Domissanitários (sabões, detergentes e limpeza)

Soda cáustica – Flutuações de oferta e de câmbio mexem com preços

Marcelo Fairbanks
14 de junho de 2020
    -(reset)+

    Química e Derivados - Silva: mercado caminha para um novo ponto de equilíbrio

    Silva: mercado caminha para um novo ponto de equilíbrio

    Luiz Carlos Silva, gerente estratégico de produto da Brenntag na América Latina, entende que o mercado caminha para um novo equilíbrio. “Com a recente desaceleração da economia mundial, a demanda de insumos químicos pela indústria da construção civil, automobilística, de poliuretanos, entre outras, tem diminuído significativamente, o que leva a reduzir a produção de soda. Por outro lado o mercado consumidor de soda, principalmente alumínio e papel e celulose, também dependem da atividade econômica, sendo que o alumínio está sendo bastante impactado nesse momento, com menor demanda. Por enquanto os pratos dessa balança estão se equilibrando, mas tudo depende de quando a atividade industrial voltará a crescer”, comentou. Como a importação do álcali pelo Brasil é elevada, Silva prevê que, caso a atividade industrial não se recupere, poderá haver um desequilíbrio no mercado, pressionando os preços.

    A importação de soda é feita na forma líquida. A operação com formas sólidas, como as escamas, é restrita a poucos usuários. “O custo para desidratar a soda e depois reidratá-la no destino é muito alto, não compensa a diferença do frete”, explica Martim Afonso Penna, da Abiclor.

    Silva, da Basequímica, confirma a preferência dos clientes pela soda líquida. “A diluição da soda em escamas é uma operação complicada, exige ter instalações adequadas, além disso, manipular sacaria é diferente de lidar com granel líquido”, considerou. Em geral, quem procura soda em escamas são consumidores até 8 a 10 t/mês situados em locais muito distantes, interessados em reduzir a conta do transporte. “Nos últimos 25 anos, a demanda está se dirigindo para a forma líquida”, salientou.

    André Castro aponta outro tipo de cliente interessado em soda na forma sólida. “Há processos que são realizados na forma sólida, não usam soda líquida”, considerou. A Morais de Castro se abastece com soda em escamas da Carbocloro ou mediante importação.

    A parada de Alagoas provocou uma reação abrupta de mercado, como observa o gerente da Brenntag, mas de curta duração. “Os fabricantes de soda cáustica e os distribuidores reagiram rapidamente e em tempo bastante curto, entre 50 e 60 dias, o fornecimento de soda foi regularizado, com estrutura logística adequada naquele momento”, comentou.

    A Brenntag com armazéns e pontos de faturamento em todo o país, atendendo a todos os segmentos consumidores de soda cáustica. A distribuidora comprou no ano passado a Quimisa, empresa com forte presença na região Sul, reforçando estrategicamente a sua posição de mercado.

    As importações de soda cresceram significativamente em 2019, influenciando o mercado de outros álcalis. “A própria Braskem passou a importar soda para suprir seus clientes depois da parada de Alagoas, além disso, o preço internacional muito baixo levou alguns processos industriais a substituir, quando possível, o uso de barrilha pela soda”, avaliou Pedro Nelson Almeida, vice-presidente de operações da Manuchar.

    Mesmo assim, ele não vê problemas de abastecimento desses produtos. “Parece-nos que a oferta mundial está bastante equilibrada até o momento, tanto de soda como de barrilha, pois não percebemos nenhuma dificuldade nos embarques que tínhamos programado junto aos nossos fornecedores”, informou.

    Efeito global – As oscilações do mercado de soda cáustica precisam ser observadas em âmbito global. “O preço da soda está subindo no mundo, mas é preciso salientar que essas cotações estavam próximas da faixa mínima histórica, de US$ 200/t, em dezembro”, disse Maurício Russomano, presidente da Unipar e, desde 8 de maio, presidente da Abiclor e da Clorosur, além de assumir o Sinálcalis em 15 de maio. “As restrições decorrentes da Covid-19 provocaram queda da atividade produtiva e da oferta de soda em todo o mundo, por isso o preço subiu.”

    Química e Derivados - Russomano: cuidados sanitários mantêm indústrias em operação

    Russomano: cuidados sanitários mantêm indústrias em operação

    Como informou, as cotações internacionais da soda giram entre US$ 300 e US$ 350 por tonelada, ainda muito distantes dos picos históricos de preços do setor. “Estamos voltando aos preços médios históricos, mas é preciso ver como ficará a atividade industrial e o consumo de produtos finais quando sairmos dessa crise sanitária”, salientou.

    A indústria de cloro-soda, considerada atividade essencial, manteve a produção ininterrupta, garantindo o suprimento de produtos para tratamento de água e sanitização. “O setor adotou todas as medidas de higiene segurança recomendadas para evitar o contágio de seus colaboradores, inclusive com a oferta de transporte exclusivo para que o pessoal da operação não usasse o sistema público”, comentou.

    Russomano também explicou que algumas empresas associadas da Abiclor produzem cloro para outros fins que não a fabricação de PVC. Essas companhias seguem operando bem e colocando soda no mercado. “As produtoras de cloro-soda integradas ao PVC estão formando estoques da resina, mantendo a produção de soda”, disse. “As indústrias do setor também estão participando do combate ao coronavírus mediante a doação de volumes significativos de hipoclorito para hospitais, municípios e instituições de interesse público em todo o país.”



    Recomendamos também:








    Um Comentário


    1. Eduardo Fernandes azevedo

      Quero revender soda fone 16 997333714



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *