Silicones – Levam inovação a vários mercados, dos cosméticos à construção

Química e Derivados - Silicones - Levam inovação a vários mercados, dos cosméticos à construção ©QD Foto: iStockPhoto
Consumo de silicones para vedações está consolidado

Novos paradigmas alçam o silicone ao protagonismo. Versátil e multifacetada, essa matéria-prima tem sido peça-chave para a indústria química se moldar às atuais exigências dos consumidores. Sinônimo de inovação, o material agrega valor às aplicações, incorporando tecnologia à cadeia de diversos produtos.

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Raquel: silicone permite criar ingredientes multifuncionais

Não por acaso, a sua penetração no segmento de cuidados pessoais (personal care) não para de crescer. O material traz inúmeras contribuições a aplicações que prezam pela diferenciação. “Os silicones são ferramentas essenciais para que o formulador transforme os desejos do consumidor em produtos inovadores”, afirma Raquel Santos, responsável pelo suporte técnico na América Latina para o mercado de cosméticos na Elkem Silicones Brasil.

E vai além. Segundo ela, por se tratar de um conjunto de famílias com distintas modificações em suas estruturas e, por cada família proporcionar diferentes benefícios em uma formulação cosmética, o silicone vai ao encontro das exigências do consumidor que hoje prioriza a combinação entre a eficácia do produto e a experiência, seja em sensorial ou em texturas diferenciadas. “É significativo reforçar que apenas o silicone consegue proporcionar todas essas características e benefícios ao mesmo tempo, se mostrando assim versátil e multifuncional”, diz Raquel.

Aposta-se que, em alguma medida, essa versatilidade consiga driblar o alto custo. Segundo Cássia Picirilli, gerente de vendas da Wacker, o silicone oferece diferentes soluções que atendem posicionamentos de mercados variados, podendo ser utilizado em produtos de baixo custo até o premium. Ela também destaca que, como as concentrações utilizadas nas formulações em geral são baixas, mesmo para as tecnologias de maior valor, o custo em uso será baixo também, com a vantagem de benefício imediato.

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Vianna: silicone é um aliado para melhorar sustentabilidade

Paulo Vianna, gerente geral da Momentive Performance Materials na América Latina, ressalta que o consumidor brasileiro – talvez pela instabilidade econômica da última década – ainda é sensível à questão do preço. Por isso, o grande desafio é ofertar a inovação esperada pelos consumidores, de forma que não só agregue valor ao produto, mas também otimize os processos industriais do cliente.

De qualquer forma, mesmo em momentos de crise como essa sem precedentes da Covid-19, a demanda pelos silicones em formulações de cosméticos continua aquecida. Para Vianna, alguns clientes estão seguindo com seus projetos e conseguindo, inclusive, superar os impactos da pandemia devido a lançamentos que contam com especialidades de silicone em sua formulação. Empregado em praticamente todas as categorias de produtos de cuidados pessoais, a molécula possui propriedades únicas que a torna apta para acompanhar o dinamismo dessa indústria.

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Tendências – Um dos conceitos do momento é o Clean Beauty (em tradução livre: beleza limpa). Essa ideia está presente no lançamento da família Puresil, uma resposta da Elkem à tendência das formulações minimalistas. Trata-se de linha desenvolvida para especialidades, englobando os elastômeros de silicone em gel e as resinas formadoras de filme. A proposta é ir além do sensorial e da amenização de rugas e linhas de expressão. Com um só insumo, o produto oferece diferentes benefícios: age como um modificador de sensorial que proporciona efeito matte, além de auxiliar a espessar a fase oleosa, aumentar o Fator de Proteção Solar (FPS) e estabilizar dispersões de pigmentos. “Está alinhada à busca do mercado por matérias-primas que sejam multifuncionais”, ressalta Raquel.

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Elastômero de silicone em gel possui 80% de conteúdo natural
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Freire: investimentos ampliam o rol de mercados atendidos

Essa família se caracteriza pelo pequeno tamanho de partículas e pela alta homogeneidade na sua distribuição, permitindo melhor formação de filme e, por consequência, um sensorial aveludado e efeito blur intensos. “Outro diferencial é que nenhum elastômero da linha Puresil possui formação de grumos na aplicação, algo que é muito identificado em elastômeros de silicone em gel de forma geral”, diz.

