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5 de agosto de 2015

Segurança: Marco regulatório deve orientar perfuração de poços no setor offshore

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Segurança em pauta – A questão da segurança offshore, que dever estar na ordem do dia da indústria brasileira de óleo e gás – e de todos os países produtores –, vem sendo enfatizada pela DNV GL, uma das principais consultorias internacionais nessa área.

    Formada pela fusão da norueguesa Det Norske Veritas (fundada em 1864) com a alemã Germanischer Lloyd (fundada em 1867), líderes na área de classificação marítima, certificação de sistemas de gestão e gerenciamento de riscos, a consultoria independente, com operação em mais de 100 países, vem colaborando com órgãos reguladores de diversos países para o aprimoramento da regulamentação de segurança na área offshore, entre outros aspectos.

    No dia 7 de maio, antes do encerramento da Offshore Technology Conference (OTC), maior evento do mundo nesse setor, realizado em Houston (Texas, EUA), a DNV GL Oil & Gas, divulgou o relatório “Regulatory Outlook: The way forward for offshore regulatory safety regimes”. Através de uma série de estudos de casos, o relatório fornece uma visão geral do status atual e de possíveis desenvolvimentos futuros das regulamentações de segurança offshore no Brasil, México, União Europeia, Angola e Austrália, além de países que desenvolvem atividades no ambiente ártico, como os EUA (no Alasca), Canadá, Groelândia, Noruega e Rússia.

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    Além de avaliar cenários possíveis para o aprimoramento desse marco regulatório em distintos países, a equipe de estudos identifica fatores-chave para a redução de riscos de grandes acidentes em cada região. Entre os quais se destacam a implementação de regulamentações de segurança baseada em performance com verificação independente, o gerenciamento avançado das barreiras de segurança e intensificação da troca de informações e experiências entre reguladores e operadores, assim como maior fiscalização e punição mais efetiva no caso dos chamados MAHs.

    “A contribuição da DNV GL como especialista em gestão de riscos consiste em prestar assistência para o entendimento de riscos de grandes acidentes à indústria, que enfrenta ambientes cada vez mais complexos e desafiadores”, destacou Elisabeth Tørstad, CEO da divisão de Óleo e Gás da DNV GL, na divulgação do estudo. “Gostaríamos de ver o aprendizado decorrente de incidentes e grandes acidentes incorporado em regulamentações de segurança, bem como nas práticas operacionais das empresas.”

    Debate fechado – Na semana seguinte à OTC, a DNV GL trouxe o tema para o Brasil, que está entre os grandes produtores de petróleo offshore do mundo, ao promover o seminário Drilling and Well Integrity and Safety & Managed Pressure Drilling (MPD) – Integridade e Segurança de Perfuração e Poços & Perfuração com Pressão Gerenciada. Um evento fechado, com acesso restrito apenas aos convidados e palestrantes, entre os quais executivos e profissionais da Statoil, Petrobras, ANP e IADC (International Association of Drilling Contractors), que representa as principais empresas de perfuração do mundo inteiro.

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    De acordo com Luiz Fernando Oliveira, vice-presidente da DNV GL Oil & Gas e gerente de P&D para a América do Sul, representantes de outras empresas e instituições estavam entre o público do evento, que foi dividido em nove sessões. O intuito foi aprofundar a discussão em torno de técnicas de segurança e perfuração, com foco na manutenção da integridade dos poços e uso de novas tecnologias – como a MPD, tema do evento. Também foram analisados alguns dos grandes acidentes ocorridos no Brasil e no exterior, assim como cases bem sucedidos de aplicação e desenvolvimento de tecnologias de perfuração e sistemas de gestão de integridade de poços.

    “O nosso objetivo foi reunir experiências diversas e o que vem sendo feito no exterior para um debate, pois entendemos que esse é o momento de aprofundar a discussão em torno da segurança, considerando a intensidade da perfuração de novos poços do programa offshore do Brasil. Essa é uma atividade que tem um risco inerente razoavelmente alto”, diz, avaliando que o Brasil concentra o maior número de sondas em operação em um único país (87, em 2014, segundo a ANP).

    Atividade que vem sendo alavancada pelo potencial do pré-sal, que, na avaliação de especialistas, mal começou a ser explorado, uma vez que se estende por 800 quilômetros da costa brasileira. Por isso mesmo, o número de novos poços exploratórios deve crescer exponencialmente em relação aos 117 perfurados na primeira década (de 2005 a março de 2015), com um índice de sucesso de 90%, segundo apresentação feita na OTC pela diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes.

    O mesmo se dá em relação aos poços de produção dos projetos de desenvolvimento dessa nova fronteira, que em maio deste ano, segundo a executiva da estatal, somava um total de 55 poços em 12 sistemas de produção – seis deles de plataformas que estão interligadas a reservatórios do pré-sal e do pós-sal, simultaneamente, pois já estavam operando na Bacia de Campos e tinham capacidade disponível para aumentar a produção. Seis a mais do que a ANP registrou em abril: 49 poços produtores do petróleo do pré-sal, sendo 26 na Bacia de Campos.

    Sem falar em outras bacias que vem atraindo atenção de petroleiras, como é o caso da Bacia de Sergipe-Alagoas (Seal), onde a Petrobras descobriu grandes reservatórios em águas ultraprofundas e hoje tem seis planos de avaliação da descoberta (PAD) em seu programa exploratório para a região.


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