Solventes: Petróleo caro ajuda a trocar de solvente

Pressão ambiental combinada com a alta do petróleo ajuda oxigenados a tirar o lugar de hidrocarbonetos nas formulações de solventes

A elevação dos preços mundiais do petróleo pressionou para cima as tabelas dos fornecedores de solventes industriais.

No caso brasileiro, como boa parte dos segmentos compradores enfrenta dificuldades para repassar a alta de custos, à exceção das indústrias francamente exportadoras, nem sempre foi possível repassar imediatamente os impactos altistas, exigindo amortecer as variações com reduções de margens de lucro.

Ao mesmo tempo, por contar com oferta abundante de etanol com preço muito abaixo dos padrões mundiais, os formuladores brasileiros buscaram montar sistemas com poder de solvência equivalente aos habituais, porém mais econômicos.

Derivados do álcool, como o acetato de etila, também foram beneficiados, substituindo itens concorrentes.

Aliás, todo o grupo dos solventes oxigenados, a exemplo dos álcoois, cetônicos, glicólicos e outros, vem há alguns anos sendo preferido pelos usuários por motivos ambientais e de saúde ocupacional.

Perdem os produtos da destilação de petróleo ou de origem petroquímica, denominados hidrocabonetos e, em especial, os aromáticos.

Em abril deste ano foi editada a Portaria Interministerial (Saúde e Trabalho) nº 775, que proibiu a venda de produtos finais que contenham benzeno.

O aromático só será admitido como contaminante no teor máximo de 1%, a ser reduzido ano a ano, até chegar ao máximo de 0,1% em volume em 2007.

Os solventes hidrocarbonetos de cadeia aberta (alifáticos) mereceram atenção especial dos fornecedores.

Química e Derivados: Solventes: Chamma - Alifáticos apuram qualidade e mantêm vendas. ©QD Foto - Cuca Jorge
Chamma – Alifáticos apuram qualidade e mantêm vendas.

“As especificações ficaram mais rígidas, admitindo teor menor de aromáticos residuais”, explicou João Miguel Thomé Chamma, gerente nacional de negócios da Ipiranga Comercial Química S/A, maior distribuidora de produtos químicos do País. “Com isso, os alifáticos reduziram muito o odor e a cor.”

Menos agressivos à saúde humana, esses alifáticos foram rapidamente adotados pelo segmento de limpeza e desengraxe industrial, de modo a evitar problemas advindos do contato direto com a pele dos usuários. Chamma vê como incipiente o uso desse tipo de solvente como insumo para a fabricação de tintas e dissolventes.

“Pode se configurar uma tendência para o futuro, mas ainda há poucos interessados, embora o custo da linha ecológica já tenha caído, ficando, hoje, entre 20% e 25% acima das especificações tradicionais”, comentou.

O uso de iso-parafinas hidro-tratadas, em cortes precisos, está sendo estimulado pela ampliação da oferta, embora os consumidores ainda resistam.

“Os compradores querem receber os ecológicos ao preço dos alifáticos convencionais, o que é impossível”, comentou Hélio Cury, diretor-presidente da distribuidora Best Química. Os ecológicos ainda custam quase o dobro dos normais.

A diretora-comercial da Best, Ana Maria Virginelli, com larga experiência no segmento, salienta a mudança de atitude da principal fornecedora de solventes, a Petrobrás, visando atender melhor esse mercado que representa menos de 1% do volume por ela produzido de derivados de petróleo.

“Embora tenham volume menor que os combustíveis, os solventes são importantes por atenderem a uma faixa ampla de mercados, além de contribuírem para o resultado final”, comentou.

Na lógica de negócios da estatal, segundo ela, a administração das refinarias conquistou um grau maior de autonomia, cabendo aos superintendentes formar um mix adequado de produtos que ofereça o melhor resultado.

“Não faltou solvente neste ano, exceto em casos excepcionais”, avaliou a diretora. Ela se referiu à paralisação de uma unidade de obtenção de hexano, muito usado na extração de óleos vegetais. A parada coincidiu com o pico do esmagamento da soja nacional, cuja safra foi das maiores.

“A própria Petrobrás importou hexano para suprir o mercado”, afirmou.

