Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

FCE 2018 – Seminário discute problemas dos testes e padrões de FPS

Hamilton Almeida
18 de Maio de 2018
    -(reset)+

    Química e Derivados, Interesse por PS é crescente no setor

    “Se uma empresa fizer o teste de FPS (fator de proteção solar) para qualificar um produto em três laboratórios nos Estados Unidos, vai receber três resultados diferentes. O que fazer?” Esta indagação, formulada por Curtis Allan Cole, presidente da Sun & Skin Consulting LLC, durante o 4º Workshop Itehpec de Fotoproteção, realizado em abril, no auditório da Fiesp, em São Paulo, baliza a problemática que as indústrias de protetores solares têm pela frente.

    A variabilidade das conclusões entre laboratórios é de tal ordem que, segundo Cole, o mesmo produto pode ser classificado com um FPS de 30 a 70. Para melhorar a confiança nos valores FPS, ele sugeriu a adoção de mais padrões e normas para os testes de laboratório, o que demandará maiores custos e mais tempo.

    “Precisamos definir melhor a MED (sigla em inglês de dose eritematosa mínima). Estamos tentando criar uma padronização melhor para ter maior uniformidade nos resultados, pois precisamos de mais precisão nas medições”, observou Cole.

    O simulador solar é o equipamento utilizado em laboratório para determinação do FPS. O espectro de luz dos simuladores é padronizado. Mesmo assim, como ressaltou o expert norte-americano, pode-se esperar pequenas variações que afetam o resultado. E há outros pontos envolvendo a questão, como a sensibilidade da pele, distintas MED etc.

    Segundo maior mercado de sun care do mundo, o Brasil vive, de acordo com autoridades do ramo, uma realidade diversa dos EUA. Admite-se que aqui possam haver resultados discrepantes no cálculo do FPS; as divergências, contudo, não seriam acentuadas. “Os laboratórios mais importantes apresentam valores consistentes e coerentes”, afiançou uma fonte.

    O FPS quantifica a eficácia fotoprotetora de um filtro solar. A FDA, agência regulatória dos EUA, propôs, em 1978, a determinação do seu valor como sendo a razão numérica entre a DEM da pele protegida (fotoprotetor aplicado na quantidade de 2 mg/cm2) e da não protegida. A MED é definida como a menor quantidade de energia necessária para a formação de eritema (vermelhidão).

    Depois disso, outras agências, também elaboraram os seus métodos, como a SAA, da Austrália, a DIN, da Alemanha, a JCIA, do Japão, e a Colipa, da Associação Europeia da Indústria de Cosméticos. A Anvisa aceita as metodologias da FDA e da Colipa, e as suas atualizações.

    Diante de assunto tão complexo, Curtis revelou que, pessoalmente, não recomendaria a colocação de um número de FPS e sim a classificação por categorias de produto (baixa proteção, moderada, alta e ultra).

    As discussões que estão sendo travadas na revisão das normas, buscando a harmonização dos testes, são classificadas como “duras” por Sérgio L. Oliveira, diretor associado da Johnson & Johnson e representante da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) na ISO (International Organization for Standardization).

    Ele explicou que o debate envolve especialistas de todo o mundo e nem sempre é fácil alcançar um consenso. “Em alguns casos, tem sido um pesadelo”, agregou. O país tem tido um papel relevante nos foros internacionais de PS.

    A ISO dispõe, nessa área, de três normas que consolidam padrões internacionais: ISO 24442 – Sun protection test methods – In vivo determination of sunscreen UVA protection; 24443 – Sun protection test methods – In vitro determination of sunscreen UVA protection; e 24444 – Sun protection test methods – In vivo determination of the sun protection factor (SPF).

    Ao falar sobre a importância dos métodos in vitro aplicados a protetores solares, Oliveira destacou que “são rápidos e econômicos, mas ainda precisa ser comprovada a sua correlação com os métodos in vivo”. Ele espera que, até o final de 2019, seja concluída a revisão da 24443.

    “O momento é de muitas discussões em relação às metodologias que poderão impactar a indústria de cosméticos”, resumiu Marina Kobayashi, gerente de inovação do Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Itehpec).

    Setor – O mercado de protetores solares cresce significativamente no Brasil, declarou João Carlos Basílio, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). No ano passado, houve uma expansão em valor e em volume de 1,8%, em comparação com o exercício anterior, movimentando R$ 3,5 bilhões (incluem PS, bronzeadores, protetores labiais e faciais etc).

    O diretor da Medicin Instituto da Pele, Sérgio Schalka, afirmou que os consumidores em geral não fazem um uso adequado do PS. O recomendado é a aplicação de 40g no corpo todo e fazer reaplicações para evitar o câncer e o envelhecimento prematuro da pele. Os dias nublados não devem ser desconsiderados, devido à alta incidência de radiação UV.

    “Os FPS mais altos oferecem uma proteção imediata e de longo prazo e podem compensar o uso inadequado”, acrescentou, sugerindo o uso de FPS acima de 30. Oliveira também frisou a importância de usar FPS elevado no Brasil, porque a radiação UV por aqui é praticamente o dobro da verificada na Europa e dos EUA.


    Página 1 de 212

    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *