QUÍMICA.com.br – O Portal da revista Química e Derivados


Calor Industrial

SHIP: Onde a economia encontra a sustentabilidade

Quimica e Derivados
27 de janeiro de 2019
    -(reset)+

    Química e Derivados, SHIP: Onde a economia encontra a sustentabilidade

    Introdução

    O SHIP (Solar Heat for Industrial Processes), ou Calor Solar para Processos Industriais, é uma tecnologia capaz de trazer vários benefícios para o setor industrial, mas só recentemente conseguiu se demonstrar viável também do ponto de vista financeiro, trazendo economias de até 71% sobre o kWh-térmico gerado pela da queima de combustíveis fósseis.

    O objetivo deste artigo é mostrar um panorama da matriz energética industrial brasileira, com foco em alternativas limpas aos combustíveis fósseis utilizados na geração de calor de processo (gás natural, GLP e diversos óleos combustíveis). Além disso, vamos abordar cenários envolvendo a utilização de tecnologias solares em substituição a alguns dos combustíveis mais utilizados dessa matriz, seus prós e contras, as possibilidades existentes para a indústria se tornar mais competitiva e blindada em relação às flutuações nos preços dos combustíveis e fatores que influenciam na viabilidade técnico-financeira da escolha correta de uma dessas tecnologias.

    Química e Derivados, SHIP: Onde a economia encontra a sustentabilidade

    Com o conceito de Indústria 4.0 sendo cada vez mais abraçado, o planejamento da produção será feito de modo muito mais eficiente, baseando-se em maior e mais qualificada aquisição de dados, cuja interpretação será de grande importância para o aumento de lucratividade e competitividade do setor. Esses ajustes finos, somados ao aumento de eficiência energética e à utilização de fontes geradoras solares que permitem prever a longo prazo seu custo de energia, permitirá uma previsibilidade de gastos operacionais e tornará seu planejamento estratégico muito mais preciso.

    Tecnologias termossolares, como coletores planos, de tubos à vácuo e concentradores diversos são cada vez mais utilizados mundialmente para fornecer água quente e vapor até 400°C (baixa e média temperatura – BT e MT).


    Panorama energético-industrial brasileiro

    A análise dos dados anuais do Balanço Energético Nacional mostrou os quatro segmentos industriais com a maior demanda de calor nessas faixas de temperatura abaixo de 400°C, elencando aqueles mais adequados para o uso do Aquecimento Solar para Processos Industriais (SHIP): alimentos e bebidas, papel e celulose, químico, têxtil e couro. (Solar Payback, 2018)

    • O gasto de energia no setor industrial quase duplicou desde 1990, passando de 43,5 Mtep (milhões de toneladas equivalentes de petróleo) para 84,2 Mtep, fato que chama atenção para a necessidade de medidas de redução de custos e de energia (ver item 1.3).

    • A energia em forma de calor predomina no consumo energético do setor industrial, enquanto o de eletricidade permaneceu estável nos últimos 20 anos com apenas 20 % de participação. Portanto, para atingir a estimada meta nacional de redução de emissões no setor industrial (redução de 30 %, até 2030), precisa se concentrar nas medidas de eficiência da demanda de calor.

    Química e Derivados, SHIP: Onde a economia encontra a sustentabilidade

    • O SHIP pode economizar uma quantidade significativa de custos com combustíveis ao longo dos 20 anos de sua vida útil dos equipamentos.

    • A menos que a biomassa tenha um custo logístico muito alto, não há viabilidade econômica de substituí-la por fontes termossolares, de forma que, em meu estudo, tal viabilidade se verifica quando há utilização de combustíveis fósseis e eletricidade.

    • Benefícios adjacentes do SHIP também devem ser considerados, como incremento nos índices de sustentabilidade e valorização dos papéis negociados na bolsa, reconhecimento social, valorização da marca, blindagem contra flutuações no custo de combustíveis, acesso a incentivos regionais, etc.

    Dos combustíveis fósseis, o gás natural é o de menor custo. Mesmo assim, de acordo com a Empresa Brasileira de Energia (EBE), entre 2007 e 2016 houve um aumento de 147% em seu custo. De acordo com suas previsões, a expectativa é que, superada a crise econômica, o Brasil tenha de importar entre 94 milhões e 122 milhões de m³/dia de gás natural, ou seja, mais que dobrar as importações de gás natural nos próximos 10 anos. (CNI, 2016)



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *