Setor de limpeza cresce mais nos últimos anos – ABIPLA

Setor cresce 160% mais que a indústria nos últimos cinco anos

Além do crescimento na produção, setor de limpeza tem ampliado compromisso com a população e se envolvido em campanhas de conscientização contra os riscos das misturas caseiras e dos produtos clandestinos.

Por conta da atuação da Abipla, que implica, além da defesa da saúde pública, a elaboração de estudos a fim de compreender os desafios do setor de produtos de limpeza no Brasil, é comum trabalharmos com dados de desempenho industriais e setoriais. Recentemente, analisamos o balanço dos últimos cinco anos e uma das informações chamou a atenção: a alta na produção acumulada do setor de limpeza desde 2018 foi 160% maior que o crescimento geral da indústria no período. Em números, enquanto a indústria brasileira cresceu pouco menos de 2% nos últimos cinco anos, o setor de saneantes acumulou evolução de 5,2%.

Claro que o ramo industrial é bastante vasto e chega a ser corriqueiro que os setores apresentem resultados divergentes, mas o que chama a atenção é a consistência com que nosso setor cresce. Para exemplificar, ao analisar, ano a ano, desde 2014, em apenas duas oportunidades o setor de saneantes cresceu menos do que a indústria geral: em 2021 e em 2022. E até isso é facilmente explicado pelo contexto, já que, em 2021, a indústria brasileira vinha de uma queda de 4,5% no ano anterior, então era natural uma recuperação mais acentuada, já que nosso setor fechou 2020 em estabilidade, enquanto, em 2022, a pressão de preços na fabricação de saneantes minou qualquer possibilidade de crescimento da produção em nosso setor.

Mas, o que nos leva a apresentar números tão acima da categoria econômica na qual estamos inseridos? Tecnologia, eficiência, mão de obra qualificada e investimentos em áreas e produtos estratégicos fazem parte do dia a dia de toda a indústria brasileira, de diferentes segmentos, o que então não justificaria um desempenho tão díspar em relação à indústria de saneantes. Acredito que um dos diferenciais da indústria de produtos de limpeza seja, sem dúvida, sua grande capacidade de inovar em produtos incorporados, culturalmente, como essenciais e já consolidados como parte integrante da SAÚDE PÚBLICA da nossa população, que agregou o rigor da limpeza e sanitização como itens essenciais em seu cotidiano. E a nossa indústria leva muito a sério essa responsabilidade de conectar esse compromisso com a maior inovação tecnológica possível, sem impactar o meio ambiente. É nessa relação de equilíbrio e de parceria com o consumidor, voltados à saúde pública, que nos baseamos para continuar crescendo.

E é por essa mesma razão que tanto nos preocupamos e combatemos a proliferação das chamadas misturas caseiras e dos produtos clandestinos ou ilícitos, que tantos males podem causar à saúde e à economia do nosso País.

Por isso, lançamos, em parceria com o CFQ – Conselho Federal de Química, a campanha “Mistura Explosiva”, cujo conceito é difundir, por meio de um jogo de tabuleiro, os riscos que misturas de produtos de limpeza podem provocar à saúde ou mesmo à economia de quem os utiliza, pela ineficácia de seu resultado. Tal campanha nos concedeu o segundo lugar no Prêmio Marco Maciel, realizado no Distrito Federal, no final de agosto. Da mesma forma, apoiamos a Frente Parlamentar da Química e o IDQ- Instituto de Desenvolvimento da Química quando promoveram, no último dia 13 de setembro, uma salutar discussão sobre o “Combate ao ilícito na cadeia produtiva da indústria química”, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

Setor de limpeza: Evolução constante

Um detergente de lavar roupas é algo trivial no nosso dia a dia, mas pouca gente se dá conta que é um nicho de nossa indústria que vive em constante reinvenção. Todos os anos, novas fórmulas chegam ao mercado, trazendo enzimas que tiram manchas e deixam as fibras mais maleáveis após a lavagem. Produtos específicos para máquinas de abertura frontal ou que conseguem preservar ainda mais os tecidos têm sido desenvolvidos, aumentando sua vida útil (o que contribui até para o desenvolvimento sustentável, já que roupas usadas por mais tempo significam menor descarte de resíduos). Isso vale para todas as categorias de produtos de limpeza: desengordurantes, limpadores, desodorizadores de ambientes, entre outros.

