Santos Offshore – Feira atrai interessados nos investimentos bilionários da Petrobras na Baixada Santista

Química e Derivados, Santos Offshore

A Baixada Santista ganhou importância nesse começo de século com a descoberta de reservas gigantes de petróleo e gás natural na camada do pré-sal, comparáveis às dos países do Golfo Pérsico, região que abriga 69,3% das reservas mundiais conhecidas. A Petrobras elegeu Santos como sede operacional da exploração do pré-sal, atraindo técnicos, empresários e visitantes de várias origens para a 3ª Santos Offshore Oil & Gas Expo and Conference.

Organizada pela AGS3 Promoções e Eventos, a exposição ocupou o Mendes Convention Center, em Santos, entre 21 e 23 de outubro, com a participação de mais de 250 expositores. Presença destacada nesta terceira edição, a Petrobras prevê investir mais de US$ 174 bilhões até 2020, nas áreas de pesquisa, exploração, produção, logística, naval, dutos, refino, petroquímica e biocombustíveis. Desse total, US$ 111,4 bilhões, segundo a companhia, deverão ser aplicados nas atividades de exploração e produção no pré-sal, sendo US$ 98,8 bilhões destinados especificamente à Bacia de Santos, além de outros US$ 12,6 bilhões para a Bacia de Campos.

Os vários projetos em andamento prevêem contratações de sondas de perfuração, unidades de produção, arranjos submarinos, bombas, dutos, linhas flexíveis, entre muitos outros componentes e equipamentos. A estratégia da companhia voltada à exploração nas camadas pré-sal é a de padronizar os projetos de produção, abrangendo navios-plataforma FPSO, para produzir, processar, armazenar e escoar todo o óleo e o gás extraídos naquela bacia para os centros de refino e de consumo.

A exploração de petróleo e de gás no pré-sal exige grandes esforços tecnológicos e de planejamento para reduzir custos e aumentar a eficiência e a produtividade nas plataformas, principalmente tendo em vista as complexas condições de extração, conduzidas a mais de 5 km de profundidade, e as grandes distâncias entre o continente e as áreas de exploração, que chegam a mais de 300 km.

Química e Derivados, Quase R$ 100 bilhões serão aplicados na Bacia de Santos, Santos Offshore
Quase R$ 100 bilhões serão aplicados na Bacia de Santos

O primeiro poço de pré-sal da Bacia de Santos, batizado Parati, consumiu US$ 240 milhões e foi seguido de novas descobertas nos poços de Tupi e Iara. A primeira carga de petróleo extraída da camada pré-sal da Bacia de Santos, em 1º de maio de 2009, em Tupi, confirmou as previsões de pesquisadores, geólogos e geofísicos, feitas no passado, de que sob a extensa camada de sal que contorna a costa brasileira existe uma grandiosa camada de acúmulo de hidrocarbonetos.

A Petrobras espera alcançar em 2010, nessa área, a produção de 100 mil barris diários de óleo e 5 milhões de m3 de gás. Em 2017, a produção advinda do pré-sal santista deverá ultrapassar 1 milhão de barris diários de óleo, alcançando 1,8 milhão de barris/dia em 2020.

A ordem de grandeza das atuais descobertas tem atraído vários interesses nacionais e internacionais e propulsionado vários investimentos da companhia, que seguem em sentido ascendente. Em 2009, a empresa planeja concluir investimentos no valor de mais de US$ 35 bilhões. Em 2008, a companhia alocou na contratação de bens e serviços US$ 7 bilhões para a compra de equipamentos, químicos e acessórios. Também no ano passado, um total de US$ 25,8 bilhões foi destinado à contratação de serviços nas áreas sísmica, de perfuração e de transportes, que vieram somar-se a mais US$ 12,4 bilhões alocados na construção e renovação de plataformas e refinarias.

Com base nos investimentos planejados, e divulgados a comunidades empresariais, a produção total de petróleo da Petrobras deverá crescer, de acordo com as últimas projeções, em 1.255 mil boed até 2013, apresentando crescimento médio anual de 8,8%.

Os níveis de investimento programados pela companhia ocupariam, assim, patamar privilegiado, classificando-se como o segundo maior no ranking de todos os investimentos realizados no mundo no campo da pesquisa e do desenvolvimento petrolífero, suplantados apenas por investimentos programados pela Shell.

