FCE 2018 – Seminário discute problemas dos testes e padrões de FPS

A propósito, Marcelo Correa, pesquisador da Universidade Federal de Itajubá-MG, defendeu a ideia de que se requer uma fotoproteção diferenciada na América Latina. Mesmo em uma cidade como São Paulo, atingem-se níveis muito altos de UV na primavera, verão e outono. Correa enfatizou que “uma caminhada de 30 minutos, no horário de almoço, pode causar danos à pele”, se não houver proteção. Em certos dias, a radiação solar que atinge o município é a mesma que incide nas praias.

Não à toa, o número de casos de câncer de pele no país (1/3 do total) tem um “caráter epidêmico”. A ocorrência de câncer de pele não melanoma representa mais da metade dos novos casos de câncer.

A benzofenona-3, um filtro prevalente nas formulações, é um agente de risco para o desenvolvimento de alergias. O seu uso é aprovado pela União Europeia com concentrações específicas. Para desfazer o mito de que PS leva à insuficiência de vitamina D, Schalka disse que o correto é tomar sol com PS.

Vania Oliveira de Carvalho, presidente do departamento científico de dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, defendeu a criação de políticas públicas para fomentar o uso adequado de PS, em especial pelas crianças e jovens, já que 50% da radiação que tomamos ao longo da vida acontece do zero aos 18 anos.

Como as crianças de dois a seis anos se expõem a cerca de 3 h/dia ao sol, “devem passar PS mesmo nos dias nublados”, além de usar roupas adequadas, chapéu de abas largas, óculos e ficar na sombra sempre que possível. “Falta divulgar melhor os riscos e benefícios existentes. Vai sair mais caro tratar o câncer depois”, sublinhou.

Na opinião de Rosana Rainho das Neves, consultora e proprietária da Balloon of Insights – Insights ao consumidor, Inovação e Design de Produtos, o consumidor é resistente ao uso de PS. Queixas: o produto é oleoso ou possui textura desagradável; é difícil remover; pode bloquear a vitamina D; há risco de alergia; há dúvidas quanto à efetividade; “sou de pele negra”; “não quero voltar branco da praia”; impede a maquiagem etc.

“Não faltam justificativas para não aplicar o PS”, comentou. O consumidor deseja melhorias nas fórmulas (textura) e na aplicação (que não suje as mãos). Quer um produto mais leve, sem brilho, sem resíduo branco, sem oleosidade, que não seja grudento e possua um cheiro suave.

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