Outro ponto de destaque é que as empresas do nosso setor têm muito sucesso em entender o consumidor e criar produtos que atendam seus anseios e que, rapidamente, ganham popularidade. Os bactericidas, altamente tecnológicos, em tubos spray, por exemplo, são produtos relativamente recentes, mas que já fazem parte do cotidiano de milhares de brasileiros.

Da mesma forma, os produtos multiuso, que podem, ao mesmo tempo, limpar, desengordurar e perfumar um ambiente têm crescido a margens bastante interessantes, representando a busca pela praticidade, que é uma tendência dos dias atuais.

Além dos domicílios e ambientes empresariais, a importância dos produtos de limpeza é múltipla para a saúde pública, em geral, como já citamos. Sabemos que ambientes e superfícies limpos significam menor risco de contaminação de uma infinidade de doenças. Nosso setor, fornece, por exemplo, os produtos para as estações de tratamento de água e para a desinfecção de utensílios médicos e hospitalares. Por isso, fomos considerados setor essencial durante a pandemia, quando nossa indústria conseguiu manter o abastecimento pleno de saneantes em todos os cantos do País.

Muito mais pela frente

Com tudo isso, em 2023, ao que tudo indica, devemos recuperar uma boa parte da queda de 5,7% que sofremos em 2022, ocasionada por conta da pressão de preços no setor de limpeza. No primeiro semestre, já apresentamos um crescimento equivalente a essa perda e ainda trabalhamos com a estimativa de que devemos fechar o ano com uma alta de 2% nos índices de produção – mas existe a possibilidade de superarmos este número, podendo chegar a um crescimento maior na comparação com o ano passado. Com a inflação do setor controlada, acredito que retomaremos a trajetória de evolução das últimas décadas, que sempre foi superior à do PIB.

Para finalizar, espero que a indústria brasileira, de forma geral, também retome seu crescimento, pois é uma categoria composta por empresas e profissionais sérios, competentes e de grande importância para o País, pela geração de empregos e riquezas que carrega entre suas responsabilidades com a nação.

Vamos em frente!

Química e Derivados - Desenvolvimento e otimismo no setor de produtos de limpeza ©QD Foto: istockPhoto
Paulo Engler da Abipla

Paulo Engler é diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla). Fundada em 1976, a Abipla representa os fabricantes de sabões, detergentes, produtos de limpeza, polimento e inseticidas, promovendo discussões sobre competitividade, inovação, saúde pública e consumo sustentável. Seus associados representam o mercado de higiene, limpeza e saneantes do Brasil, setor que movimenta R$ 32 bilhões anuais e responde por cerca de 92 mil empregos diretos.

Oportunidades para empreender com saneantes - ABIPLA ©QD Foto: iStockPhoto

ABIPLA

A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA) foi fundada em 12 de Novembro 1976 com o propósito de representar o setor perante os agentes públicos; promovendo discussões sobre competitividade, inovações, saúde pública e consumo sustentável.

Atualmente, a entidade é referência nacional em assuntos regulatórios e tributários, combate à contrafação (clandestinidade) e adequação às normas de proteção ao meio ambiente. Para a sua elaboração, a Abipla se inspirou nas mais modernas tendências globais sobre o tema, com destaque para as seguintes áreas: redução de produtos químicos em geral, redução da geração de embalagens, redução da emissão de gases de efeito estufa, diminuição do consumo de energia e otimização do uso da água.

Em 1995, a entidade também passou a representar o setor junto ao Comitê de Indústrias de Productos de Limpieza Personal, Hogar y Afines Del Mercosur (Coinplan) e, em 2005, junto à Asociación Latino-Americana de Artículos Domisanitários y Afines (Aliada).

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