Fronteira tecnológica – Pioneira na fabricação de trocadores de calor com ligas de aço inoxidável super duplex, material que agrega ligas austeníticas e ferríticas, altamente resistentes à corrosão e à erosão, especialmente desenvolvidas para a Petrobras, em 2006, para suprir as necessidades das explorações em plataformas mais recentes como as P-50, P-51, P-52, P-53, P-54, P-55 e P-56, todas na Bacia de Campos, a Jaraguá Equipamentos Industriais estreou na 3ª Santos Offshore com o intuito de prestigiar o evento e mostrar novos desenvolvimentos tecnológicos não só em trocadores de calor, como também em reatores, separadores de óleo e água, depuradores, geradores de vapor, aquecedores, colunas, esferas, entre outros equipamentos.

“Somos o único fabricante de equipamentos específicos para plataformas offshore a participar do evento deste ano, que, por sinal, está cada vez mais interessante, não só para prestadores de serviços como também para fabricantes e fornecedores de equipamentos de alta tecnologia para as indústrias de óleo e gás”, afirmou Fuad Hamad, diretor-comercial para a área petroquímica da Jaraguá.

Química e Derivados, Fuad Hamad, Diretor-comercial para a área petroquímica da Jaraguá, Santos Offshore
Fuad Hamad: obras para adequar plataformas a novos padrões

Além de apresentar ao mercado linha especial para plataformas marítimas, a empresa, também especializada no fornecimento de fornos de carga, de aquecimento e de reforma catalítica em regime turn key, envolve-se com projetos para ampliar capacidades e promover adequações das plataformas a novos padrões ambientais.

Até o final de 2009, quando deverão estar concluídos os processos de licitação para a construção de três plataformas piloto na Bacia de Santos e selecionadas as bases para o desenvolvimento tecnológico para a exploração em águas superprofundas, ultrapassando os 5 km, e também vencido o grande desafio de perfurar camadas de 3 km de espessura de sal, um novo modelo de exploração deverá surgir, como disse Hamad.

Válvulas especiais – A Hiter apresentou exemplares de sua mais recente linha de válvulas da série Revel, dos tipos convencional e angular. As válvulas dessa série estão disponíveis em tamanhos de uma a 16 polegadas, nos modelos convencionais, e de 1” x 1” até 18” x 24”, nos angulares. Providas de acionamento pneumático com pistões simples ou de dupla ação ou ainda elétricos, podem ser feitas de aço carbono, aço liga, aço inoxidável e outros, sob encomenda.

Atenta às necessidades atuais do setor de óleo e gás, a Hiter admite a possibilidade de desenvolver e fabricar novos produtos, do tipo choke valves, fundamentais como componentes de árvores de Natal, que deverão ser muito requisitadas. “Colocamos em estudo a possibilidade de fabricar válvulas que operem em condições de processo envolvendo gases e vapores submetidos a quedas de pressão muito elevadas e bruscas, constituídas por válvulas do tipo angular, altamente resistentes a essas condições, para as quais já temos tecnologia”, afirmou Graziano Itri, assessor técnico da Hiter.

Química e Derivados, Graziano Itri, Assessor técnico da Hiter, Santos Offshore
Graziano Itri: válvulas para suportar quedas de pressão

Ainda no campo das válvulas, a Ciwal Acessórios Industriais também apresentou nova tecnologia. Trata-se de válvula projetada com novo sistema redutor de acionamento. Além dessa novidade, a empresa destacou sua ampla linha de válvulas de esfera até 32 polegadas para atender às especificações de processos com hidrocarbonetos. São providas de sedes resilientes ou metálicas, para aplicações fi re-safe, sob alta temperatura e com duplo bloqueio especial. Também mostrou a linha de válvulas de gaveta de aço carbono, inox ou de ligas especiais, em classes de pressão de 125 a 1500 psi, e em diâmetros de meia até 36 polegadas (fundidas), e de meia até 2 polegadas (forjadas), incluindo válvulas com vedação de aço inoxidável 304-316-410 ou com ligas especiais.

Vasos de pressão, torres de processo, colunas, reatores, caldeiras, fornos, trocadores de calor, tanques, entre outros itens, também compõem a ampla linha de equipamentos projetados e fabricados pela Dedini Indústrias de Base, outra presença de destaque na 3ª Santos Offshore.

Aços CLC – Tecnologias ainda inéditas no Brasil no campo dos aços CLC (Continuous on Line Control), para aplicações nos setores de petróleo e gás, também foram destacadas pela Usiminas e Usiminas Mecânica, que, em parceria com a siderúrgica Nippon Steel, pretendem ampliar os fornecimentos para toda a cadeia produtiva do pré-sal.

