Construção Civil (cimento e contreto)

Construção Civil – Soluções da química promovem eficiência energética em edificações – Abiquim 50 Anos

Adriana Nakamura
14 de julho de 2015
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    Química e Derivados, Por conter grafite, bloco de Neopor apresenta isolamento térmico 20% superior ao do EPS convencional

    Por conter grafite, bloco de Neopor apresenta isolamento térmico 20% superior ao do EPS convencional

    Na opinião de Adriano Pires, diretor do CBIE, o incentivo ao uso eficiente da energia é uma maneira moderna e inteligente de se gerenciar a demanda. “A energia mais barata e limpa é aquela que não é consumida”. Para Pires, as licenças de obras de empreendimentos imobiliários deveriam ser atreladas ao fato de o prédio ser construído de maneira a usar eficientemente a energia e, ainda, apresentar soluções de geração própria. Especificamente para a eficiência energética em edificações, foi promulgada em junho de 2014 a Instrução Normativa nº 2, pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que dispõe, dentre outros, sobre a etiquetagem compulsória em edificações públicas federais. Segundo o chefe do Departamento de Projetos da Eficiência Energética (PFP) da Eletrobras, George Alves Soares, este foi um marco para o início da obrigatoriedade da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) nos edifícios do País. As edificações com ENC
    E classe “A” (alta eficiência energética) têm incentivos financeiros, como juros e prazos para financiamento mais atrativos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Além do ENCE, o governo lançou ainda o Selo Procel Edificações, por meio do Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações (Procel Edifica) da Eletrobras, em novembro de 2014. Desde o lançamento, foram concedidos 11 selos para imóveis construídos e oito para projetos de edificações. A avaliação para concessão do selo é feita por um Organismo de Inspeção Acreditado (OIA) pelo Inmetro e observa quesitos como a envoltória, a iluminação e o condicionamento de ar.

    Ao contrário do que se pode imaginar, construções sustentáveis acabam sendo financeiramente mais vantajosas do que as convencionais. É o que afirma Marcelo Fiszner, da Comissão de PU da Abiquim. “Considerando-se a redução do tempo de construção e a supereconomia na conta de luz, o custo dos materiais são compensados”, garante o especialista. A gerente da Basf, Camila Lourencini, também ressalta: “os produtos usados na CasaE são de alta tecnologia, resultado do investimento em pesquisa e desenvolvimento. Por enquanto, o custo total da obra chega a ser 30% maior, porém esse investimento é recuperado no médio prazo, devido à economia gerada não só no consumo de energia, como também de recursos naturais”. Em uma perspectiva futura, Camila acredita que a tendência seja de que, a partir do momento em que construções desse tipo se tornem mais comuns, haja um barateamento com o ganho de escala, como já ocorre na Europa e nos Estados Unidos. George Alves Soares, da Eletrobras, lembra que o planejamento correto é fundamental para diminuir os custos, muitas vezes tidos como vilões para as construções sustentáveis.

    Mas é possível construir uma casa ao modelo da CasaE? O Brasil ainda tem um caminho a avançar para tornar as edificações sustentáveis mais populares, tanto com relação ao acesso e custo dos produtos, quanto à disponibilidade de profissionais qualificados a trabalhar com os produtos “verdes”. De acordo com Camila Lourencini, a espuma rígida de poliuretano, já está disponível no mercado brasileiro e a maior parte dos demais produtos, como os pigmentos para tintas (Sicopal/Paliogen), as microcápsulas poliméricas para gesso/dry wall (Micronal) e o EPS modificado com grafite (Neopor) estão à disposição como matéria-prima para a indústria brasileira de materiais de construção. Quanto à mão de obra para edificar usando esses materiais, a Eletrobras, por meio do Procel Edifica, investiu na formação de laboratórios de conforto ambiental em universidades públicas e na capacitação de profissionais. A R3E – Rede de Eficiência Energética em Edificações foi desenvolvida por essas instituições de ensino a fim de promover cursos na área, funcionando como centros multiplicadores de conhecimento. Além disso, segundo George Alves Soares, está em andamento a capacitação de gestores públicos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), para orientá-los a seguir a Instrução Normativa sobre o ENCE. Na opinião de Soares, da Eletrobras, existem profissionais capacitados para projetar edificações mais eficientes energeticamente no mercado, entretanto seu número só será incrementado conforme houver uma maior procura por eles. “As universidades já estão mudando seus currículos para preparar os profissionais nessa área e a Eletrobras investiu em capacitação, mas, apesar de todos os esforços, ainda é possível inferir que o número atual de profissionais pode ser um fator limitante”, alerta. A disponibilidade de mão de obra preocupa também o setor privado, conforme expôs Marcelo Fiszner, que, além de coordenador da Comissão Setorial de PU da Abiquim, é também diretor de marketing para PU para a América Latina da Dow: “estamos fazendo um trabalho intenso com arquitetos e engenheiros, em parceria com fabricantes de painéis de PU, para apresentar o produto aos profissionais em um programa de educação”.

    Química e Derivados, Microcápsula polimérica Micronal é adicionada ao gesso para gerenciamento do calor

    Microcápsula polimérica Micronal é adicionada ao gesso para gerenciamento do calor

    Apesar das vantagens em sustentabilidade e economia de energia e dos esforços para capacitar de mão de obra, o uso de produtos sustentáveis na construção civil ainda é pequeno, de acordo com Fiszner. Na opinião do chefe do Departamento de Energia da Unesp, professor José Alexandre Matelli, ainda há muito o que fazer para que seja consolidada uma cultura de edificações eficientes no Brasil. “A esmagadora maioria dos prédios existentes não são eficientes nem do ponto de vista térmico nem de iluminação. As instalações de ar condicionado dessas construções são, de modo geral, obsoletas e muito ineficientes. Portanto, há muitas oportunidades, não só para adequação de edifícios, mas também para projetos de novos prédios em consonância com os princípios de eficiência energética. Edificações eficientes consomem menos energia, o que alivia o sistema elétrico e contribui para tornar o fornecimento mais seguro”, conclui.

    Adriana Silva Nakamura é jornalista e assessora de comunicação da Abiquim



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