Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Solventes: Mercado retraído acirra luta pelos negócios com oxigenados

Marcelo Fairbanks
12 de setembro de 2014
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    Química e Derivados, Solventes: Mercado retraído acirra luta pelos negócios com oxigenados - TabelaEm Paulínia-SP, a Coatis mantém a produção de solventes em duas vertentes principais: dos derivados de cumeno (cadeia do fenol e da acetona) e dos produtos derivados de etanol (acéticos). Embora o impacto das circunstâncias seja semelhante nos dois grupos, Janeiro observa que a cadeia produtiva do cumeno, por ser mais longa, é a mais afetada por esses componentes externos de custos.

    Além disso, o etanol está com preços deprimidos, por conta do mercado de combustíveis seguir travado por decisão governamental. “As reduções dos preços dos nossos produtos são justificadas pela variação dos preços das matérias primas”, afirmou o diretor.

    “Procuramos exportar para compensar a queda na demanda interna, mas nossos principais clientes regionais, a Argentina e a Venezuela, estão em situação ainda pior”, considerou.

    A solução encontrada pela companhia consiste em reforçar seu programa interno de excelência operacional, tanto nas linhas de produção quanto nas atividades logísticas. “Esses projetos nos permitem reduzir custos, sem prejuízo da segurança e da qualidade, eles fazem parte da estratégia global da companhia”, comentou.

    Janeiro entende que o quadro atual é passageiro, por isso não afeta o plano de investimentos da companhia, alicerçado em prazos longos. “Apesar do elevado custo para se investir no Brasil, estamos nos preparando para iniciar em 2016 a produção de n-butanol de fonte renovável, em parceria com a GranBio”, salientou. Esse n-butanol permitirá aumentar a produção local de acetato de butila, solvente muito procurado pelos produtores de tintas automotivas. A companhia já oferece a linha Augeo de solventes derivados de glicerina de biodiesel, com melhor desempenho ambiental.

    Química e Derivados, Solventes: Mercado retraído acirra luta pelos negócios com oxigenados - TabelaO diretor da Coatis explicou que o grupo empresarial só seleciona projetos de inovação que sejam mais amigáveis e competitivos economicamente. “O prêmio que o mercado paga por um produto ambientalmente correto não é muito grande”, afirmou.

    A substituição do tolueno, produto perigoso à saúde dos trabalhadores, por insumos menos agressivos é um movimento global que abre espaço para os solventes oxigenados. “Cada país tem suas leis para lidar com esse tema, mas se percebe claramente uma tendência mundial de restringir o uso do tolueno”, afirmou.

    A avaliação do mercado global de solventes precisa considerar a situação de cada produto. Segundo janeiro, a acetona, por exemplo, é um caso atípico, pois é um coproduto da obtenção de fenol, sendo este o principal item da cadeia. “Isso impõe uma alta volatilidade nos preços da acetona e impacta seu mercado”, explicou. Atualmente, o mundo opera com baixa ocupação de capacidades de produção de fenol e acetona, mas existem unidades de grande escala prestes a entrar em operação na Ásia.

    No caso do acetato de etila, a capacidade produtiva mundial supera a demanda global, mas há poucas unidades para entrar em produção. A Solvay/Rhodia fez um acordo com a Sipchem (Saudi Arabian Petrochemicals), para fornecer tecnologia brasileira e etanol para a planta de 100 mil t/ano que foi inaugurada na cidade de Jubail, em maio de 2013. “Com parte desse acetato de etila, somado ao excedente de Paulínia, teremos melhores condições de suprir o mercado europeu”, comentou.

    Quanto à recuperação do mercado nacional, Janeiro não espera nenhum movimento interessante até o segundo semestre de 2015. “2014 foi um ano atípico para a economia nacional e o primeiro semestre de 2015 deverá ser consumido para ajustes macroeconômicos que não favorecem imediatamente a retomada da atividade industrial”, prognosticou.

    Semelhante visão tem Gabriel, da Carbono Química. “Não dá para saber ainda quão profundos serão os ajustes a serem feitos em 2015, talvez seja possível termos uma recuperação no segundo semestre”, considerou.



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