Lucas Freire, presidente da Elkem Silicones Brasil, destaca que o investimento nos elastômeros de silicone em gel é só uma parte do que a companhia vem fazendo. A Elkem está desenvolvendo produtos como o LSR Select (sistema avançado e patenteado de materiais, projetado para aprimorar a operação, controle, flexibilidade e produtividade dos processos de moldagem por injeção de borracha de silicone líquido), além de investir em muitas outras áreas para atender novas aplicações na área médica, eletrônicos e impressão 3D. Freire conta ainda que a companhia acabou de adquirir a Polysil, uma das principais fabricantes chinesas de elastômeros e resinas de silicone.

A Momentive tem novidades para o mercado de cosméticos. Uma delas trata-se do Silform Hydroflex, um formador de filme que promove maior durabilidade e resistência à transferência dos produtos de maquiagem. Aliás, essa característica dialoga com a atual necessidade do uso de máscaras. “O silicone consegue agir como formador de filme aumentando a durabilidade da maquiagem e evitando a transferência para os tecidos e para as próprias máscaras”, diz Vianna.

Em resposta à tendência de consumo consciente, ele também cita o Silsoft EAU Microgel, cuja tecnologia permite aos formuladores de personal care diminuir a quantidade de ingredientes utilizados em seus produtos, tornando todo o processo industrial mais dinâmico e sustentável.

Vianna está confiante no avanço da demanda de produtos para cuidados pessoais, a ponto de anunciar que a planta de Itatiba-SP recebeu investimentos significativos em novos equipamentos, que ampliaram a sua capacidade produtiva, possibilitando a produção local de algumas matérias-primas direcionadas ao segmento e também para as áreas agrícola, têxtil e industrial. Aliás, a Momentive vem substituindo a importação de alguns compostos de silicones pela produção local. “Alguns produtos passaram a ser produzidos localmente e outros estão em processo de aprovação e validação junto aos clientes”, informa.

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Cássia: soluções para atender produtos de baaixo e alto custo

Cuidados pessoais – Entre as inúmeras aplicações do silicone, aquelas voltadas aos cuidados capilares têm se destacado. O fenômeno se dá não só porque o Brasil é o quarto maior consumidor de produtos capilares no mundo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), mas também pelo fato do segmento aliar alta tecnologia ao dinamismo, o que vai ao encontro das características do ingrediente. “É um mercado ditador de tendências que tem que se reinventar o tempo todo”, comenta Cássia.

Para abastecer o segmento capilar, a Wacker adicionou dois produtos ao seu portfólio: a emulsão fluida de silicone Belsil DM 3200 E, que atua como agente condicionante em xampus e condicionadores, e o agente de brilho Belsil PF 100. Segundo Cássia, quando o cabelo é lavado, essa emulsão, com apenas 160 nanômetros de diâmetro, é depositada seletivamente nas fibras capilares, proporcionando maior proteção aos cabelos em comparação às emulsões convencionais. O agente de brilho, por sua vez, é polifuncional, projetado para uso em produtos capilares e maquiagem. “Seu índice de refração de 1.464 é muito superior ao de polidimetilsiloxanos e ainda mais alto do que o de fluidos de fenil silicone convencionais, sendo um agente de brilho altamente eficaz para o setor de cosméticos”, diz. O produto é solúvel em solventes orgânicos e muitos óleos vegetais.

Entre os destaques da Wacker está ainda o desenvolvimento de uma fórmula com tripla proteção antipoluição. Trata-se da combinação entre os silicones Belsil, o antioxidante HTEssence e os filtros UV. “Essa formulação protege a pele contra uma variedade de impactos ambientais”, afirma Cássia. Segundo ela, a companhia escolheu investir no conceito antipoluição com o principal objetivo de prevenção do estresse oxidativo, que pode ser desencadeado por danos ambientais, uma vez que os silicones formam uma película protetora respirável, atuando como uma barreira eficaz, que impede que os poluentes atinjam a pele e o cabelo. Ela avisa, no entanto, que a ampliação do portfólio da linha Belsil, no que tange aos produtos com ação contra a poluição, é apenas uma das frentes de atuação da companhia.

