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Soda cáustica – Flutuações de oferta e de câmbio mexem com preços

Marcelo Fairbanks
14 de junho de 2020
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    Química e Derivados - Montanhas de sal darão origem ao cloro e à soda de uso industrial

    Montanhas de sal darão origem ao cloro e à soda de uso industrial

    Álcalis – Soda cáustica – Flutuações de oferta e de câmbio mexem com preços, mas demanda perde força

    Conhecidos desde a antiguidade, os álcalis ainda são largamente utilizados em todo o mundo em operações diversas, em especial na neutralização de meios ácidos. Pela amplitude de seu uso, o consumo de alguns desses produtos é considerado indicador de desenvolvimento econômico de um país, caso da soda cáustica, por exemplo.

    O termo álcali é muito abrangente, mas podem ser destacadas algumas substâncias químicas em razão de seu volume de comercialização mundial. A soda cáustica (NaOH), a potassa cáustica (KOH) e a barrilha (Na2CO3) se enquadram nesse critério.

    O hidróxido de sódio, mais conhecido como soda cáustica, é o principal componente do grupo, com capacidade produtiva instalada no mundo de 93,7 milhões de toneladas em 2019, segundo a consultoria Global Data. Antes do aparecimento do novo coronavírus, essa consultoria apontou 41 projetos de investimento no mundo, principalmente na Ásia, que elevariam o potencial produtivo para 98,6 milhões de t até 2023.

    Química e Derivados - segmentação do consumo da produção nacional - jan/dez/2019

    segmentação do consumo da produção nacional – jan/dez/2019

    No Brasil, a capacidade instalada de produção de soda, próxima de 1,6 milhão de t/ano, registrou queda na taxa de utilização em 2019, chegando a 56%, muito abaixo dos 72% ocupados em 2018. A paralisação da unidade de cloro-soda da Braskem em Alagoas, iniciada em maio de 2019, explica essa variação. A Braskem deve retomar em maio de 2020 a operação, usando sal adquirido de terceiros, pois assinou acordo com o Ministério Público para desativar a mineração local.

    A fonte industrial desse hidróxido é a eletrólise do cloreto de sódio. Quem determina a taxa de ocupação é a demanda por cloro, gás tóxico de difícil estocagem. Quando a produção de PVC, maior consumidora de cloro, e também a de químicos, como óxido de propeno e isocianatos, é elevada, as eletrólises rodam a plena carga, aumentando a oferta de soda.

    No entanto, o mercado brasileiro de soda supera a capacidade instalada, exigindo importações, que foram ampliadas em 2019 para compensar a parada da unidade alagoana, uma das maiores do país. No ano passado, importadores buscaram soda nos Estados Unidos, China e Polônia, entre outros, para manter abastecidos os mercados consumidores.

    Química e Derivados - Penna: demanda por soda já estava baixa no ano passado

    Penna: demanda por soda já estava baixa no ano passado

    “Curiosamente, a demanda por soda cáustica em 2019 caiu muito no Brasil nos segmentos consumidores mais relevantes, como papel e celulose, químicos e alumínio, sem que a parada de Alagoas causasse elevação local de preços, também baixos no exterior”, comentou Martim Afonso Penna, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor).

    Com o avanço da Covid-19 na China, Europa e América do Norte, houve retração industrial e redução da oferta de soda, puxando o preço para cima em escala global. “As primeiras cargas que puxei em maio vieram com até 60% de aumento de preço”, comentou Marcelo Silva, diretor da Basequímica, de Ribeirão Preto-SP, importante revendedora de soda cáustica da Unipar e da Olin (comprou os negócios mundiais de soda-cloro da Dow). “No ano passado, a parada da Braskem de Alagoas provocou uma instabilidade de preços, logo controlada com importações, aliás, o preço da soda permaneceu baixo nos últimos dois anos.”

    André Castro, diretor da distribuidora Morais de Castro, com sede em Salvador-BA, confirma o aumento das cotações, adicionando outro fator. “A desvalorização acentuada do real frente ao dólar também impacta o preço dos produtos importados”, salientou. Ele informou que a região Nordeste não registrou problemas de abastecimento mesmo com a parada alagoana. “A Braskem deve retomar em breve a operação de cloro-soda em Alagoas, mas vai fechar, simultaneamente, a eletrólise com células de amálgama de mercúrio de Camaçari-BA, uma unidade pequena, para 70 mil t/ano de cloro, mas que também está equipada para produzir hipoclorito, o que não é o caso de Alagoas”, explicou.

    Química e Derivados - Castro: dólar mais caro gerou forte impacto nas cotações

    Castro: dólar mais caro gerou forte impacto nas cotações

    A região conta com outros fornecedores do insumo, muito usado como desinfetante e no tratamento de água, em Pernambuco, Ceará, Maranhão e, também, no Espírito Santo.

    Castro comentou que a soda já teve papel mais destacado no faturamento da distribuidora, embora ainda seja importante para o negócio. “É um produto estratégico, como ele é usado por muitos segmentos industriais, ajuda a abrir portas para outros itens do portfólio; em geral, a venda de soda exige lidar com grandes volumes, temos estrutura logística para isso, conseguimos otimizar os fretes e reduzir custos para os clientes”, afirmou.



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    Um Comentário


    1. Eduardo Fernandes azevedo

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