Rohm and Haas Química faz 50 anos e espera crescer

No ano em que completa meio século de atividades no Brasil, a Rohm and Haas Química Ltda. espera registrar um faturamento da ordem de US$ 50 milhões, o que praticamente significa manter o volume de negócios realizados no exercício anterior.

Como a empresa abandonou certos segmentos não rentáveis, o resultado final sinalizará um drible nos efeitos recessivos da economia.

As perspectivas para 2004 são ainda melhores.

“A expectativa é crescer 10%, em função da recuperação da economia brasileira, que deverá acontecer a partir da redução das taxas de juros (possivelmente chegará a 20% na virada do ano) e flexibilização do Banco Central com respeito à política de créditos, além da reforma tributária”, afirma Fernando Paiva, presidente da Rohm and Haas no Brasil.

O executivo calcula que a reforma tributária aliviará a carga fiscal e colocará um ponto final na concorrência desleal exercida no mercado informal.

Dentro da área de atuação da empresa, Paiva projeta para o setor de adesivos a maior taxa de expansão, ao ritmo do crescimento futuro do segmento de embalagens.

É justamente em adesivos que a Rohm and Haas é a número dois na América Latina.

As possibilidades de crescimento estão também alicerçadas nos trabalhos de “desenvolvimento de novos mercados e novas geografias”, como costuma dizer Paiva ao se referir às regiões Norte e Nordeste do Brasil, que estão se incorporando à clientela da empresa.

No segmento de coatings – polímeros acrílicos, por exemplo, o mercado é considerado plenamente favorável.

Com relação às exportações, que hoje representam 10% das receitas obtidas no País, e estão concentradas nos países do Mercosul, Chile e Pacto Andino, a tendência é de crescimento, se a taxa de câmbio ficar em torno de R$ 3,00 por um dólar.

Química e Derivados: Empresa: Paiva comemora faturamento igual ao de 2002.
Paiva comemora faturamento igual ao de 2002.

“Esses mercados externos estão melhores que o brasileiro; apesar da grave crise de 2002, a unidade da Argentina opera a plena capacidade (poderia haver trabalho até para um turno mais) e aquele mercado está favorável para o nosso negócio”, afirma Paiva.

As exportações das unidades da América Latina estão focadas na própria região, já que a política comercial da Rohm and Haas privilegia, no abastecimento de determinado mercado, a unidade que produzir com menor custo relativo.

Nesse contexto, o Brasil importa cerca de US$ 25 milhões/ano em monômeros acrílicos e especialidades químicas, itens não fabricados no País.

Na avaliação de Paiva, a China não representa uma ameaça para a expansão dos negócios da empresa na América Latina.

A razão é simples: nesse segmento de mercado, a logística e a assistência técnica são pontos fundamentais no momento da decisão de compra. “Além dos produtos, nos esmeramos em oferecer uma gama de serviços ao cliente”, diz.

Iniciado em outubro de 2001, no Brasil, e em 2002, no México, o comércio eletrônico vai “muito bem”, nas palavras de Paiva.

Para acompanhar as novas necessidades da clientela, a empresa mudou a plataforma em março deste ano e o crescimento dos negócios está acontecendo em ritmo acelerado.

O faturamento por esta via deverá ser, este ano, o equivalente a 7% das receitas.

E espera-se atingir a marca de 20% até o final de 2004.

“Essa é uma boa ferramenta para o cliente que, por enquanto, está focada nos compradores tradicionais”, avalia.

Através do site www.latinrohmhaas.com , os clientes podem efetuar ordens de compra, fazer consultas, imprimir boletos de pagamento e quitar débitos on line.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produto são constantes. Segundo Paiva, o grupo, articulado com as necessidades dos clientes, desenvolve a média de 3 a 5 projetos/dia. O objetivo é aplicar 4% do faturamento nessas atividades.

O grupo está consolidando investimentos na área de informática. Em 2 de fevereiro de 2004, deverá estar concluída a integração de todas as unidades e processos produtivos: planejamento, financeiro, manutenção, comercial, etc.

A integração total das unidades irá, de acordo com o executivo, trazer maior eficiência para todas as áreas da organização com economia de custos (maior balanceamento dos inventários e do planejamento). “O stress na organização deverá diminuir”, observa.

O objetivo central da Rohm and Haas Company é a liderança mundial nos segmentos de emulsões, adesivos, polímeros acrílicos, biocidas e produtos químicos para a indústria eletrônica.

Nos últimos cinco anos, o grupo expandiu seus negócios fazendo 40 incorporações, entre compras, alianças e investimentos.

Em junho de 1999, a Morton International Inc., dos Estados Unidos, foi adquirida por US$ 4,9 bilhões. Um ano depois, foi a vez da Acima, da Suíça, com forte atuação na área de biocidas.

Em outubro de 2001, foi comprado o negócio Megum, da alemã Chemetall. O acordo incluiu os negócios e a subsidiária da empresa no Brasil e suas operações no México.

Em abril do ano passado, a Rohm and Haas inaugurou a sua moderna fábrica de adesivos e selantes no sítio industrial de Jacareí, interior de São Paulo, com um investimento de US$ 15 milhões.