A produção de aços CLC no país se tornará viável com o investimento da Usiminas em processo de resfriamento acelerado na linha de laminação de chapas de grande espessura, instalada na usina de Ipatinga-MG. Segundo técnicos da empresa, o resfriamento acelerado é realizado por meio de tratamento térmico e exige menor adição de ligas na composição. As obras para a instalação do novo processo começaram em fevereiro deste ano e a previsão da siderúrgica é de que a partida para a produção dos aços especiais ocorra já no terceiro trimestre de 2010, considerando uma capacidade instalada de 300 mil até 500 mil t/ano, para atender prioritariamente o mercado interno.

No rol dos maiores distribuidores de aços longos, carbono e tubos de aço carbono, a Açotubo esteve na feira para destacar a atuação da Artex e da Incotep, empresas integradas ao grupo. Adquirida em 2008, a Artex, do ramo de aços inoxidáveis, deverá contar com nova sede em Guarulhos-SP, a fi m de tornar-se mais competitiva. Já a Incotep deverá continuar se destacando no ramo de trefilação de tubos de aço com ou sem costura, aços especiais, entre outros.

A InoxForte Aços acrescentou a partir deste ano ao seu portfólio de produtos tubos e especialidades fabricados pelas empresas chinesas Hengyang Valin Steel Tube Co. Hengsteel, Huludao City Steel Pipe Industrial Co. e PCK. Considerada uma das maiores fabricantes de tubos sem costura do mundo e segunda maior da China, a Hengsteel produz vários tipos de tubos, em diversas dimensões, laminados a quente e trefilados a frio, com até 720 mm. Já a Huludao é uma empresa especializada em tubos com costura longitudinal por alta frequência (ERW), produzidos principalmente para a condução de água, óleo, gás, construção de estruturas tubulares, plataformas e casings para petróleo. A PCK, maior fabricante de tubos de aço carbono com costura da China, utilizados na condução de óleo e gás, plataformas onshore offshore, petroquímicas, estações de água, entre outras, também produz revestimentos externos diferenciados. Ou seja, com uma ou duas camadas de fusion bonded epóxi, com tripla camada  de polietileno/polipropileno ou betume e com epóxi líquido, betume e concreto, atendendo às normas internacionais do setor.

Tubos flexíveis – Com manufatura no país desde 1986, a Technip destacou vários produtos para obras de perfuração no campo petrolífero, tanto onshore quanto offshore, que requerem tubos flexíveis para aplicações em linhas choke kill, linhas de testes de produção, linhas de estimulação, linhas giratórias e vibratórias, linhas hidráulicas, linhas de nitrogênio, entre outras.

As vantagens operacionais dos tubos de aço flexível para dreno em tanques de teto flutuante, segundo informações da empresa, são muitas e abrangem desde a drenagem até a sucção e também aplicações em sistemas de proteção contra incêndio, apresentando total compatibilidade com aromáticos, sem a difusão de gases através das paredes dos tubos, além do fato de poder operar com o teto em posição mais baixa.

Ao participar de projetos para a produção de gás, um dos destaques da companhia foi utilizar pela primeira vez no país a tecnologia pipe-in-pipe no campo de Canapu, da Petrobras.

Química e Derivados, Carlos Esteves, Gestor comercial da Tubos Oliveira, Santos Offshore
Carlos Esteves: tubo de aço carbono para aplicação severa

A ampla linha de produtos para a extração de petróleo e gás em áreas continentais e marítimas, constituída de tubos redondos, quadrados, retangulares, de aço carbono, com e sem costura, entre outros, também levou a Tubos Oliveira a participar da 3ª Santos Offshore. “Estamos divulgando especialmente os tubos de aço carbono para aplicações severas e altíssimas pressões, com aprovação API (American Petroleum Institute), grau x, e com diferentes limites de escoamento – 42, 50, 56, 65, 70 e 80 –, para atender às exigências mais rigorosas de qualidade”, informou Carlos Esteves, gestor comercial da Tubos Oliveira.

Apesar das maiores demandas em tubos especificarem produtos com 20 metros até 100 metros, segundo Esteves, um dos diferenciais da empresa é buscar no mercado mundial, com a máxima rapidez, tubos de acordo com as necessidades dos clientes.

