Setor de pigmentos: Consumo pede insumos mais amigáveis

Consumo em elevação pede insumos cada vez mais amigáveis ao meio ambiente

– Setor de pigmentos: É difícil imaginar o mundo sem as cores, ainda mais quando elas atraem pelo brilho, luminosidade ou fluorescência. Sendo um dos componentes básicos da coloração, os pigmentos são substâncias que além de tingir, também proporcionam cobertura, opacidade, resistência, entre outras propriedades.

Segundo pesquisa da empresa de consultoria Fact.MR, dos Estados Unidos, espera-se que o mercado de pigmentos, tanto commodities quanto especiais, cresça nos próximos anos devido ao aumento da demanda das indústrias de uso final, como tintas, revestimentos, plásticos e impressão, passando de US$ 39,8 bilhões (2023) para US$ 67,4 bilhões até o final de 2033, a uma taxa composta de crescimento anual de 5,4%.

Entre os fatores apontados para esse desempenho, estão o crescimento da indústria de construção, o aumento da urbanização e a crescente demanda por produtos duráveis e esteticamente agradáveis.

Por outro lado, a indústria química vem se empenhando em oferecer pigmentos seguros e amigáveis ao meio ambiente, tendo por meta a redução da pegada de carbono.

O desenvolvimento de pigmentos híbridos (orgânicos/inorgânicos) para acentuar a cor; aditivos de pigmentos orgânicos e naturais em substituição aos sintéticos, com baixo teor de VOC (compostos orgânicos voláteis), isentos de metais pesados; e o emprego da nanotecnologia para criar pigmentos com propriedades únicas, estão entre as tendências apontadas na pesquisa da Fact.MR.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), por sua vez, apontou crescimento de 2% nas vendas físicas em 2023 e projeta para 2024 desempenho semelhante, com destaque para o setor das tintas imobiliárias que puxou a demanda com crescimento de 1,8%, e tintas industriais com 2,5%.

Setor de pigmentos: estoque garantido


Givanildo Ferreira, gerente de vendas e marketing de pigmentos inorgânicos para a América Latina da Lanxess, empresa de origem alemã de especialidades químicas presente em mais de 30 países e com fábrica no Brasil, diz que 2023 foi um ano desafiador para todo o setor químico.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Ferreira: óxidos de ferro são eficientes e também seguros

“A desaceleração dos mercados no último trimestre de 2022 manteve os estoques de matérias-primas dos clientes elevados nos primeiros meses de 2023, com um consequente impacto na demanda. Já o segundo semestre marcou a retomada do mercado, com os clientes reportando níveis de estoque de matéria-prima normais, mas ainda em um ritmo menor do que o esperado para o período. Em 2024, temos boas perspectivas de crescimento a partir do segundo trimestre, com os possíveis efeitos positivos de uma menor taxa de juros, inflação mais controlada e mais acesso ao crédito, questões muito importantes para todos os setores, em especial o da construção e automotivo.”

A questão ambiental hoje é determinante para a competividade da indústria química, sendo assim, as certificações EPD (Environmental Product Declarations ou Declarações de Produtos Ambientais Verificados) são um grande trunfo em meio à concorrência global.

“A Lanxess foi a primeira produtora de óxido de ferro a possuir a certificação ambiental EPD concedida à linha Bayferrox, atestando a transparência em relação ao perfil ecológico de nossos pigmentos que faz a diferença para o mercado de tintas. Assim, olhamos para o futuro como fornecedores de matérias-primas com o objetivo de ajudar a melhorar as avaliações do ciclo de vida de produtos para a indústria da construção, tintas, papel, entre outros setores, que utilizam os nossos produtos”, destaca o executivo.

Ferreira explica que os pigmentos de óxidos de ferro são considerados mais amigáveis ao meio ambiente em comparação com os pigmentos de dióxido de chumbo devido à sua atoxicidade, menor impacto ambiental, conformidade com regulamentações, facilidade de descarte e reciclagem.

“Enquanto os óxidos de ferro são seguros, o dióxido de chumbo pode causar danos à saúde e ao meio ambiente. A substituição de pigmentos de dióxido de chumbo por óxidos de ferro promove práticas mais sustentáveis e alinhadas com preocupações relacionadas à saúde pública.”