Chamma considera o uso de hexano na extração de soja um mercado de 80 mil t/ano, porém sem grandes perspectivas de ampliação, a despeito do potencial do agro-negócio.

“O volume de extração de óleo cresce 5% ao ano, mas isso é feito em unidades novas, mais eficientes, que perdem menos solvente por tonelada processada”, verificou.

Ainda na área agrícola, o uso de cicloexano como rompedor do azeótropo álcool-água nas destilarias nacionais também é limitado, de um lado pela melhor recuperação do solvente e, de outro, pela adoção de novas tecnologias, como o uso de monoetilenoglicol ou de peneiras moleculares.

A demanda, porém, deve crescer com a inauguração das novas destilarias já anunciadas no Brasil.

A qualidade dos solventes nacionais está em franco aprimoramento, podendo ser qualificada de excelente no caso da Petrobrás.

O aguarrás, um dos produtos mais vendidos no País como diluente de tintas, fornecido pelas refinarias de BetimMG (Regap) e Duque de CaxiasRJ (Reduc), passa por hidro-tratamento, eficiente para remover cor e odor. Já o aguarrás obtido pela Braskem, em Camaçari-BA, ainda exala cheiro forte e apresenta cor perceptível.

“A tendência é o mercado preferir o solvente de melhor qualidade”, disse Ana Maria.

A refinaria de Paulínia-SP, por exemplo, deixou de fazer o aguarrás. “Não tem problema, a Regap sozinha pode atender todo o mercado doméstico que é de 15 mil m³/mês”, informou.

O problema do aguarrás é estar na faixa de composição do querosene de aviação (QAV), sempre considerado prioritário.

A participação dos alifáticos no consumo nacional de solventes supera ao dos aromáticos. A Ipiranga Química, por exemplo, vende o total de 140 mil t/ano de todos os solventes, quantidade que representa 60% dos negócios (físicos) da empresa.

“Os alifáticos representam o maior volume comercializado, superando aromáticos e oxigenados, porque essa distribuição acompanha a média das formulações dos clientes em seus produtos finais”, explicou.

A primeira função de um solvente é modificar a reologia de um material, geralmente um polímero orgânico, como as resinas usadas nas tintas e nos adesivos. Modificado, o polímero pode ser aplicado na forma líquida ou pastosa, retornando à condição original após a evaporação do solvente.

O controle do tempo necessário para essa remoção é feito mediante a mistura de ingredientes leves, médios e pesados, respectivamente, de alta, média e baixa velocidade de evaporação.

Os solventes também auxiliam a dispersão de cargas minerais, aditivos e pigmentos.

O material usualmente referido como solvente, a rigor, deveria ser dividido em solventes verdadeiros, diluentes e tíneres.

No entanto, para a ocasião, interessa apenas salientar que cetônicos e ésteres acéticos apresentam melhores poderes de solvência, enquanto os hidrocarbonetos ficam no pelotão tecnicamente inferior, embora sejam os mais consumidos principalmente por causa de seu menor custo.

A técnica e a arte dos formuladores consistem em elaborar misturas eficazes para cada situação, porém com o menor custo possível.

Para enfrentar o acirramento da concorrência, vários ramos industriais transferiram para terceiros etapas de seus processos. A formulação de solventes é uma delas.

“Para crescer, uma indústria de tintas precisa ampliar também a estocagem e as instalações para produzir as misturas, incorrendo em aumento de custos e ocupação de espaço, que poderia servir para ampliar a produção final”, comentou Cury, da Best Química.

A distribuidora oferece o serviço de estocagem, administração desses estoques e as operações necessárias para elaborar o solvente de acordo com a fórmula solicitada pelo cliente, entregando-o na embalagem escolhida.

“Em 2005, vamos ampliar nossa área de mistura de 15 mil litros/dia para algo entre 45 mil e 60 mil l/dia”, afirmou. Como a empresa vai ampliar também a área de depósitos em 1,5 mil m² para carga seca, será possível formular tíneres sob encomenda e embalá-los.

Também a tancagem da Best está em ampliação, passando dos atuais 2 milhões de litros para 3,5 milhões, em boa parte para prestar serviço a terceiros.

“Do final de setembro até o dia 10 de dezembro, tradicionalmente, há uma escassez de solventes por concentração da demanda”, considerou. Neste ano, segundo os diretores, a situação está sob controle, com suprimento adequado.

