Química

Rumo à Indústria Química – ABEQ

Quimica e Derivados
1 de outubro de 2020
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    Química e Derivados - Rumo à Indústria Química - ABEQ ©QD Foto: iStockPhoto

    Olá, leitoras e leitores. Gostaria de usar este espaço para falar de Economia Circular e o impacto potencial deste conceito na Indústria Química. O tema ainda é pouco abordado nos cursos de graduação, mas tem e terá cada vez mais impacto no cotidiano dos profissionais da indústria.

    O conceito de externalidade é muito caro aos economistas. É um conceito curto e simples, que fica ainda mais simples com exemplos. Externalidade é o custo ou benefício que atinge um terceiro que não escolheu incorrer naquele custo ou benefício (Buchanan, 1962). As externalidades podem ser negativas – custos – ou positivas – benefícios. O exemplo clássico de externalidade negativa é a poluição. Se uma indústria despeja efluentes sem tratamento em um rio afetando a produção de uma fazenda rio abaixo, tem-se o custo atingindo alguém que não escolheu incorrer nele. Exemplo de externalidade positiva é a alfabetização de adultos melhorando a economia por atrair melhores empregos a uma região, ou a criação de abelhas melhorando a produção agrícola do vizinho. O termo externalidade é usado pela ideia de que os custos e benefícios são externos ao mercado.

    Outra definição de externalidade que me ajudará neste texto foi dada por Ronaldo Seroa da Motta (2012): “Externalidades são, assim, manifestações de preços ineficientes. E estas manifestações são decorrentes geralmente de direitos de propriedade não completamente definidos, como no caso dos bens públicos”. Bens públicos são “aqueles bens cujos direitos de propriedade não estão completamente definidos e assegurados e, portanto, suas trocas com outros bens acabam não se realizando eficientemente através do mercado. Dessa forma, o sistema de preços é incapaz de valorá-los adequadamente”. O meio ambiente poderia ser entendido como um bem público, o que explicaria boa parte dos problemas ambientais, pois é ainda visto como uma fonte inesgotável de recursos ou um sumidouro infinito de efluentes.

    Ecologia Industrial é o estudo que foca nos fluxos de circulação de massa e energia, e busca entender como um ecossistema industrial funciona, como é regulado e como são suas interações com o meio ambiente, de modo a reestruturar tal ecossistema industrial de modo semelhante a um ecossistema natural. A Ecologia Industrial carrega consigo os conceitos de Metabolismo Industrial – como os fluxos do sistema industrial evoluem ao longo do tempo – e Simbiose Industrial – como os fluxos de um sistema industrial podem ser aproveitados por outro.

    Enquanto a Ecologia Industrial busca reestruturar sistemas de produção industrial usando conceitos de ecologia, a Economia Circular amplia o foco para além das industrias, considerando o fluxo de material e energia resultante das relações econômicas, buscando manter o equilíbrio e sustentabilidade de toda biosfera.

    A conceituação de Economia Circular passa pela modelagem da relação do ser humano e do sistema econômico com o meio-ambiente. A Figura 1 representa esquematicamente essas relações. Tradicionalmente, o meio-ambiente era visto como a fonte dos recursos utilizados nas relações de um sistema econômico aberto ou linear. A partir dos recursos R provenientes do meio-ambiente, a produção P gerava bens de consumo C ou bens de capital K, estes por sua vez eram também usados pela produção P. Por fim, os bens de consumo C tinham a função de gerar utilidade ou bem-estar U. Ao levarmos em consideração a relação entre o uso de recursos e a geração de resíduos W, necessariamente caminhamos em direção a uma concepção circular do sistema econômico, por meio da reciclagem ou reutilização de parte dos resíduos.

    Química e Derivados - Rumo à Indústria Química - ABEQ ©QD Foto: iStockPhoto

    Figura 1- Representação esquemática da diferença entre uma Economia Linear e uma Economia Circular (adaptado de Andersen, 2007). R representa os recursos extraídos do meio ambiente, P é a produção de bens de capital K ou bens de consumo C, que geram utilidade ou bem-estar U. W são os resíduos ou efluentes resultantes da produção ou consumo de bens e r é a reciclagem parcial dos resíduos.



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