No que se refere à redução da pegada de carbono, Ferreira diz que essa busca vem da exigência dos consumidores finais, em especial no setor de construção, o que tem movido, por exemplo, a indústria do cimento e do aço a apresentar produtos diferenciados para esse segmento.

“A Lanxess foi a primeira empresa a receber do governo chinês o certificado National Green Plant para as instalações de Ningbo, cujo processo de produção patenteado Ningbo Process permite produzir os óxidos de ferro vermelho mais ecológicos da China. Se cada fábrica utilizasse essa tecnologia de processo, a redução de gases de efeito estufa seria equivalente ao total de emissões de CO2 anuais de 300 mil domicílios chineses.”

Sobre as aplicações que mais consomem pigmentos no Brasil e a situação do abastecimento, ele aponta as indústrias de tintas, plásticos, cerâmicas, têxteis e impressão como as de maior demanda.

“A dependência de insumos importados pode ser afetada por diversos fatores como acordos comerciais, logística, flutuações cambiais e questões geopolíticas. Estes fatores tiveram influência no mercado brasileiro em 2023, sendo que, no segundo semestre, já tivemos uma leve retomada do mercado. Ainda assim, a companhia, com toda sua operação global, tem seus estoques devidamente planejados e total capacidade para manter o abastecimento de seus clientes da indústria nacional”.

A Aromat distribui no mercado nacional pigmentos diversos, óxidos de ferro e uma ampla linha de solventes.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Rosa: há alternativas para produtos sintéticos agressivos

“Com um crescimento esperado de 2% no mercado de tintas, que é um dos principais segmentos no qual atuamos, nossa estratégia envolve diversificar as linhas de produtos. É crescente a oferta de matérias-primas que possam proporcionar tintas e revestimentos ecologicamente corretos, feitos com ingredientes naturais e com baixo teor de VOC. Por isso, nossa expectativa é positiva no contexto de crescimento e de oferta de produtos importantes para o setor produtivo de tintas como um todo”, relata o gerente técnico da empresa, Fernando R.S. Rosa.

Os solventes derivados do petróleo potencializam o desempenho das tintas, entretanto, há uma crescente exigência para a sua substituição, visando a redução de pegada de carbono.

“Avanços na tecnologia de produção e formulação de pigmentos permitiram o desenvolvimento de alternativas sustentáveis, como pigmentos que podem ser dispersos em água, pigmentos de baixa toxicidade, que oferecem excelente desempenho sem comprometer a qualidade e com menor consumo de energia durante seu processo.”

Na linha de pigmentos, a Aromat distribui óxidos de ferro sintético nas tonalidades vermelho, amarelo e preto que são fabricados pela Hyrox, uma das grandes fabricantes da Ásia.

“Esses pigmentos são utilizados em várias aplicações devido à sua excelente estabilidade química, resistência à luz e durabilidade, sendo empregados em uma ampla gama de cores duradouras em paredes internas e externas, bem como em superfícies de madeira, metal e concreto. Sua capacidade de resistir ao desbotamento causado pela exposição ao sol e às intempéries os torna uma escolha muito importante para aplicações residenciais e comerciais”, acrescenta o gerente técnico.

Ele confirma que há no mercado de tintas, uma procura cada vez maior por pigmentos de efeitos e micronizados. “Esses pigmentos oferecem efeitos visuais únicos, como brilho, cintilação, iridescência, metamorfose e fluorescência, que agregam valor. A Aromat tem trabalhado fortemente no desenvolvimento dessa linha e, possivelmente em 2024, poderemos lançar produtos para esse segmento.”

Com relação às importações, Fernando Rosa diz que a política de estoques para pigmentos orgânicos e inorgânicos exige uma abordagem estratégica e cuidadosa.

“É essencial monitorar de perto as tendências do mercado e prever a demanda. Temos condições de armazenar grandes volumes de produtos com qualidade, seguindo todos os padrões de processo, uma vez que os ensaios referentes à cor e performance são testados em nossos laboratórios, garantindo assim a melhor experiência possível.”