“Além disso, as indústrias não param mais em janeiro e fevereiro, como faziam antigamente, e distribuem melhor o consumo”, disse Ana Maria.

Ampliar a tancagem também é a palavra de ordem na Ipiranga, que inaugurou neste ano seu moderno centro de distribuição, em GuarulhosSP. “Antecipamos a montagem da segunda fase de tancagem, que será construída antes da parte administrativa”, comentou Chamma.

Durante a primeira fase, a empresa pretendia apenas manter a capacidade física que operava na antiga base de OsascoSP, de 7 mil m³, obtendo mais flexibilidade para movimentar produtos por meio de dutos e sistemas de manobra instalados no CD.

Como a prestação de serviços de armazenagem para terceiros se desenvolve a ritmo rápido, foi preciso antecipar o incremento da tancagem.

“Isso nos permitirá também reforçar a atuação na formulação de solventes, que pode dobrar até 2006, das atuais 5 mil t/ano”, informou. Segundo ele, a demanda por formulados tem crescido acima do índice registrado para os solventes isolados.

Normas questionadas – A estreita ligação com a indústria do petróleo ajuda e atrapalha o mercado de solventes. Em 2004, com refinarias e centrais petroquímicas operando a pleno vapor, o suprimento de produtos foi abundante, impedindo a explosão das cotações.

“Os aromáticos são mais instáveis, porque o tolueno é componente da gasolina e uma parte da nafta também tem origem nessas frações”, comentou João Miguel Chamma. Já os alifáticos tendem a ser mais estáveis, subindo menos do que o petróleo.

Ele salienta o fato de os novos investimentos brasileiros em petroquímica terem por base o gás natural, gerando apenas olefinas. “A oferta de aromáticos vai depender apenas dos investimentos nas refinarias”, concluiu.

Química e Derivados: Solventes: Cury - regras precisam ser aprimoradas pela ANP. ©QD Foto - Cuca Jorge
Cury – regras precisam ser aprimoradas pela ANP.

“O crescimento da demanda pode ser considerado apenas vegetativo, com 3% a 4% ao ano, próximo da estimativa da Abrafati para o desenvolvimento do mercado de tintas no Brasil”, comentou Cury, considerando bem equilibrado o quadro de oferta e demanda de hidrocarbonetos.

Para este ano, os diretores da Best estimam a demanda brasileira de solventes de borracha entre 8 mil e 10 mil m³/mês; a de hexano em 5 mil m³/mês; tolueno, em 10 mil a 13 mil m³/mês; xileno, de 9 mil a 10 mil m³/mês, e de solventes pesados de 2,5 mil a 3 mil t/mês.

A distribuição das vendas da Best indicam o direcionamento de 45% do aguarrás para tintas e vernizes, segmento que consome 17% do volume total de solventes, seguido pela indústria química, que absorve 14%, higiene e limpeza, com 12%, e cosmecêuticos, com 5%, adesivos, com 2,5%, além dos tíneres, com 14%, em boa parte direcionados para tintas.

A escalada dos preços é apontada por Ana Maria Virginelli: de janeiro a setembro, o aguarrás subiu 34% (em reais); o tolueno, 31%; o xileno, 40%; mas o recorde ficou com o hexano, com 45% de majoração. “Enquanto isso, a gasolina subiu bem menos, coincidentemente no período eleitoral”, disse.

Chamma, da Ipiranga, aponta elevação de preços dos alifáticos (em média) de 35% de janeiro a outubro deste ano, enquanto os aromáticos ficaram 38% mais caros, superados, de longe, pelos sintéticos, com 49% de alta. “No caso dos sintéticos, o petróleo tem influência, mas os preços sobem mais pelo aumento da demanda, sem a contrapartida na oferta mundial”, explicou.

A regulamentação do comércio de hidrocarbonetos, disciplinada pela Portaria nº 41 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), ainda apresenta falhas que redundam, entre outros efeitos, no desvio de solventes para mistura aos combustíveis.

Por essa portaria, só podem retirar solventes nas bases de distribuição da Petrobrás e centrais petroquímicas as distribuidoras cadastradas.

“Mas é preciso parar de cadastar empresas que não são de fato distribuidoras”, criticou Cury.

