Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Solventes: Mercado retraído acirra luta pelos negócios com oxigenados

Marcelo Fairbanks
12 de setembro de 2014
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    Do ponto de vista dos suprimentos, o diretor da Carbono informa que a situação é normal em todos os produtos, exceto no caso do solvente para borracha, que a Petrobras deixou de produzir há cinco meses quando aperfeiçoou a produção de hexano. “Era um produto antigo que está sendo substituído por rafinados supridos pela Braskem, com desempenho idêntico, embora um pouco mais caros”, comentou.

    Rodrigo Gabriel classificou a demanda atual como morna, avançando por espasmos. “Um mês a procura sobre, no outro cai”, disse. Nesse cenário, os clientes tendem a se concentrar em manter a produção com custos ainda menores, sem ter vontade para introduzir modificações. “A venda de blends com melhor desempenho técnico e ambiental, por exemplo, ficou mais lenta”, informou. Além disso, os pedidos estão sendo mais fracionados e para entrega imediata, pois os compradores não querem manter estoques.

    A retração da demanda tornou mais agressiva a disputa pelo mercado, pressionando a rentabilidade dos distribuidores. “As margens estavam maiores no primeiro trimestre do que no terceiro”, disse.

    Química e Derivados, Maranho: momento não favorece a substituição do tolueno

    Maranho: momento não favorece a substituição do tolueno

    A substituição de aromáticos tende a perder velocidade com o fraco desempenho da atividade industrial no Brasil. “Já temos projetos em andamento para substituir o tolueno, por exemplo, mas a diferença de preço com as alternativas mais ecológicas dificulta a sua expansão em momentos de baixa, como o atual”, afirmou Luiz Maranho, gerente de titnas, adesivos e construção civil da quantiQ. Detentora de um portfólio extenso de insumos solventes, entre eles os hidrocarbonetos alifáticos e os produtos sintéticos, ambos oferecidos para substituir aromáticos, a distribuidora atua fortemente no desenvolvimento de soluções para seus clientes.

    Maranho observa que a produção de tintas automotivas para pintura original (aplicada pelas montadoras) está ainda em queda, enquanto as tintas para repintura (aplicadas nas oficinas) seguem estáveis, beneficiadas pela indisciplina dos motoristas brasileiros.

    No campo dos adesivos, ele recomenda olhar para cada segmento de mercado atendido. “O setor de embalagens, por exemplo, acusa a retração do consumo das famílias”, afirmou. “Oferecemos a eles alternativas aos aromáticos que apresentam menor custo em uso.” Nesse caso, observa-se o impacto da introdução da alternativa em todas as fases da operação.

    “O tolueno tem um desempenho técnico difícil de superar nos adesivos”, reconhece. Como informou, existem solventes oxigenados capazes de substituí-lo, porém seu custo nem sempre é aceito pelos clientes.

    Em um ambiente tão árido, o setor agroquímico surge como um oásis. “Os produtos para a agricultura ainda usam muito os aromáticos em suas formulações, preferindo o AB9 ao xileno, mas já há uma tendência para consumir mais éster metílico e criar formulações de base aquosa”, comentou Maranho.

    “O setor agro segue muito bem, com um bom consumo de hexano, para extração de óleos, AB9 e xileno”, confirmou Gabriel, da Carbono. “O problema é que, com o mercado em crise, todo mundo corre para a mesma direção e a concorrência aumenta.”

    Química e Derivados, Janeiro: excelência operacional ajuda a ampliar competitividade

    Janeiro: excelência operacional ajuda a ampliar competitividade

    Reação nacional – Maior produtora nacional de solventes oxigenados, a Rhodia (empresa do grupo Solvay) adotou uma postura mais agressiva para enfrentar as importações de produtos concorrentes. “A Rhodia/Solvay está presente no Brasil há mais de 90 anos, temos produção local estabelecida e vamos defender nossa posição de mercado, pois entendemos que algumas importações estão sendo feitas em condições anormais”, afirmou Viler Janeiro, diretor global de solventes da Solvay Coatis, unidade mundial de negócios dirigida a partir do Brasil. Ele informou que 70% da produção local de solventes da companhia se destina ao abastecimento do mercado interno e apenas 30% segue ao exterior.

    Na sua avaliação, a disponibilidade maior de gás natural no mercado norte-americano pouco explica essas importações. “Está entrando produto vindo dos Estados Unidos, mas também da Europa e da América Latina, regiões que não têm shale gas”, disse.

    Janeiro também aponta uma retração na demanda nacional por solventes, variando sua intensidade conforme o setor de aplicação. Assim, a fabricação de tintas automotivas sofre mais do que a de embalagens flexíveis para alimentos. “Na média, a queda de demanda ficou entre 5% e 10%”, informou.

    Na sua avaliação, há dois problemas básicos no setor: a tibieza atual da demanda e as condições estruturais da economia brasileira, que conspiram contra a competitividade da produção local de solventes e de outros itens. “O grande diferencial de preços com os solventes que estão sendo importados não é nem a matéria-prima, mas o custo da energia, da logística e da mão de obra local”, ressaltou. Além disso, ele considera que a moeda nacional, o real, está sobrevalorizada em relação ao dólar. Ou seja, a cotação de R$ 2,25/US$ prejudica o desempenho de toda a indústria, sendo previsível e desejável uma desvalorização para o futuro próximo.



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