Híbridos e brilhantes

A Colormix Especialidades prevê um aumento de vendas no setor de tintas no ano de 2024, comparado a 2023, acompanhando a melhora da economia no decorrer dos próximos meses.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Silva: inorgânicos avançados substituem metais pesados

“Com o aumento de volume nos segmentos de tintas decorativas e tintas industriais, acreditamos que a procura por pigmentos orgânicos e inorgânicos apresentará bons resultados”, revela o diretor técnico Diogo Lima da Silva.

A Colormix representa a Vibrantz, distribuidora de pigmentos inorgânicos de performance da linha Eco-Lysopac, que foi lançada para substituir os pigmentos de metais pesados (cromatos e molibdatos) por pigmentos híbridos, com a mesma qualidade.

“Por ser um produto de troca simples, a aceitação tem sido acima de nossas expectativas. A Serie 99 dos Eco-Lysopac está direcionada ao mercado de tintas líquidas base água e solvente, já a Série 98 e a Série 66 foram projetadas para atender os segmentos de tintas em pó e termoplásticos, nos quais há exigências de temperatura no processo.”

A Colormix também fornece pigmentos de efeitos metálicos e perolados da Eckart, na forma em pó, e concentrados em pasta ou pellets. Os diferentes tipos de pigmentos de alumínio proporcionam desde os efeitos metálicos tradicionais até os efeitos cromados, de brilho superior.

“Na linha de pigmentos bronze, abrangemos todas as tonalidades tradicionais e as cores especiais. No caso da linha Symic, de pigmentos perolados sintéticos e da Luxan, de pérolas de vidro, ambas proporcionam efeitos diferenciados, com alto croma e brilho”, diz Silva, acrescentando que o portfólio da Colormix inclui produtos para aplicações nos mais variados sistemas de pinturas industriais e automotivas, sejam eles de base solvente ou aquosa, bem como para tintas em pó.

“No momento os nossos fornecedores de pigmentos estão trabalhando em busca da certificação ZDHC. A linha Eco-Lysopac possui composição híbrida, que contempla pigmentos orgânicos e inorgânicos na mesma composição. Ela tem como principal característica a altíssima qualidade e, na área de sustentabilidade, visa a redução do impacto ambiental e o cumprimento do programa ESG.”

Com relação ao abastecimento, Silva afirma que “devido à Covid-19, guerras e outras questões políticas, até o primeiro semestre de 2023 enfrentamos dificuldades com insumos nos mercados internacionais. Entretanto, podemos considerar que o abastecimento referente aos fornecedores da Europa, Ásia, África e América do Norte, estão estáveis no momento.”

Harry Heise, diretor da Forscher Colours & Effects, distribuidora de pigmentos, resinas e aditivos, também está confiante com o mercado de tintas em 2024. “A expectativa é que haja um bom desempenho especialmente em tintas decorativas e automotivas. Os pigmentos de alta performance da Forscher, como quinacridonas, isoindolinonas, disazos, DPP, são essenciais para aplicações que requerem cores vivas, alta resistência à luz, ao calor e estabilidade química; isso os torna ideais para tintas automotivas, industriais, revestimentos de alto desempenho e aplicações em que a durabilidade é crucial”.

No segmento de efeitos especiais, Heise afirma que os pigmentos perolados, especialmente os de “efeito camaleão”, estão ganhando popularidade em tintas decorativas, devido à sua resistência à luz e às intempéries, enquanto no setor automotivo os perolados de alta resistência continuam sendo uma escolha popular. Na linha de pigmentos sustentáveis, a Forscher está oferecendo uma gama de alta performance que substitui cromatos de chumbo prejudiciais, como PY 110, PY 139, PY 151, PY 154, PY 184, PO 73, PR 254, além de uma gama de óxidos de ferro.

“Essas alternativas não só atendem às regulamentações ambientais mais rigorosas, mas também às expectativas dos consumidores por produtos mais seguros e ecológicos”, enfatiza o diretor, acrescentado que a Forscher fornece pigmentos que permitem a formulação de tintas sem solventes derivados de petróleo e com baixa pegada de carbono, sem comprometer o desempenho ou a qualidade, mantendo a competitividade de preços.