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Renata: tributação alta sobre intermediários prejudica setor

Também em linha com as exigências dos formuladores de produtos de personal care, a Dow lançou os blends de gomas de silicone com fluidos de alta volatilidade, os quais são amplamente utilizados em categorias que vão de maquiagem a cuidados dos cabelos. “São fundamentais para entrega de performance e melhoria da percepção sensorial dos cosméticos”, conta Renata Campos, líder técnica da Dow.

Segundo ela, pensando no desenvolvimento de produtos com melhor perfil de sustentabilidade, sem abrir mão de desempenho, a Dow desenvolveu quatro novos blends de gomas de dimeticonol em diferentes veículos, sendo todos livres de ciclometicones. Alguns desses veículos, como isododecano e isoparafinas, são prontamente biodegradáveis. Outros, como o hemisqualano, atendem a ISO 16128 por terem 96% de origem natural. “Dessa forma, oferecemos mais opções aos formuladores, tanto do ponto de vista de performance (diferentes volatilidades e sensoriais) quanto de sustentabilidade (diferentes veículos)”, ressalta Renata.

Outra novidade da companhia para o segmento é o HydroxyShield Polymer. Com benefícios multifuncionais, esta tecnologia permite a criação de uma linha de produtos desde a limpeza do cabelo até o condicionador, que irão recuperar, reparar e proteger o cabelo da quebra.

A Dow gerencia um grande portfólio de novas moléculas e aplicações. Em relação à unidade de negócio de Soluções de Consumo (focada em silicone), o objetivo global neste ano é lançar 85 produtos. “Mesmo com os desafios da pandemia, a nossa meta permanece a mesma”, destaca Renata. São novidades para diversas áreas; algumas delas ficam por conta do Dowsil 107F Additive, produto que age no controle de espuma, tem baixa viscosidade e alta performance a baixas concentrações, e o Dowsil 8016 Waterborne Resin, resina de silicone de baixo VOC (Compostos Orgânicos Voláteis), base água para aplicações industriais de até 600°C, indicada para o segmento de tintas. Além do Dowsil EA-3838 Fast Adhesive, selante de cura rápida, que permite a movimentação das peças logo após a montagem, e o Dowsil CC-8030 UV and Moisture Dual Cure Conformal Coating, para aplicações eletrônicas que contêm componentes sensíveis.

A Dow além da marca Dowsil, já conhecida pelos mercados de home & personal care e construção, conta com as marcas Xiameter, Vorasurf (surfactantes para espumas de poliuretano), Silastic (elastômeros de silicone), Syl-off (emulsões e sistemas para rótulos) e Amplify Si (compatibilizantes para plásticos).

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Coelho: insumos melhoram produtos para pele e cabelos

A Evonik destaca em sua linha de personal care, os silicones Abil ME 45, Abil Quat 3272 e Abil Quat 3676. “Eles possuem parte da estrutura natural e proporcionam um condicionamento excelente e intensivo, deixando os fios de cabelos mais macios, leves e soltos”, explica Daniel Coelho, coordenador de marketing da área Care Solutions para a América Central e do Sul, da Evonik. O Abil ME 45 é uma microemulsão de silicone quaternizado com cadeia especial que além da facilidade de aplicação promove excelente atividade de proteção térmica dos fios e proporciona propriedades de suavidade e condicionamento intenso. “Favorece uma distribuição bastante homogênea nos fios, é eficaz em baixas concentrações e altamente indicado para formulações clear”, afirma

O Abil Quat 3272, por sua vez, trata-se de um silicone catiônico para cuidados com os cabelos e para a limpeza da pele. É solúvel e compatível com surfactantes aniônicos; além disso, é recomendado para formulações de xampus, sabonetes líquidos e preparações de limpeza de pele, em que proporciona sensação suave e macia na pele limpa. Enquanto o Abil Quat 3676 fornece um efeito condicionador intensivo, tornando-o adequado para tipos de cabelos mais grossos. “Ainda entre os benefícios, promove intensificação do brilho e proteção térmica”, completa Coelho.

