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Silicones – Levam inovação a vários mercados, dos cosméticos à construção

Renata Pachione
7 de outubro de 2020
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    O mercado – A pluralidade do silicone se traduz em aplicações das mais diversas. Aqui o clichê se faz necessário porque o céu é o limite. As suas características o tornam fonte inesgotável de novos produtos. Como observa Renata: “a química do silicone é extremamente versátil, pois podem ser feitas infinitas combinações com seu polímero”.

    Dito isso, é fácil entender por que o silicone está presente em mercados tão diversos. Vianna aponta que historicamente as aplicações nos segmentos de agricultura, saúde, têxtil, personal care, automobilístico e construção civil são os de maior demanda. Recentemente, aplicações em outros setores, como telecomunicações e eletroeletrônicos também vêm se destacando na América Latina.

    Uma demanda aquecida, na opinião de Everton Luis Marion, gerente de negócios de Coating Additives da Evonik, é a do mercado de silicones para formulação de tintas. “Ele apresenta importante crescimento já há alguns anos, impulsionado pela necessidade de produtos de alto desempenho e maior valor agregado para tintas e revestimentos de diversos segmentos”, comenta Marion. Além disso, estes insumos atendem às atuais exigências em relação à sustentabilidade e às formulações com tintas solúveis em água, por cura UV e com alto teor de sólidos.

    Química e Derivados - Silicones - Levam inovação a vários mercados, dos cosméticos à construção ©QD Foto: iStockPhoto

    Marion: demanda no Brasil está aquecida, mas ainda é baixa

    A área de saúde também tem demanda aquecida. Freire aponta que em decorrência da Covid-19, o mercado passou a prestar mais atenção nos itens confeccionados em silicone voltados ao setor, como tubos, balões de respiração e peças de respiradores, entre outros. “Durante a pandemia, conseguimos enxergar a importância da tecnologia do silicone no segmento de etiquetas autoadesivas junto com os elastômeros para as peças médicas, que tiveram um crescimento”, acrescenta Freire.

    O mercado, no geral, tem muito espaço para crescer. Estimada em US$ 250 milhões, a indústria nacional de silicone movimentou cerca de 70 mil toneladas em 2019, o que, segundo Vianna, representou um crescimento de 3% em relação a 2018. Mas ainda assim o setor está muito aquém de seu potencial. O consumo per capita por aqui, comparado ao de países mais desenvolvidos, é três vezes menor.

    Para Renata, o Brasil tem um grande mercado interno, cuja demanda por bens e serviços está reprimida, uma situação que se alastra desde a crise de 2016. É fácil entender os porquês. Uma das justificativas se refere ao fato do silicone ser um insumo de alto valor. Ou seja, está atrelado ao crescimento do PIB e a um aumento do poder de compra do consumidor.

    Um entrave do setor diz respeito à regulamentação técnica que ainda é insuficiente no Brasil. Nota-se falta de fiscalização das regulamentações existentes para a utilização de produtos de silicone, principalmente os que são empregados em aplicações que estão em contato com alimentos e na construção civil, como cabos resistentes ao fogo. “Muitos produtos finais chegam ao Brasil com preços extremamente baixos, que inibem a participação da indústria local. A regulamentação existe, em muitos casos, e está em discussão pelo Mercosul, mas ainda falta fiscalização”, afirma Renata.

    Para ela, outro problema diz respeito ao alto imposto de importação de alguns intermediários utilizados pela indústria. Apesar de não haver fabricação local ou similares produzidos no Brasil, os impostos podem chegar a 14%, inibindo a adoção de produtos inovadores, utilizados em outros países. “Ao final, o que observamos é um ciclo infinito – o mercado não cresce porque alguns produtos têm carga tributária alta; a demanda existente não é suficiente para justificar investimento em produção local, e por aí vamos”, conclui.



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