Harry Heise informa que a empresa tem solidificado sua posição no mercado de tintas e revestimentos mediante parcerias estratégicas. “A colaboração com a Basf, utilizando linhas como EFKA, Reovis, Dispex, etc., demonstra nosso compromisso com a qualidade e inovação. Notavelmente, a parceria com a Dhanveen, reconhecida como o maior fabricante do mundo de verdes de ftalocianinas; e a Oxerra, líder mundial na produção de óxidos de ferro, confirmam o empenho da Forscher em fornecer pigmentos de alta performance e sustentáveis.”

Empresa global, fundada na Alemanha, a Merck tem 350 anos de história no desenvolvimento da química nas áreas de Life Science, Eletrônicos e Cuidados com a Saúde, para as quais oferece uma gama de produtos especializados, entre os quais pigmentos de efeitos que dão cor e brilho para diversas aplicações industriais. No Brasil, a Merck está presente desde 1923.

Leonardo Cerqueira Lima, gerente de marketing para Electronics na Merck, considera o mercado brasileiro de tintas muito importante para os negócios de pigmentos especiais.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Lima: pigmentos de efeito ganham espaço nas formulações

“Observamos que, cada vez mais, os pigmentos de efeito estão aumentando a participação nas formulações. O setor automotivo é sem dúvida o que deverá impulsionar o desempenho este ano nesta categoria. Nossa expectativa é muito positiva. Estamos preparados para crescer ainda mais em 2024, acompanhando a retomada do crescimento industrial brasileiro.”

Lima destaca que o mercado busca aliar estética à funcionalidade e as inovações, no médio e longo prazo, devem ampliar as possibilidades de design no desenvolvimento de produtos para ajudar a indústria a criar artigos mais avançados e ao mesmo tempo, favorecer o processo produtivo.

“Em termos de sustentabilidade, os pigmentos de efeito são muito interessantes. Grande parte deles hoje tem a mica natural como substrato. Além disso, são utilizados em baixíssima concentração. Quando pensamos no impacto ambiental dos processos envolvendo tintas, a contribuição dos pigmentos de efeito é praticamente nula”, salienta.

Segundo Lima, todos os pigmentos da Merck são importados e direcionados principalmente para os setores de coatings, cosméticos, plásticos e impressão. Entre os produtos da empresa, ele destaca os pigmentos perolados da linha Spectraval, que tornam possível a impressão RGB com efeitos visuais diferenciados. “O resultado são impressões que captam literalmente a luz, fazendo com que a imagem impressa apareça com brilho e profundidade extraordinários”. Em relação à sustentabilidade e baixa pegada de carbono, Lima ressalta que a Merck fez um estudo recente de cálculo das emissões de carbono e consumo de água na sua produção de pigmentos. “Todos os nossos pigmentos são produzidos com altos padrões de qualidade para garantir o melhor desempenho do mercado. Além disso, a Merck estabeleceu metas agressivas de redução desses índices para os próximos anos.”

A companhia possui fábricas de pigmentos de efeito nos EUA, Alemanha e Japão, mas, devido às últimas crises globais, tem-se observado um aumento significativo nos custos de logística. “De maneira geral, os insumos tiveram elevação de custo, mas, apesar disso, os preços dos pigmentos especiais estão competitivos e podemos considerar a cadeia estável.”, finaliza Lima.

Leia Mais

Setor de Pigmentos: reposicionamento de mercado


Nos últimos anos, fabricantes globais de produtos químicos realizaram grandes operações de negócios, visando não apenas a redução de custos, mas também a união de forças para ganhar escala e complementar linhas de produtos. A mais recente transação foi anunciada em fevereiro de 2023 pela Archroma, líder global em especialidades químicas e soluções para indústrias como têxteis, embalagens, tintas e revestimentos, que concluiu a aquisição da Huntsman Textile Effects. A Clariant, que em 2014 iniciou o reposicionamento de seu portfólio, concluiu, em 2022, a venda de seu negócio de Pigmentos para o consórcio Heubach Group e SK Capital Partners, dando origem à Heubach, uma companhia independente, com foco no mercado de pigmentos e preparações. A Heubach está presente globalmente com 19 plantas produtivas na Europa, nas Américas, na Ásia, na África e no Brasil, cujas instalações apresentam cadeias de fornecimento de matérias-primas robustas e flexíveis.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Burai: clientes industriais buscam simplificar processos

