Segurança de Processos – Explosividade de pós

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Química e Derivados - Segurança de Processos – Explosividade de pós - ABEQ ©QD Foto: iStockPhoto

Olá, leitoras e leitores. Escrevo nos primeiros dias de outubro de 2020. Ainda praticando isolamento social, angustiado com efeito de tudo isso nos filhos, consternado com a confirmação de que, para a maioria, educação é estorvo e nunca prioridade. Nesta coluna, dois assuntos: ainda o tema de economia circular; e sobre segurança de processos, especificamente explosividade de pós.

Ainda sobre Economia Circular

Recentemente, duas grandes indústrias químicas anunciaram seus esforços em direção a meios de produção mais sustentáveis. Sobre economia circular, recentemente a Solvay e a Veolia anunciaram uma parceria em um consórcio para oferecer melhor eficiência de recursos para metais essenciais usados em baterias (de íons de lítio) de veículos elétricos. O papel da Solvay no consórcio é otimizar a extração e purificação de metais críticos como cobalto, níquel e lítio e transformá-los em matérias-primas de alta pureza para novas baterias. A Solvay tem a meta de gerar 15% de suas receitas com materiais de base biológica ou reciclados até 2030 (Moore, 2020). Sobre economia circular e reciclagem química de plásticos, a Braskem que já financiava estudos sobre o tema na Coppe/UFRJ, ampliou o escopo do estudo com a participação do Senai Cetiqt e da Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC S.A.). Desde 2018, a Braskem pesquisa rotas para aumentar a eficiência da tecnologia de pirólise, processo capaz de quebrar as moléculas da resina plástica por meio do calor, transformando-a novamente em matéria-prima que pode ser reinserida na cadeia produtiva do plástico. A Braskem é uma das maiores produtoras mundial de biopolímero no mundo (Braskem, 2020).



Contudo, tais anúncios deixam claro que ainda a maioria das tecnologias necessárias para descarbonizar a indústria química permanece nos estágios piloto ou pré-comercial e pode levar uma década antes de uma implantação em larga escala se tornar viável, como recentemente anunciou a Agência Internacional de Energia (IEA). Hoje, 85% do uso de energia da indústria química permanece baseado em hidrocarbonetos. Tecnologias como captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) e hidrogênio eletrolítico – produzindo hidrogênio a partir de um processo de eletrólise usando recursos renováveis – são fundamentais para descarbonizar o setor, mas permanecem em estágio inicial, e o cronograma para melhorias tecnológicas, quedas de custos e escalonamento provavelmente será de cinco a dez anos. Para levar essas tecnologias à escala necessária para cumprir as metas de mudança climática, o apoio do governo na forma de créditos fiscais, financiamentos diretos e subsídios provavelmente será necessário. A natureza global e facilmente transportável de produtos químicos e derivados a granel significa que é difícil para os países produtores introduzir medidas de redução do clima que aumentem os custos sem prejudicar as exportações, a menos que as medidas sejam adotadas em uma base global. Eliminar totalmente a emissão exigiria CO2 capturado da atmosfera, carbono eletrolítico, produtos reciclados e bioenergia, o que representa um “enorme” desafio de longo prazo, segundo a IEA (Brown, 2020).

O mercado de créditos de carbono movimentou em 2019 mais de 16 bilhões de dólares na Europa e mais de 3 bilhões de dólares só na Califórnia (EUA). Estima-se que créditos de carbono para preservação da Amazônia poderiam render cerca de 10 bilhões de dólares ao Brasil. Contudo, não há ainda diretrizes para um mercado local de direitos de emissão. O Ministério da Economia promete essas diretrizes para até o fim do ano (ah, as promessas e prazos do Ministério da Economia…). Poucos acreditam no avanço do tema, dada a conhecida agenda ambiental do governo federal, frequentemente demonstrando leniência com o desmatamento. Ainda, um mercado brasileiro de direitos de emissão tenderia a ser pequeno, porque quase a metade dos gases emitidos por aqui está associada ao desmatamento, enquanto a cobrança sobre o carbono é considerada eficaz para segurar a poluição de fábricas e usinas de energia. Como é em grande parte ilegal e não agrega valor econômico, esse desmatamento reage menos a incentivos de preço. Somente quando o Brasil conseguir resolver o desmatamento, as atenções deverão se voltar para as emissões da indústria. No fim das contas, as emissões do Brasil, sétimo na lista dos que mais poluem, seguem elevadas, por causa do desmatamento e de indústrias intermediárias poluentes, como mineração, siderurgia e petróleo e gás (Neder, 2020).

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