Uma das áreas mais bem representadas na feira pela presença de grande número de expositores foi certamente a de tubos. Nesse segmento, também a Imefer, distribuidora de tradicionais fabricantes de tubos de aço, como a Vallourec & Mannesmann Tubes – V&M do Brasil e TenarisConfab, apresentou ampla variedade de condutores com ou sem costura, tubos estruturais circulares, quadrados e retangulares, sem costura, tubos mecânicos e eletrodutos, destacando em especial os tubos estruturais para instalações offhore e os tubos condutores de aço, utilizados na prospecção, extração, condução e processamento de petróleo, gás e seus derivados.

Química e Derivados, Tubo de aço com revestimento de poliamida, Santos Offshore
Tubo de aço com revestimento de poliamida: alta resistência

Especializada em sistemas tubulares de aço carbono, a Pipe também destacou linha de tubos revestidos com poliamida 11 (tecnologia francesa Rilsan), fabricados em Contagem-MG, com alto grau de resistência a diferentes processos e substâncias. Entre os quais: efluentes, águas marítimas, neblinas salinas, delaminações catódicas, cloro, cloretos, hipocloretos, hipossulfitos, ozônio, hidróxidos e outros agentes químicos presentes em usinas de tratamento, purificação e dessanilização de água.

Com a tecnologia Rilsan, segundo os técnicos da empresa, é possível conferir proteção contra corrosão, impactos mecânicos e ataques químicos a tubulações, flanges, conectores, juntas etc., feitas de aço, ferro gusa e alumínio. A PA 11, nesse caso, é obtida de matéria prima renovável de origem vegetal, o óleo de mamona.

Outras novidades foram conferidas no estande da Dutoplast, que apresentou ao público canaletas fabricadas em Noryl. No estande da Jea, foi apresentada ampla variedade de leitos para cabos, eletrocalhas, perfilados, desenvolvidos em diversas medidas e especificações, de aço, aço inox, alumínio e outras ligas e materiais e com diversos tipos de tratamento.

Já no estande da IPH, empresa especializada em cabos de aço para içagem e movimentação de cargas, com fábrica na Argentina, foram conferidas várias linhas de alta performance, como os cabos com pernas compactadas, cabos com “alma” termoplastificada e cabos com oito ou mais pernas externas.

Para aplicações em gruas, guindastes e pontes rolantes, os cabos de aço não-rotativos, compactados e plastificados com poliuretano, por exemplo, representam uma inovação para o setor, pois proporcionam maior vida útil aos equipamentos e oferecem maior flexibilidade e menor desgaste, além de suportar maiores cargas.

Em mangueiras, a Kanaflex promoveu o lançamento de mangueira (Kanapower). Confeccionada com borracha preta e com espiral de PVC amarelo, nas dimensões de três e quatro polegadas, tem indicações de uso em operações de descarga de combustíveis e outros derivados de petróleo.

Química e Derivados, Cabo de Aço com poliuretano, Santos Offshore
Cabo de Aço com poliuretano: mais flexível e menos desgaste

Refrigeração por manto d’água – A 3ª Santos Offshore também evidenciou outro segmento imprescindível para o setor de petróleo e gás: o de motores, como os novos modelos apresentados pela Weg. Trata-se de motores de indução trifásicos da linha WGM, refrigerados por manto d’água, a + ou – 35ºC, para a propulsão de embarcações.

“A refrigeração por manto d’água é o grande diferencial dessa linha de motores, cuja tecnologia tornou possível excluir o radiador e incorporar um novo sistema de refrigeração que oferece alta eficiência e economia de espaço, condições muito importantes para o setor naval”, afirmou Cícero Grams, analista de vendas para o mercado offshore da Weg.

Para quem ainda não domina esse tipo de tecnologia, o sistema de refrigeração por manto d’água, segundo Grams, promove a circulação da água através da carcaça e das tampas, permitindo trocas térmicas mais eficientes, inclusive sob velocidades reduzidas, o que permite o uso de inversor de frequência com ampla faixa de velocidade, envolvendo até mesmo aplicações mais severas com torque constante.

Também atuante no segmento de tintas, a Weg apresentou novas soluções em epóxi novolac com flocos e fibras de vidro, que permitem a maior proteção dos tanques que acondicionam óleo combustível. Outra novidade da empresa foi representada pela tinta à base de zinco para pintura de chapas de aço utilizadas em embarcações, cuja grande vantagem é permitir soldagens, facilitando, assim, as tarefas de manutenção.