Nivio Burai, técnico de desenvolvimento da Heubach, comenta que “2024 tem apresentado um mercado muito dinâmico, demonstrando boas perspectivas de crescimento. Observamos demandas muito direcionadas a novas aplicações como can coatings, vidros, telhados, eletrodomésticos, parques eólicos e tintas para exterior; muito alinhadas com a sustentabilidade (livres de halogênios, emissão de CO2, baixo VOC e alta performance), nas quais temos um portfólio de produtos desenvolvidos para atendimento destas tendências.”

Segundo Burai, os setores da indústria têm buscado reduzir complexidades, otimizar processos e, com isso, diminuir custos, mantendo qualidade e aumentando a rentabilidade, tendo como solução os produtos prontos para uso como as preparações de pigmentos. “Os pigmentos e preparações produzidos pela Heubach atendem a diversas aplicações – desde pinturas internas e externas até aplicação automotiva, bem como coloração de plásticos, proteção contra corrosão, produtos farmacêuticos, colorantes para sementes e outros.”

Entre as inovações da Heubach estão o Colanyl IR, preparações de pigmentos reflexivos, que tem como funcionalidade a diminuição de absorção térmica, com formulação baixo VOC e de alto desempenho. Outro exemplo é o foco na economia circular com solução de colorantes Graphtol Preto CLN, Solvaperm Preto PCR e Polysynthren Preto H, para reciclagem de plásticos com detecção infravermelho; e uma linha de preparação de pigmentos livres de halogênios (Hostatint A 100 ST) para aplicações de eletroeletrônicos que não contaminam o meio ambiente quando descartados.

Para atender a indústria de tintas que demanda produtos livres de metais contaminantes, a Heubach oferece soluções exclusivas como Heuco Fit LR, uma preparação de pigmentos de substituição direta de amarelo de cromo e vermelhos de molibdato, isentos de metais pesados, mas com a mesma qualidade; e Tico, uma nova classe de preparações de pigmentos amarelos, laranja e vermelhos de alto desempenho para substituição de metais pesados.

“Essas preparações de pigmentos quimicamente híbridos (inorgânicos/orgânico) exibem excelente opacidade, resistência térmica, química e contra intempéries, sendo de fácil dispersão e alta durabilidade.” O técnico também destaca que é possível oferecer pigmentos de performance com baixa pegada de carbono. “Temos produtos certificados com a quantidade de kg CO2/kg, que comparado com a média da indústria, resulta de 15% a 50 % menos de CO2 emitido ao meio ambiente. Nossos processos são monitorados com metas bem claras de diminuição de CO2.”

Após o negócio global de pigmentos da Basf (BCE) ser adquirido, em 2023, pela Sun Chemical, a IMCD se manteve como distribuidora exclusiva de pigmentos da Sun Chemical Brasil, oferecendo uma grande variedade de pigmentos orgânicos, inorgânicos, diversos tipos de pigmentos metálicos e de efeito perolado. Agnes Muciacito, gerente de Pigments South America, de Coatings & Construction e Advanced Materials, revela que 2023 foi bastante desafiador no mercado brasileiro.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Agnes: SunChemical incorporou linha da Basf e ampliou portfólio

“Muitos setores da indústria permaneceram flat e até mesmo o crescimento do PIB mostra que o que moveu o Brasil foi o setor agropecuário. Acredito que em 2024 teremos um ano semelhante de oportunidades em alguns mercados. Creio que a construção civil deve recuperar seu crescimento e o setor automotivo deve incrementar a produção”.

A IMCD oferece, do portfólio da Sun Chemical, as linhas de melhor performance e durabilidade da marca.

