Solventes: O verde como meta – Em ascensão, mercado dos oxigenados aproveita preocupação ambiental para ampliar oferta de grades mais avançados

Química e Derivados, Luis Manuel Mota, consultor da LM Coating Advancing, Solventes
Luis Manuel Mota: custo dos oxigenados inibe um pouco o seu uso no Brasil

Como analisa o consultor Luis Manuel Mota, da LM Coating Advancing, no Brasil o que impede a migração mais rápida para os solventes oxigenados ainda é o custo do insumo. Enquanto os solventes hidrocarbonetos são obtidos pelo simples refino do petróleo ou como subproduto petroquímico, os oxigenados são elaborados por sínteses industriais, mediante um custo produtivo mais alto. “Em relação aos hidrocarbonetos, os oxigenados ésteres custam de 10% a 50% a mais; as cetonas, de 20% a 40%; e os glicóis são de 40% a 100% mais caros”, informou o consultor. Por outro lado, os oxigenados apresentam uma produtividade maior. Para Mota, apenas quando o Brasil adotar uma regulamentação restritiva em relação aos VOCs é que ocorrerá uma migração definitiva em direção aos oxigenados. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) discute essa regulamentação há dois anos e Mota, que já fez parte da comissão de análise do problema na associação, acredita que a primeira autorregulamentação do mercado deverá ser divulgada nos próximos meses, por enquanto restrita ao segmento de tintas imobiliárias. Basicamente, informa Mota, o que tem atrasado a decisão da Abrafati é uma divergência sobre a definição de VOC. Há o modelo europeu, que leva em consideração a composição da tinta, e o norte-americano, com foco na quantidade de material que evapora e seu impacto ao meio ambiente. A tendência brasileira, acredita Mota, é seguir a definição europeia.

Outra questão que pode inibir um avanço mais rápido dos solventes oxigenados é a conjuntura econômica restritiva de 2009. Alexandre Castanho, da Rhodia, avalia que a crise mundial deve gerar uma queda no consumo global de solventes de 20%. No Brasil, de 9%. Carlos Tooge, gerente de vendas da divisão química da Lyondell Basell, trabalha com números parecidos em relação ao mercado brasileiro. Já Andréa Soares, gerente de marketing de outro importante produtor de solventes, a Oxiteno, tem uma visão mais otimista da conjuntura e acredita que as vendas do insumo no país em 2009 deverão ficar no mesmo patamar registrado em 2008. “Mas será um ano de baixa rentabilidade, pois as empresas terão que encurtar margens para manter clientes”, disse a executiva. Independentemente do resultado final, crescimento zero ou negativo, nenhuma das duas situações é propícia ao avanço de inovações que gerem aumento de custo. Portanto, no mercado de solventes não são muitas as apostas de grandes conquistas dos oxigenados sobre os hidrocarbonetos. Uma exceção é Carlos Tooge, para quem a crise econômica tem permitido às empresas usuárias de solventes a utilização de seus laboratórios, que estão sendo menos demandados no momento, para realizar o desenvolvimento de novos produtos, preparando-se para o pós-crise. E a tendência, aposta Tooge, é de que esses desenvolvimentos privilegiem tecnologias mais avançadas, como é o caso dos desenvolvidos com solventes oxigenados.

Química e Derivados, Andréa Soares, gerente de marketing da Oxiteno, Solventes
Andréa Soares: novo solvente para substituir os de base tolueno

Investimentos – Conjuntura negativa e falta de regulamentação não impedem, porém, que os produtores de solventes oxigenados busquem inovações tecnológicas e tracem estratégias para ampliar seus mercados. A Oxiteno, por exemplo, está concluindo um investimento de R$ 51 milhões em uma nova unidade de acetatos em Mauá-SP. A nova linha mais que duplicará a capacidade produtiva da empresa, com um volume adicional de 40 mil toneladas por ano de solventes, com 35% da produção a ser destinada ao mercado externo. A partida da nova capacidade estava prevista inicialmente para junho, mas só deverá acontecer em setembro. Andréa Soares informa que essa instalação permitirá à empresa ampliar significativamente a oferta de um novo produto, que já vem sendo apresentado de forma limitada ao mercado: o solvente acetato Ultrasolve M-1200. Ela informa que o Ultrasolve M-1200 possui características que permitem, por exemplo, substituir os solventes hidrocarbonetos obtidos pela rota do tolueno. O produto é compatível com a maioria das resinas acrílicas, celulósicas, epóxis, poliéster, poliuretânicas e sistemas híbridos, com uso possível em formulações de tintas base solvente, como as linhas automotivas, para madeira, industriais e nos tíneres. A vantagem do produto, segundo Andréa, são suas características amigáveis ao meio ambiente. “É um solvente médio, de acetato de sec-butila, possui alto TLV (limite de tolerância de exposição ao trabalhador), baixo VOC e não consta na lista HPA (Hazardous Air Pollutants – poluentes perigosos no ar)”, informou. “A receptividade ao solvente tem sido excelente no mercado e a nossa expectativa, em um ano, é de superar a casa das 10 mil toneladas comercializadas”, salientou.

Solventes verdes – Na Rhodia, a grande aposta é o lançamento de um novo solvente, marcado para setembro, durante o congresso e feira Abrafati 2009. Alexandre Castanho faz segredo sobre o novo produto, revelando somente tratar-se de um solvente verde, amigável à saúde humana e ao meio ambiente, obtido de biomassa, matéria-prima renovável. Mais não informou. “Nossa expectativa para essa novidade é muito positiva, uma vez que ele irá complementar as linhas de solventes industriais da Rhodia no mercado de tintas e vernizes, abrindo a possibilidade de atuarmos em segmentos hoje dominados por linhas de solventes mais agressivas”, limita-se a dizer o executivo. A Rhodia tem em Paulínia-SP sua planta mundial de solventes industriais, da qual a metade da produção é destinada ao mercado externo. A fábrica produz solventes oxigenados obtidos de duas rotas químicas, do etanol e do fenol, com participações praticamente idênticas de mercado. Castanho lembrou que os solventes de etanol já são considerados verdes, uma vez que são obtidos de uma matéria-prima renovável. “Nessa linha de produtos, nossas vantagens competitivas, com planta instalada no Brasil, grande produtor de álcool, são significativas”, disse o executivo.

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