Tintas para proteção – Várias soluções para pintura de embarcações, tanques de óleo, tanques para armazenagem de combustíveis refinados, entre outras, foram apresentadas pela Sherwin-Williams do Brasil. Os novos sistemas incluem tintas de baixo ou sem voc, tintas com altos sólidos, sem solventes e com altas espessuras, tintas livres de alcatrão, tintas com dupla função: primer e acabamento, tintas com alta resistência à abrasão e aos ambientes marítimos etc. Com baixo voc, a Sher-Tile HS Primer BR é uma tinta de fundo epóxi modificada, bicomponente, e de alta espessura, para proteção anticorrosiva de superfícies expostas a ambientes de média a alta agressividade. Outra tinta epóxi modificada, a Dura-Plate UHS é isenta de solventes, curada com aminas e formulada especialmente para serviços de imersão. Isenta de alcatrão de hulha e de metais pesados, a tinta epóxi Sumastic Tar-Free é bicomponente, apresenta alta espessura, resistência química e a imersões em águas doces ou salgadas. Já o poliuretano acrílico alifático Sumatane 355 é bicomponente, apresenta boa resistência ao intemperismo e atende à norma Petrobras 1342. A empresa também apresentou outras novidades como a Euronavy ES301, tecnologia epóxi, isenta de solventes, para a proteção contra a corrosão, além do sistema Sher-Release, revestimento patenteado à base de silicone, cuja fórmula incorpora nanotecnologia.

Química e Derivados, Cícero Grams, Analista de vendas para o mercado offshore da Weg, Santos Offshore
Cícero Grams: motor com refrigeração por manto

Contratações previstas – Segundo José Luiz Marcusso, gerente-geral da unidade de negócio de exploração e produção da Bacia de Santos da Petrobras, as operações contam atualmente com dez sondas de perfuração e foram contratadas doze novas sondas por licitação internacional, que deverão chegar até 2012. Ao todo, porém, segundo ele, foi planejada a construção de mais 28 sondas, que deverão ser construídas no Brasil e operadas por empresas brasileiras, com entregas previstas entre 2013 e 2017.

Até 2017, também deverão ser realizadas contratações de 40 navios-sonda e plataformas de perfuração submersíveis, para operar em águas profundas e ultraprofundas. “Nosso objetivo é atender às necessidades de curto prazo da Petrobras, enquanto a indústria nacional se prepara para as demais encomendas”, diz o estudo apresentado por Marcusso durante a conferência mais concorrida do evento, proferida por ele, intitulada: “Como a Bacia de Santos se transformou em uma sólida realidade”.

Segundo ressaltou Marcusso, as obras de implementação do gasodutona região representam um megainvestimento em infraestrutura e, de acordo com o crescimento projetado nesse segmento, a capacidade de oferta de gás nacional crescerá de 600 mil m³/dia para 22,2 milhões m³/dia até o fi nal de 2010.

Mancais magnéticos – A tecnologia de mancais magnéticos, considerada relativamente recente por ter sua primeira aplicação industrial realizada em compressores de gás em 1985, em gasoduto construído no Canadá, e desenvolvida pela SKF, empresa no rol dos maiores fabricantes mundiais de rolamentos, também foi alvo de palestra de Ricardo Vieira do Amaral, gerente do segmento de energia da SKF Latin America, na 3ª Santos Offshore.

Química e Derivados, Amostra de chapa de aço revestida com tinta à base de zinco da Weg, Santos Offshore
Amostra de chapa de aço revestida com tinta à base de zinco da Weg

A tecnologia prevê que o rotor seja mantido levitando magneticamente em relação ao seu centro, sem tocar em nenhum componente, e seja provido de sensores para monitoramento e alimentação do sistema  e controle. Pode ser usada em equipamentos rotativos como turboexpanders, utilizados em processos de separação envolvendo gás natural, condensados, água e CO2, incluindo aplicações com H2S e CO2, compressores e motores elétricos. A indústria petroquímica é um importante segmento consumidor, segundo enfatizou Amaral.