Atuante no Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindisolv), ele defende a criação de uma comissão de abastecimento setorial, incluindo representantes da ANP, produtores e distribuidores, além de órgãos de classe, para definir os critérios para titulação de novos distribuidores e importadores no ramo.

“Quando se fala em distribuição, presume-se diversidade de produtos e prestação de serviços, não pode ser um distribuidor mono-produto”, explicou.

Além disso, o diretor verifica, a cada ano, a necessidade de ampliar a escala de negócios para atingir uma faixa mínima de rentabilidade.

“Atualmente, quem trabalhar com menos de um milhão de litros por mês de solventes hidrocarbonetos não permanece no mercado”, afirmou.

O sistema de cotas gerenciado pela ANP pode entrar em colapso nos próximos anos. Os problemas só não apareceram ainda porque 2003 foi fraco em negócios e 2004 teve apenas uma pequena recuperação.

“Se a economia nacional crescer 5% em dois anos seguidos, as cotas atualmente em vigor não darão conta de suprir o mercado”, calculou Chamma, da Ipiranga, recomendando uma discussão ampla do mecanismo.

Além dos fatores econômicos, ele considera importante verificar o atendimento das normas de meio ambiente e segurança, além de controlar melhor o destino dos produtos.

“Solvente não é uma atividade para amadores”, afirmou. O controle das importações também dá pouca flexibilidade para os operadores.

Vantagem nacional – O extenso canavial brasileiro alimenta generoso parque sucro-alcooleiro, em ritmo de expansão (veja QD430, de setembro de 2004), capaz de produzir 15 milhões de m³/ano de álcool, com previsão de chegar a 18 milhões em três anos.

O baixo preço do etanol hidratado nas bombas fez crescer a demanda automobilística nacional e também no exterior. Há previsões de vendas internacionais da ordem de 5 milhões de m³ em 2010.

Essas perspectivas de mercado, somadas ao uso de álcool anidro em mistura na gasolina e a possível adoção do biodiesel (éter etílico de ácidos graxos vegetais), fizeram subir o preço do etanol.

Química e Derivados: Solventes: Ana Maria - refino agora solventes. ©QD Foto - Cuca Jorge
Ana Maria – refino agora solventes.

“O anidro subiu 46% até setembro para o mercado interno, e 56% para exportação”, apontou Ana Maria Virginelli, da Best Química.

Ela salientou que as baixas cotações do produto incentivaram a usar mais o produto e derivados, como o acetato de etila, nas formulações de solventes.

“O álcool é um mercado livre, não tem regulamentação oficial, basta ir buscar na destilaria”, comentou Hélio Cury.

O aumento do preço do etanol põe em alerta a Rhodia, maior produtora de acetato de etila do continente, com capacidade para 110 mil t/ano, em expansão programada para o final de 2005, quando contará com o total de 150 mil t/ano.

Química e Derivados: Solventes: Ferreia - etanol e acetona apóiam. ©QD Foto - Cuca Jorge
Ferreia – etanol e acetona apóiam.

“O aumento da escala ajuda a compensar a elevação dos custos com matérias-primas”, explicou Celso Luiz Tavares Ferreira, diretor da unidade de negócios PPMC na América Latina.

O suprimento de álcool é garantido por meio de contratos com fornecedores.

Além do etanol, a Rhodia conta com suprimento próprio de acetona, ampliada neste ano para 101 mil t/ano (junto com o fenol, que foi para 165 mil t/ano), que lhe garante grande vantagem nos ésteres e nos cetônicos.

Nos acetatos, o maior volume fica com o de etila, produção iniciada em 1977, que alcançou escala mundial recentemente.

“O etila encontra forte mercado nas áreas de embalagem, calçados e tintas em geral”, comentou Ferreira.

A Rhodia exporta quantidades crescentes do solvente desde 1998, quando direcionou ao mercado externo 10% de sua produção.

O recente aumento de capacidade permitiu atuar com mais força no exterior, direcionando para lá 50% da capacidade.

Segundo Ferreira, a prioridade de abastecimento fica com o mercado interno, que cresce por volta de 5% ao ano, percentual garantido pela conquista de aplicações ocupadas por outras tecnologias.

As vendas externas são direcionadas para a Europa (venda direta a clientes), Ásia (granel) e para as Américas.