Totalmente informatizada, a unidade conta com equipamentos de última geração. Lá também são produzidas emulsões de polímeros acrílicos, vinílicos, estireno-acrílicos, poliacrilatos e biocidas para produtos químicos de performance.

Ainda no ano passado, a empresa incorporou a área de aditivos para plásticos da Kureha Chemical Company, do Japão. Com isso, a receita do negócio de aditivos para plásticos da Rohm and Haas aumentou em, aproximadamente, US$ 70 milhões.

No Brasil, as ações da empresa estão divididas em três unidades de negócios: coatings – polímeros acrílicos; adesivos e selantes; e produtos químicos de performance.

O grupo de coatings – polímeros acrílicos é o de maior participação no mercado, tanto mundial quanto nacional e está subdividido em três áreas: Architectural and Functional Coatings (AFC) – mercados de tintas decorativas e industriais, e produtos para construção, artes gráficas, couro, imagem digital, papel, têxtil e não tecidos; revestimentos em pó Powder Coatings (epóxi, poliéster, nylon e silicone) – utilizados na pintura de móveis metálicos, áreas internas dos automóveis e eletrodomésticos, revestimento para PVC, gabinetes para cozinha e escritórios e como alternativa à fórmica e ao verniz transparente; e revestimento automotivo Automotive Coatings.

Química e Derivados: Empresa: Unidade de Jacareí-SP foi inaugurada em 1953.
Unidade de Jacareí-SP foi inaugurada em 1953.

O segmento de adesivos e selantes também se divide em três áreas de produção, em Jacareí: adesivos para embalagens flexíveis; adesivos sensíveis à pressão, usados na fabricação de etiquetas e fitas adesivas; e adesivos e desmoldantes destinados à indústria automotiva e selantes para a construção civil.

Em Jacareí se fabricam, ainda, produtos químicos de performance, em cinco áreas distintas: especialidades químicas para produtos de consumo e processos industriais (polímeros para processamento mineral, tratamento de água, fabricação de detergentes, higiene pessoal e cosméticos; além de estabilizantes, espessantes, biocidas, aditivos cerâmicos e emulsões para tratamento de pisos); resinas de troca iônica destinadas à purificação de águas de uso industrial para geração de vapor em processos industriais e/ou produção de eletricidade nas indústrias química, petroquímica, papel e celulose, siderúrgicas, açúcar e álcool, refinarias de petróleo e mineração, entre outras; soluções inorgânicas e orgânicas; monômeros acrílicos/metacrílicos e especiais; e adesivos para plásticos.

A cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba, foi escolhida, em 1953, para receber a fábrica que atualmente emprega 185 funcionários.

A história da Rohm and Haas começou, entretanto, muito antes, em 1907, na Alemanha, com a constituição de uma sociedade entre os amigos Otto Rohm, químico, e Otto Haas, financista. Com os dez mil marcos de Haas foi desenvolvido o Oropon, destinado ao maceramento do couro.

O produto teve um rápido sucesso comercial, o que levou a empresa a abrir um escritório em Lyon, na França, já no ano seguinte. Em setembro de 1909, foi inaugurada uma filial na Filadélfia, Estados Unidos, então um grande centro de curtumes. Quatro anos mais tarde, a empresa abriu um escritório na Argentina.

Com uma parceria firmada em 1921, com a Companhia Tanners Products – Chicago, dos Estados Unidos, a empresa passou a atuar em diversos segmentos da indústria química.

Hoje, o grupo também possui fábricas na Argentina, Colômbia e México, além de várias plantas na América do Norte, Europa e Ásia. São 140 unidades distribuídas em mais de 25 países. Também possui mais de uma centena de certificações ISO 9000 e ISO 14.000.

De acordo com informações da empresa, os negócios da companhia foram se consolidando no mercado mundial pelo desenvolvimento de inúmeros produtos de tecnologia sofisticada, utilizados pelas indústrias em diversos segmentos, agregando mais qualidade e valor aos produtos finais.

Atualmente, a Rohm and Haas é uma das maiores fabricantes mundiais de especialidades químicas.

O faturamento do grupo, que emprega 17 mil funcionários em todo o mundo, é de US$ 5,7 bilhões por ano. A América Latina responde por US$ 200 milhões e é considerada por Paiva como uma região onde reina uma “relativa estabilidade nos últimos anos”.

O México lidera as receitas entre os países latino-americanos com US$ 60 milhões/ano. Antes de a empresa se desprender de certos negócios considerados não rentáveis e centralizar o seu foco de atuação, o faturamento global já chegou ao patamar de US$ 7 bilhões.

O lema da corporação pode ser assim definido: “Se não tenho capacidade de competir em determinado segmento, é melhor abandoná-lo.”

Nas comemorações do seu cinquentenário no País, a Rohm and Haas escolheu como tema o Desenvolvimento Sustentável: saúde, segurança, meio ambiente, ética e responsabilidade social andando juntos com o crescimento da empresa.

Em junho último, a fábrica de Jacareí lançou um projeto de revitalização da mata ciliar do rio Paraíba do Sul, no trecho que circunda a indústria. Com um investimento de R$ 100 mil, a área estará reestruturada até 2008.

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