“Os mancais magnéticos oferecem vários benefícios e podem ser considerados substitutos dos mancais de deslizamento, agregando vantagens para aplicação na indústria de óleo e gás, como eliminação da unidade de óleo lubrificante, eliminação das emissões, redução do risco de contaminação do gás, e operação em ambientes sob condições extremas como vácuo, temperaturas, processos corrosivos, além de contar com altas velocidades de rotação, utilizando-se de motores elétricos com rotações ao redor de 15.000 r.p.m., aumentar a flexibilidade operacional, eliminar períodos de aquecimento durante as partidas, e reduzir as manutenções e o ruído etc.”, informou Amaral.

Em meio às várias soluções de gerenciamento on-line apresentadas na feira, e que permitem controlar a distância e em tempo real as operações em áreas remotas, a Makem, empresa do grupo QSE, levou para demonstração no evento uma caneta digital, denominada O’Pen, capaz de enviar as informações anotadas em formulário específico para uma base de dados via Bluetooth ou por um sistema de comunicação em rede, “descarregando” os conteúdos em qualquer tipo de computador.

Várias soluções e produtos específicos para isolamento térmico a calor e a frio em tubulações, tanques de armazenagem e equipamentos também foram apresentados pela Calorisol. Nesse rol, destacaram-se isolantes térmicos da classe dos rígidos (hidrossilicato de cálcio), isolantes térmicos refratários (sílica diatomácea), massas protetivas de mastique vinil-acrílico para sistemas de isolamento térmico, e proteções de alumínio corrugado para sistemas de isolamento térmico, fabricados com ou sem barreira de vapor contra condensação.

Química e Derivados, Caneta Digital O'Pen, Santos Offshore
Caneta Digital O'Pen envia informações on-line

No estande da Sul Distribuidora, vários produtos fabricados pela Wetzel, projetados para suportar pressões resultantes de explosões provenientes da ignição de gases inflamáveis, foram apresentados. Entre eles, destacaramse as luminárias à prova de explosão, com corpo e grade fundidos em liga de alumínio livre de cobre, parafusos e arruelas de aço inox, acabamento em pintura epóxi-poliéster, visor em borossilicato, entre outros, para lâmpadas de 100 W, 200 W e 300 W.

Desafios do pré-sal – Outra palestra interessante, proferida pelo professor doutor Dagoberto Lorenzetti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, delineou um panorama sobre a indústria do petróleo e o complexo equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade. “Garantir operações que sejam econômica e financeiramente rentáveis, com o mínimo de uso de recursos naturais e contaminação da biosfera, e com o máximo de benefício social é a tarefa complexa que se apresenta para os gestores do setor. A era do combustível fóssil não vai acabar por falta de combustível fóssil. Há ainda grandes volumes de carvão, para centenas de anos, gás e petróleo. A indústria, entretanto, corre o risco de terminar mais rapidamente do que possamos ou desejamos admitir graças aos seus custos, ao surgimento de tecnologias emergentes e a mudanças de atitude em relação à intensidade no uso de recursos naturais”, afirmou Lorenzetti.

A sociedade mundial que, segundo ele, assume os custos da saúde prejudicada, da mudança climática e da destruição da biosfera começa a demandar uma avaliação precisa e objetiva dos custos totais realmente incorridos no uso dos combustíveis fósseis. Por isso, afirmou Lorenzetti: “A indústria como um todo e a iniciativa do pré-sal devem ponderar, e analisar com cuidado os diferentes cenários que podem se concretizar em razão dos custos de extração, vis-à-vis aos custos de tecnologias alternativas e mudanças tanto nos padrões de consumo quanto nos ambientes legislativo e tributário”, recomendou.

Outros desafios em exploração petrolífera na presença de camadas de sal também foram abordados em sessão pôster na 3ª Santos Offshore por Andreas Nascimento, da Mining University of Leoben. De acordo com esse estudo, ao longo da última década, uma significativa quantidade de explorações em novos campos tem ocorrido em águas profundas no Golfo do México, na bacia do Iraque, nas bacias de Campos e de Santos no Brasil, no mar de Angola, no norte e no oeste da África e “essas formações possuem comportamento de sistema complexo, necessitando de alguns conhecimentos especiais durante as explorações, em especial durante as perfurações, exigindo que o movimento do sal seja cuidadosamente acondicionado”.

Outros cuidados necessários às explorações, apontados por pesquisas apresentadas na 3ª Santos Offshore, referem-se às correntes marinhas. Conforme aumenta a profundidade de exploração, também aumenta a importância do conhecimento prévio sobre a intensidade, direção e variabilidade dessas correntes, informações consideradas fundamentais para os projetos envolvendo as estruturas e a logística das operações em águas ultraprofundas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.