Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Santos Offshore 2009 – Cadeia produtiva se reúne na sede das atividades operacionais do pré-sal na Bacia de Santos

Denis Cardoso
18 de outubro de 2009
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    Química e Derivados, José Luiz Marcusso, Gerente-geral da UN-BS, Santos Offshore

    José Luiz Marcusso: bacia extensa exige mais bases de apoio na costa

    Segundo o executivo, à época da criação da Unidade da Bacia de Santos, no segundo semestre de 2005, um grupo de trabalho analisou diversos municípios que poderiam receber a sede. Após longas análises técnicas e estratégicas, Santos foi o escolhido. “Foram considerados diversos fatores, como a sua posição geográfica central dentro da bacia, a proximidade do porto, a sua infraestrutura, o fato de estar perto da capital paulista e a existência de universidades”, explicou Marcusso.

    Em 2010 será iniciada a construção do primeiro prédio da sede, que terá capacidade para duas mil pessoas e deverá ficar pronto em meados de 2012. “Espera-se que, a partir de 2012, com a disponibilidade do primeiro prédio, tenhamos um efetivo em terra da ordem de 1.500 pessoas, incluindo empregados próprios e terceirizados, além dos prestadores de serviços (contabilidade, jurídico, entre outros). E, até 2017, os outros dois prédios da sede deverão estar concluídos”, prevê o gerente.

    As três novas torres da Petrobras serão erguidas no bairro do Valongo, na área central de Santos. Marcusso disse que a estatal, juntamente com a prefeitura da cidade, está desenvolvendo um plano diretor especialmente dedicado ao bairro, que contempla melhorias em seu entorno, como um projeto especial de trânsito, que prevê a extensão do VLT (veículo leve sobre trilhos), além da análise de outros modais, como transporte marítimo para as cidades do Guarujá, Bertioga e Cubatão. “Também está em estudo a extensão de ciclovias até o bairro do Valongo e a possibilidade de se instalar delegacias comunitárias, com a presença na região da polícia civil e militar”, afirmou o gerente.

    Além da nova sede, a Petrobras pretende ampliar o aeroporto de Itanhaém e também está finalizando estudos para instalar mais duas bases de apoio logístico ao longo da costa marítima, uma no estado do Rio de Janeiro e outra no estado de São Paulo. Os locais, porém, ainda não foram definidos, embora seja grande a chance de Santos ser a cidade escolhida, considerando os investimentos que já estão sendo aplicados nessa região.

    Sabe-se que a instalação de uma base de apoio de uma petrolífera do porte da Petrobras será de extrema importância para os municípios que serão escolhidos, pois onde há esse tipo de operação acaba surgindo a demanda por negócios num raio de até seis quilômetros, como os serviços de manutenção para as atividades marítimas. Atualmente, para o apoio das operações da Petrobras na Bacia de Santos, são utilizados os aeroportos de Jacarepaguá-RJ, Itanhaém e Navegantes-SC, além dos portos localizados em Macaé-RJ, no Rio de Janeiro (capital) e em Itajaí-SC.

    A capacitação de mão-de-obra local – não exclusivamente para atender à demanda da Petrobras, mas sim de toda a cadeia de prestadores de bens e serviços – é uma das preocupações da Petrobras e dos organizadores da Santos Offshore. “Santos tem de se programar para comportar toda essa demanda de empresas e de pessoas que surgirá na esteira do pré-sal. Do jeito que está hoje, a cidade não conseguirá atender a essa demanda”, afirma Semeghini. “Não adianta querer desenvolver o setor industrial, mas não dar suporte para ele crescer. Um exemplo ruim disso foi visto na região de Macaé, que teve um crescimento muito rápido por causa da evolução da Bacia de Campos e não estava preparada para isso”, completou o responsável pela feira.

    O gerente da Petrobrás lembrou que a estatal criou na região da Baixada Santista, em setembro de 2006, o Fórum Regional da Bacia de Santos, do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), para desenvolver projetos locais de fomento da indústria de bens e serviços do mercado de petróleo e gás, além de promover a capacitação de mão-de-obra para atendimento a esse mercado em expansão. “Entendemos que, dessa forma, os impactos em Santos e cidades vizinhas existirão, mas serão mais positivos, com a geração de empregos, do que negativos”, aposta Marcusso. “Em Caraguatatuba, por exemplo, cerca de 800 pessoas foram empregadas por meio de convênio com o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e, dos cerca de 2.100 trabalhadores que estão na obra, cerca de 60% foram selecionados naquela região”, acrescentou o executivo, referindo-se à construção de nova base de gás natural que atenderá projetos como o do campo de Mexilhão, instalado a 140 quilômetros da costa marítima.

    Ainda segundo o executivo da estatal petrolífera, não se pode comparar a situação de Santos com a de Macaé. “Em termos de concentração de atividades, há uma situação muito diferente. Em Macaé, está toda a base de apoio às operações na Bacia de Campos; já na Bacia de Santos, por ser muito mais extensa, teremos bases de apoio ao longo da costa”, comparou o gerente.

    Os primeiros testes para avaliar o atual apetite das empresas e investidores pelo mercado do pré-sal poderão ser medidos durante os três dias da Santos Offshore. Além das exposições, a feira abrirá espaço para rodadas de negócios e conferências. “A grande novidade desta edição será a realização de uma conferência internacional, que pretende incentivar debates entre profissionais de diversas áreas da cadeia de petróleo e gás. Assim, a partir deste ano, a feira começa a assumir um lado um pouco mais técnico, mais acadêmico”, afirmou Semeghini.



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