“A logística no Brasil é deficiente, os portos estão congestionados”, criticou, apontando a necessidade de planejar muito bem as operações.

Como reflexo da fraca infraestrutura, Ferreira explica ser difícil aproveitar algumas oportunidades pontuais de negócios, que exigem agilidade de entrega.

Em geral, os preços no exterior superam os pagos pelo mercado interno, porém os custos operacionais são muito maiores, equilibrando as posições.

No mercado interno, embora seja a maior supridora, a Rhodia concorre com as nacionais Butilamil e Cloroetil, além de importações da Atanor e Celanese.

No acetato de butila, a atuação considera quase exclusivamente o mercado interno. O butanol é obtido junto à Ciquine/Elekeiroz, sem problemas de disponibilidade ou preços, mantidos em níveis internacionais.

“Como o butanol é derivado do propeno, que está caro por causa do petróleo, os preços estão muito altos e nem sempre conseguimos repassar a elevação dos custos para nossos clientes”, comentou.

O éster butílico é o principal solvente usado nas tintas para a indústria automobilística e enfrenta concorrência apertada da Celanese.

A própria acetona tem aplicação como solvente, principalmente para a indústria moveleira e de calçados, além de compor tíneres especiais.

“É um produto sujeito a rigorosas fiscalizações pelas polícias estaduais e federal, além do Exército, que limitam um pouco os negócios”, disse Ferreira, salientando que a Rhodia nunca teve problemas de nenhuma ordem com o insumo, conhecido no noticiário policial como ingrediente para a produção de cocaína.

O acréscimo de capacidade de acetona foi direcionado para derivados, que consomem atualmente 40% da produção. Outros 30% são direcionados para a síntese de moléculas, e o restante é aplicado em solventes.

As linhas derivadas estão em fase de ampliação, a começar pela diacetona álcool, projeto concluído há poucos meses.

O solvente atua como retardador de evaporação, podendo substituir o butilglicol em algumas aplicações. Para janeiro de 2005, as linhas de isopropanol, metilisobutilcetona (MIBK) e hexilenoglicol ficarão maiores.

“Ampliar a capacidade ajuda a usar melhor a energia, especialmente o vapor, além de reduzir o custo fixo”, comentou.

A linha de solventes da Rhodia se concentra nos produtos de média a baixa cadeia, ou seja, leves e médios. Ferreira considera que, no futuro, a empresa precisa desenvolver linha de pesados, completando o portfólio.

A Rhodia já aplica a tecnologia que desenvolveu na formação de sistemas solventes, da qual foi uma das incentivadoras já na década de 1970.

“Nós desenvolvemos o MEKplus, mistura de moléculas solventes capaz de substituir com vantagens o uso de metiletilcetona (MEK)”, comentou.

Já as formulações específicas para cada necessidade dos clientes, essa é uma tarefa para os distribuidores da companhia, que já respondem por 30% das vendas da Rhodia no Brasil.

Para 2006, Ferreira projeta crescimento do PIB até 6% ao ano, influenciando a venda de solventes.

“Os resultados poderiam ser ainda melhores se o País adotasse legislação ambiental mais rígida”, afirmou. A tendência de substituição dos hidrocarbonetos pelos oxigenados é clara, para o diretor da Rhodia.

Na Europa, segundo ele, a mudança já foi feita. “Nos EUA, a venda de hidrocarbonetos é estável ou mesmo declinante nos últimos anos”, disse.

Atualmente, o grande consumidor de solventes é a Ásia, que absorve excedentes de todo o mundo, pressionando para cima os preços e incentivando a investir em acréscimos de capacidade.

“A cada dois anos, a China absorve uma fábrica de escala mundial de ácido acético, ou seja, de 600 mil a 700 mil t/ano”, informou. Por isso, a expectativa para 2005 é otimista para os fabricantes de solventes, cujos preços devem continuar firmes, compensando a alta do petróleo.

Segundo o diretor, não há nenhuma nova fábrica para entrar em operação no ano que vem. Só em 2006, alguns projetos de produção de ácido acético entrarão em operação na Ásia, equilibrando melhor o mercado. “Foram vários anos de baixa rentabilidade, inviabilizando investimentos”, explicou.

