baixo odor e grande segurança de manuseio, de forma a complementar a linha de produtos convencionais. A linha dita ecológica é composta por seis itens, voltados principalmente para lavagem a seco, antiespumantes, desengraxanes, tintas e vernizes, com boa aceitação de mercado. “Em 2001, a linha Solbrax ECO apresentou crescimento de vendas de 90% em relação ao ano anterior”, relatou Pereira. “Os sistemas que vêm sendo apresentados como substitutos para os solventes devem continuar apresentando pequena participação de mercado nos próximos anos, por causa dos custos envolvidos”, afirmou, salientando, porém, que empresa estuda a possibilidade de oferecer produtos também para esses segmentos.

    Química e Derivados: Solventes: Castanho - sistemas com oxigenados substituem os aromáticos.

    Castanho – sistemas com oxigenados substituem os aromáticos.

    Sintéticos oportunos – O ataque ao grupo dos hidrocarbonetos trouxe benefício imediato para os solventes sintéticos, cuja demanda registra crescimento há cinco anos consecutivos. A longo prazo, porém, a imagem ambiental não é de todo favorável. “A população, em geral, vê os solventes como se fossem uma coisa só, e com imagem negativa”, lamentou Alexandre Castanho, gerente de negócios da Rhodia para papel, pintura e materiais de construção (divisão PPMC) na América Latina. Estudos de mercado indicam que os solventes oxigenados já superam em vendas os hidrocarbonetos nos Estados Unidos e na Europa.

    “Na América Latina, os grupos têm participação quase igual de mercado”, afirmou. Segundo Castanho, a agência de proteção ambiental americana (EPA) aceita e recomenda o uso de solventes oxigenados. Com o tempo, e a adoção de leis ambientais mais restritivas, alguns ésteres e cetônicos também serão eliminados. “Por isso, a Rhodia investe na pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas e nos seus processos produtivos”, explicou. A empresa mantém pesquisas permanentes sobre novos solventes e, segundo ele, já conta com vários projetos em fase de avaliação e seleção.

    A Rhodia produz ésteres (acetatos de butila e de etila), cetônicos (acetona, diacetona álcool e metilisobutilcetona), éteres glicólicos (hexilenoglicol) e álcoois (isopropanol). “Combinados, esses produtos formam sistemas que substituem os aromáticos”, comentou. Há dez anos, a Rhodia começou a produzir blends de solventes, lançando a linha Rhodiasolv. Com o desenvolvimento do software Solsys, que relaciona simultaneamente o poder de solvência e a taxa de evaporação de cada item, a empresa passou a formular sistemas mais precisos, culminando com o lançamento do MEK+ (chamado MEK plus), em 1993.

    “O MEK é o mais poluente dos solventes cetônicos, provocando a formação de ozônio em baixa camada atmosférica, mas pode ser substituído, com vantagens, pelo MEK+”, disse Castanho. Ele estima que o MEK+ tenha tomado quase 25% do mercado do MEK, cujas vendas também são disputadas pelo acetato de etila, principalmente nas tintas de impressão (gráficas).

    Atualmente, a empresa incentiva seus distribuidores a identificar necessidades de clientes em sistemas solventes e formulá-los, contando com produtos e suporte técnico da Rhodia. “Não há conflito com a rede de distribuição, mas atuação complementar”, comentou Castanho. Não seria viável para a companhia produzir lotes muito pequenos desses produtos, que podem ser ofertados pelos distribuidores.

    “Sistema solvente não é tíner”, frisou o gerente de negócios. O conceito de sistema está ligado a resolver um problema de alguma atividade industrial. Como exemplo, Castanho citou o caso da Embraer que usava um solvente na fabricação das aeronaves que lhes conferia mau cheiro. “Desenvolvemos um sistema para eles que substituiu o solvente anterior, eliminando o cheiro desagradável”, explicou. A rigor, tíner é toda a mistura de dois ou mais solventes. Usualmente, a denominação se refere a formulações solventes usadas para tarefas de limpeza de peças, equipamentos e instalações, embora também possa identificar diluentes. Por sistema solvente se pretende especificar a mistura pelo fato de ter sido formulada para determinado cliente ou aplicação.

    “Os solventes sintéticos são muito bons, porém caros, motivo pelo qual é preciso usá-los diluídos em outros produtos”, explicou Carlos Abreu, da Bandeirante Química. Para isso, é preciso contar com linha ampla de opções, com produtos leves, médios e pesados (classificação feita a partir do ponto de destilação).

    Nesse grupo, começa a se intensificar a pressão contra o etilglicol, principalmente nos Estados Unidos. “A Dow já anunciou que vai deixar de trabalhar com esse produto”, disse Abreu, que considera o solvente muito eficiente, respondendo por boa parte dos negócios no Brasil. Melhor futuro tem a linha do butilglicol, produto considerado amigável ao meio ambiente. Na linha dos ésteres, ele confirma a disputa entre o acetato de etila com o MEK em muitas aplicações, além do bom desempenho dos negócios com o acetato de butila. “O butila é bem aceito pelas montadoras de veículos e pelo setor de embalagem, apresentando demanda crescente”, comentou.

    A ICQ reforça sua atuação nos sintéticos, contando com fornecimentos competitivos de cetônicos da Sasol (África do Sul), além do isopropanol e do MIBK da Sol (Argentina). “Trazemos um pouco de ésteres da Eastman, mas a produção nacional é muito forte nas linhas de etila e butila”, informou Chamma. As variações bruscas das taxas de câmbio prejudicaram as operações de comércio exterior neste ano, por gerar desequilíbrios. “No mundo, o preço dos solventes está caindo, mesmo em dólar”, avaliou. Ao mesmo tempo, o gerente da ICQ considera que os fabricantes locais de solventes devem buscar negócios de longo prazo no exterior, abrindo campo para a entrada de alternativas importadas.



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