“Gostaria de enfatizar, na gama de pigmentos orgânicos, as linhas Cinquasia, Cromophtal, Sunfast, Irgazin, Paliotol, Paliogen e Spectrasense para setores industriais e automotivos e Sunbrite, Heliogen, Fastogen, adicionais ao mercado de tintas de impressão. Temos ainda uma linha de produto híbrido chamada Paliotan VIU, que torna possível substituir os pigmentos com chumbo por apenas um produto; esta inovação auxilia e atende a necessidade de se diminuir o tempo nestas reformulações das cores. Ainda há um grande uso de pigmentos com metal pesado no mercado, mas acreditamos que o movimento de substituição é irreversível para mantermos o equilíbrio entre sustentabilidade, saúde e meio ambiente.”

Agnes acrescenta que a IMCD trabalha com produtos provenientes de todos os continentes. “Ainda existe algum desvio no abastecimento de certos itens, mas estamos conseguindo driblar as dificuldades e abastecer o mercado de forma sustentável. Problemas logísticos são sempre imprevisíveis e os conflitos armados ao redor do mundo também impactam nas produções internacionais. Hoje ainda vemos algum impacto de custo de energia na Europa e aumentos de fretes marítimos e aéreos.”

Dispersões pigmentárias

Quem também comemora bons resultados de vendas é a brasileira Sintequímica, que completa 70 anos em 2024.

Tintas e revestimentos: Consumo pede insumos mais amigáveis ao meio ambiente ©QD Foto: Divulgação
Macedo: dispersões base água oferecem alta compatibilidade

“O ano passado foi de claro crescimento do setor de tintas no Brasil. Neste setor, a Sintequímica vendeu 30% mais pigmentos em 2023, comparado ao ano anterior. E o mercado está otimista para 2024, o que nos faz ter convicção que teremos outro ano muito bom neste setor vital para a economia e nossa empresa”, relata Marcelo A.L de Macedo, diretor comercial Latin America.

Ele afirma que a busca por dispersões pigmentárias vem crescendo no mercado de tintas em razão dos custos que se tornaram mais competitivos. “Ao migrar para as dispersões, o fabricante de tintas terceiriza todo este trabalho, antes feito internamente, para uma empresa em que ele confia e passa a direcionar seus recursos somente para o seu produto”, comenta.

Macedo também confirma a crescente demanda pela redução de compostos orgânicos voláteis por parte da própria indústria de tintas.

“As dispersões a base de água da nossa marca Sinterdye possuem alta concentração de pigmentos e teor reduzido de VOC; além disso, são compatíveis com diversas bases e resinas usadas no mercado. Mesmo no sistema tintométrico, em que a coloração de tintas é promovida no ponto de venda e assim requer pigmentos com mais aditivos umectantes, nossa linha Sintetint TT foi desenvolvida para dosagem de menores quantidades dos concentrados tintométricos, reduzindo a carga incorporada à tinta.”

Entre as novidades da Sintequímica para pigmentos de performance, o diretor cita a linha Sintecoat para o tingimento de granilhas – produzida na unidade da companhia em Caieiras-SP – que permite a fixação das cores, podendo as cargas coloridas serem misturadas, proporcionando efeitos que antes eram muito difíceis de ser conseguidos neste tipo de superfície. Além disso, diz Macedo, o produto permite ao fabricante de tintas e texturas uma total reprodutibilidade de cores, com alta resistência ao atrito.

“Para 2024, esperamos aumentar a capacidade em 25% mediante os investimentos já em curso. Trabalhamos com altos estoques de matérias-primas e dessa forma conseguimos atender em dia o aumento da demanda, tanto de nossos tradicionais clientes, quanto dos novos, seja no Brasil ou na América Latina. Chegar aos 70 anos de mercado é motivo de muito orgulho para a Sintequímica. Nossa empresa foi a pioneira na fabricação de dispersões de pigmentos e nunca parou sua produção em nenhum ano de sua história. Enfrentamos grandes adversidades com inúmeros planos econômicos e tivemos que nos adaptar ao mercado. Somos muito gratos aos nossos clientes, colaboradores, fornecedores e todos que nos ajudaram a chegar a esta marca com muito trabalho e idoneidade”, finalizou.

Veja Também

Não deixe de consultar o Guia QD, maior plataforma eletrônica de compras e vendas do setor, com mais de 300 mil consultas mensais por produtos e mais de 400 anunciantes ativos. Nele você encontra os principais fornecedores de pigmentos!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.