Embora garanta o suprimento ao mercado interno, o diretor da Rhodia alerta para a necessidade de repassar cerca de 15% de elevação de custos, ainda suportados pelo fornecedor.

Linhas sinérgicas – A competição com hidrocarbonetos representa uma oportunidade de crescimento, por meio da substituição, que só não é mais intensa pelo baixo custo destes.

Essa é a opinião de Andréa Campos Soares, gerente de mercado da Oxiteno para a área, corroborada pela recuperação de vendas ocorrida em 2004, depois da queda em 2003, reflexo da baixa atividade econômica nacional.

Neste ano, os setores automobilístico, industrial e de embalagens lideraram a demanda pelos oxigenados.

Como a economia mundial voltou a crescer em 2004, os negócios com solventes também cresceram, provocaram a ocupação maior das capacidades instaladas e eliminaram as vendas de baixo preço que eram feitas para o Brasil.

Química e Derivados: Solventes: Martins - importação predatória diminuiu. ©QD Foto - Cuca Jorge
Martins – importação predatória diminuiu.

“Algumas empresas trouxeram solventes para o País com preços aviltados, aproveitando a condição de mercado aberto que vigora há doze anos”, criticou Alvanei Martins, gerente de marketing da Oxiteno.

Apesar disso, o mercado de solventes não é necessariamente brilhante, tanto que parte da elevação dos custos tenha sido represada pelos fabricantes ao sentir que o mercado não a suportaria.

Química e Derivados: Solventes: Andréa - oxigenados crescem com sofisticação da demanda. ©QD Foto - Cuca Jorge
Andréa – oxigenados crescem com sofisticação da demanda.

“Em um mercado como o de tintas, as possibilidades do uso de solventes são imensas, pois as formulações mudam de acordo com a relação custo/benefício”, comentou Andréa.

Por um lado, essa mobilidade favorece o setor pela possibilidade de substituir produtos particularmente escassos, ou com preço elevado, por outro, impede o repasse integral dos custos, dada a facilidade de substituição por parte dos formuladores.

Neste ano, vários clientes foram obrigados a rever seus produtos pela escassez de alguns insumos, como o ácido acrílico e o MDI, exigindo adaptação por parte do fornecedor de solventes.

Ela informou que a Oxiteno, na área de solventes, atende diretamente um número reduzido de clientes, de vinte a trinta, no máximo. O restante recebe produtos e apoio da rede de distribuidores.

“Com nossos clientes diretos mantemos relacionamento intenso, de modo a identificar problemas e oferecer soluções integradas, que incluem não só a parte técnica, mas também a comercial e a logística da operação”, explicou.

Para a Oxiteno, o mais diversificado produtor de óxido de eteno e derivados do continente, a área de solventes apresenta grande sinergia com outra, muito importante para a companhia: os tensoativos.

“As formulações de base água usam pequena quantidade de solventes como o butilglicol e o fenilglicol, mas também precisam incluir tensoativos para garantir a estabilidade e o desempenho final do produto”, comentou. O butilglicol, aliás, poderá ganhar mercados a partir da sua recente remoção da lista de poluentes perigosos (HAP).

Para produzir sua extensa linha de oxigenados, além o óxido de eteno que fabrica, a Oxiteno precisa importar ácido acético e butanol, além do fornecido habitualmente pela Ciquine/Elekeiroz.

Ao mesmo tempo, a empresa exporta de 30% a 35% de sua produção, distribuída pelas unidades de CamaçariBA (285 mil t/ano de capacidade de etilenoglicóis e 25 mil t/ano de éteres glicólicos), de MauáSP (25 mil t/ano de etilenoglicóis, 40 mil de éteres glicólicos, e 32 mil de acetatos de ésteres e álcoois), e de TriunfoRS (35 mil t/ano de MEK).

“Sempre há investimentos e atualização e desengargalamento de linhas”, disse Martins.

A expectativa de negócios para os próximos anos é otimista, e toma por base a expansão do PIB doméstico em 5% ao ano.

Além dos segmentos já mencionados, também a área imobiliária deve ser reativada, com reflexos importantes nos solventes, pelo maior uso de tintas de qualidade superior, adquiridas por construtores de edifícios.

“Quanto mais sofisticadas as tintas, melhor para os oxigenados”, afirmou Andréa.