Em tempo, a Evonik inaugurou no início do ano uma unidade multifuncional de silicones, em Geesthacht, Alemanha. Nela fabrica componentes e matérias-primas para a produção de selantes e adesivos, compostos para fundição e moldagem, entre outros produtos.

Sustentável – Um contratempo para o avanço do consumo de silicone no setor de cosméticos diz respeito ao fato do ingrediente ser sintético e, portanto, não se enquadrar em certificações de produtos naturais ou derivados naturais. “O nosso maior desafio é desmistificar as informações desencontradas sobre a origem dos silicones, pois eles vêm do quartzo, que é uma fonte natural, e representam 26% do globo terrestre e só agregam benefícios para os produtos de cuidados pessoais”, destaca Cássia.

Resolvida essa questão, os fabricantes de silicone têm muito a ganhar. Segundo Freire, a demanda por produtos sustentáveis vem crescendo, sobretudo entre os millenials e a geração Z, tornando-se assim uma tendência. “Silicones, de maneira geral, são matérias-primas seguras, tanto para o consumidor quanto para o meio ambiente e por este motivo são amplamente utilizados em aplicações cosméticas, farmacêuticas e médicas”, destaca. Segundo ele, é importante também deixar claro que o apelo de um produto considerado mais sustentável deve levar em consideração não apenas a origem, mas também aspectos como a cadeia de suprimentos e produção.

Hoje, a sustentabilidade é um tema presente em todo o mercado, não somente na área médica e de cuidados pessoais. Por isso, as principais representantes do mercado de silicones estão envolvidas com a preservação do meio ambiente e a segurança do consumidor, independentemente do setor em que atuem. Conforme explica Vianna, o silicone é um forte aliado desse conceito, promovendo melhorias no desempenho de diversos produtos, que resultam na preservação de recursos naturais. Ele explica isso com um produto para o mercado de tintas e revestimentos. “No segmento de silanos, a Momentive conta com produtos com base água que dispensam o uso de solventes”, diz. Outro exemplo se aplica à agricultura. Trata-se da linha Silwet. Segundo ele, a adição do produto como superespalhante na aplicação de defensivos agrícolas permite, dependendo do tipo de cultura, reduzir significativamente o volume de água utilizada, sem prejudicar o desempenho dos ativos utilizados nos tratamentos.

O lançamento do Puresil ORG01, da Elkem, dialoga com a procura do mercado por produtos com certificados naturais e com performance. Ele possui cerca de 80% de sua composição derivada da cana de açúcar (correspondente a um hemisqualano utilizado como veículo) e 20% de derivação sintética (o equivalente à porção de elastômero de silicone, responsável pelo sensorial aveludado). “Em um único produto foi possível unir a performance do silicone com um alto índice de derivado natural. Isso abre possibilidade ao formulador de aumentar o teor de derivado natural de uma formulação final cosmética, de acordo com a ISO 16128”, afirma Raquel.

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A Dow acaba de reafirmar seu compromisso com a sustentabilidade. Até 2030, a companhia reduzirá suas emissões líquidas anuais de carbono em 5 milhões de toneladas, alcançando a neutralidade de carbono em 2050. Vale citar, apenas como um exemplo, que utiliza energia renovável para a produção de silício metálico (matéria-prima para o silicone) em suas fábricas de Santos Dumont-MG e do Pará. Entre os produtos, Renata fala sobre o Dowsil 9510 Petroleum Antifoam, um antiespumante base água que para ela é de extrema eficiência e auxilia no processo de separação de óleo/gás/água em plataformas de petróleo, além de apresentar baixo teor de silício. “Trata-se do primeiro produto base água para a aplicação”, diz. Anteriormente, utilizava-se solvente hidrocarboneto nessas preparações.

Considerado uma solução verde da Wacker, o Belsil eco é produzido com 100% de biometanol oriundo de materiais renováveis. Cássia conta que a companhia é o primeiro fabricante de silicone a rastrear o uso de biometanol em todas as etapas da produção até os produtos finais. A linha conta com dimeticones em viscosidades variadas, uma resina de silicone e um reparador de pontas.

A Evonik também está comprometida com a sustentabilidade. Um dos exemplos dessa postura se percebe na linha de produtos Polymer & Construction Specialties, que conta com antiespumantes com base em organosiloxanos modificados. “Esses produtos se diferenciam, por exemplo, de outros antiespumantes com bases químicas diferentes, que acabam sendo mais agressivos ao meio ambiente devido à sua maior toxicidade”, explica Gabriel Mattos, executivo de contas América do Sul – Interface & Performance. Os antiespumantes são oferecidos majoritariamente às indústrias de construção, borracha e de adesivos base água.

O mercado – A pluralidade do silicone se traduz em aplicações das mais diversas. Aqui o clichê se faz necessário porque o céu é o limite. As suas características o tornam fonte inesgotável de novos produtos. Como observa Renata: “a química do silicone é extremamente versátil, pois podem ser feitas infinitas combinações com seu polímero”.

Dito isso, é fácil entender por que o silicone está presente em mercados tão diversos. Vianna aponta que historicamente as aplicações nos segmentos de agricultura, saúde, têxtil, personal care, automobilístico e construção civil são os de maior demanda. Recentemente, aplicações em outros setores, como telecomunicações e eletroeletrônicos também vêm se destacando na América Latina.

Uma demanda aquecida, na opinião de Everton Luis Marion, gerente de negócios de Coating Additives da Evonik, é a do mercado de silicones para formulação de tintas. “Ele apresenta importante crescimento já há alguns anos, impulsionado pela necessidade de produtos de alto desempenho e maior valor agregado para tintas e revestimentos de diversos segmentos”, comenta Marion. Além disso, estes insumos atendem às atuais exigências em relação à sustentabilidade e às formulações com tintas solúveis em água, por cura UV e com alto teor de sólidos.

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Marion: demanda no Brasil está aquecida, mas ainda é baixa

A área de saúde também tem demanda aquecida. Freire aponta que em decorrência da Covid-19, o mercado passou a prestar mais atenção nos itens confeccionados em silicone voltados ao setor, como tubos, balões de respiração e peças de respiradores, entre outros. “Durante a pandemia, conseguimos enxergar a importância da tecnologia do silicone no segmento de etiquetas autoadesivas junto com os elastômeros para as peças médicas, que tiveram um crescimento”, acrescenta Freire.

O mercado, no geral, tem muito espaço para crescer. Estimada em US$ 250 milhões, a indústria nacional de silicone movimentou cerca de 70 mil toneladas em 2019, o que, segundo Vianna, representou um crescimento de 3% em relação a 2018. Mas ainda assim o setor está muito aquém de seu potencial. O consumo per capita por aqui, comparado ao de países mais desenvolvidos, é três vezes menor.

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Para Renata, o Brasil tem um grande mercado interno, cuja demanda por bens e serviços está reprimida, uma situação que se alastra desde a crise de 2016. É fácil entender os porquês. Uma das justificativas se refere ao fato do silicone ser um insumo de alto valor. Ou seja, está atrelado ao crescimento do PIB e a um aumento do poder de compra do consumidor.

Um entrave do setor diz respeito à regulamentação técnica que ainda é insuficiente no Brasil. Nota-se falta de fiscalização das regulamentações existentes para a utilização de produtos de silicone, principalmente os que são empregados em aplicações que estão em contato com alimentos e na construção civil, como cabos resistentes ao fogo. “Muitos produtos finais chegam ao Brasil com preços extremamente baixos, que inibem a participação da indústria local. A regulamentação existe, em muitos casos, e está em discussão pelo Mercosul, mas ainda falta fiscalização”, afirma Renata.

Para ela, outro problema diz respeito ao alto imposto de importação de alguns intermediários utilizados pela indústria. Apesar de não haver fabricação local ou similares produzidos no Brasil, os impostos podem chegar a 14%, inibindo a adoção de produtos inovadores, utilizados em outros países. “Ao final, o que observamos é um ciclo infinito – o mercado não cresce porque alguns produtos têm carga tributária alta; a demanda existente não é suficiente para justificar investimento em produção local, e por aí vamos”, conclui.

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