Importação ativa – Apesar da elevação dos preços internacionais, importadores conseguem manter sua participação no mercado local de oxigenados/sintéticos.

“Ainda somos competitivos, uma vez que todos os fornecedores, mesmo os locais, praticam preços globais”, argumentou Chamma, da Ipiranga Química.

A distribuidora oferece isopropanol e MIBK da Carboclor (Argentina); acetona, MEK, nbutanol e álcoois especiais da Sasol (África do Sul); glicóis e acetatos da Eastman (EUA).

Segundo informou, a situação da oferta mundial desses produtos está próxima do ponto crítico, podendo conduzir a um regime de alocação.

A competitividade nacional só é bem maior no caso do etanol e do acetato de etila. “Mesmo assim, ainda conseguimos competir, atuando em nichos de mercado e evitando confrontos nas grandes vendas a granel”, comentou.

Essa vantagem faz com que o álcool etílico seja muito usado nas formulações de tintas, em associação com o éster etílico, enquanto no exterior essa aplicação seja dominada pelo isopropanol.

“Nas máquinas de impressão de alta velocidade o isopropanol é mais eficiente que o etanol, então é preferido, apesar de ser mais caro”, explicou.

Chamma vê avanços dos oxigenados nas formulações, mas bem abaixo do que chegou a ser anunciado há dez anos, quando se esperava a substituição total dos hidrocarbonetos.

“No começo, a pressão ambiental recaía apenas nos hidrocarbonetos, favorecendo muito os sintéticos”, reconheceu. “Mas, agora, já há quem queira eliminar totalmente os orgânicos voláteis, atacando todos os produtos.”

Essa mentalidade favorece linhas de pintura em pó e as curáveis por ultravioleta, ou mesmo os base água. “O fato é que os hidrocarbonetos ainda crescem, embora menos que os sintéticos”, considerou. Em alguns casos, a substituição se revela impraticável.

É o caso dos produtos agro-químicos, nos quais o xileno e os solventes pesados atuam como veículo do ingrediente ativo. No Brasil, esse consumo cresce a cada ano. “Nesse caso, a troca é cara e tecnicamente complicada”, explicou.

A linha de solventes sintéticos da Best Química apresenta boa evolução no mercado nacional. Segundo o diretor de novos negócios Eduardo Barrella, o crescimento de 2003 sobre 2002 foi da ordem de 200%, enquanto o de 2004 sobre o ano anterior chega a 50%.

“Poderíamos ter crescido mais, se tivéssemos mais produtos”, afirmou. A empresa distribui glicóis (BG, MEG e DEG), MIBK, MEK e isopropanol importados dos EUA pela Shell Química.

Em 2004, a Best recebeu mais de 2 mil t de produtos Shell. Pelo contrato de distribuição, a Best pode atender a clientes que consumam até 100 t/ano de cada item.

“Estamos encontrando boas oportunidades também para álcoois especiais para o setor cosmecêutico, além de verificar aumento da demanda por isopropanol, que está em falta no mundo”, afirmou.

O preço dos solventes sintéticos, neste ano, teve aumento médio de 80%, em dólar, segundo a direção da Best.

Especialidade – Solvente com aplicações específicas, a isoforona também é um intermediário importante para a industria do poliuretano.

Um dos poucos fornecedores mundiais dessa linha de produtos, a Degussa atua apenas em nichos nos quais seja insubstituível a aplicação.

“É o solvente mais caro do mercado, mas também é o de mais alto ponto de ebulição, ou seja, demora mais para evaporar”, explicou Ralph Ahelmeyer, gerente de negócios para a área de tintas e resinas no Brasil.

O principal mercado da isoforona como solvente está ligado à impressão serigráfica de embalagens e artigos de vestuário.

Por demorar mais para secar, ela impede o entupimento das telas, permitindo o seu uso por número maior de ciclos de impressão. Além dessa, há também indicações de uso na formulação de agro-químicos.

“Às vezes é preciso contar com um solvente de evaporação lenta para garantir o desempenho do ingrediente ativo”, explicou.

A partir da isoforona são produzidos a morfolina e o diidronaftaleno, também com aplicações específicas. Apesar de reconhecer que o campo de trabalho dessas linhas de solventes é restrito, Ahlemeyer salienta ser crescente seu consumo no País.

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