Rio Pipeline: Brasil investe nos dutos – Pré-sal e etanol justificam os investimentos de US$ 8 bi na malha nacional de dutos, o quarto melhor mercado do planeta

Muitos desses projetos, que vão consumir aqueles US$ 8 bilhões, ainda têm que sair do papel. Rennó aposta nisso, afirmando que a perspectiva para os próximos anos é de que novos fornecedores entrem no mercado brasileiro, todos de olho no crescimento da indústria local de petróleo e gás.

A demanda crescente abre espaço para novos players, embora o coordenador do comitê organizador da Rio Pipeline afiance que a cadeia de fornecedores nacionais de produtos e serviços tem aumentado sua participação no segmento de dutos. “O conteúdo local na atividade dutoviária supera 95% das encomendas”, afirma.

De acordo com Rennó, isso foi possível com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), que “identificou os gargalos que impediam a expansão da rede de fornecimento e empreendeu as ações necessárias para solucioná-los”.

Alberto Machado, do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entidade que apoia o evento, frisa que a Rio Pipeline é uma oportunidade para toda a cadeia produtiva expor seus produtos e serviços. “Os diversos equipamentos que compõem a malha de dutos e gasodutos ficam diluídos em outros eventos. O evento possibilita mostrar toda a linha de equipamentos que são usados ao longo de uma malha de dutos ou gasodutos, em um único espaço. Esta é, portanto, uma oportunidade de expor com mais detalhes os equipamentos, produtos e serviços que o setor oferece, a expertise e a tecnologia consolidadas.”

Química e Derivados, Alberto Machado, Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Rio Pipeline
Alberto Machado: pequenas e médias empresas também participam

Machado lembra ainda que há alguns aspectos específicos que devem ser analisados, como a tecnologia, a logística de instalação, tanto do duto terrestre quanto o offshore, seja no caso do pré-sal como no transporte de álcool e minério. “São instalações que requerem um conhecimento específico. Na Rio Pipeline é possível conhecer melhor quem são os agentes de cada área, o que cada empresa tem a oferecer em termos de novas tecnologias e serviços”, diz o representante da Abimaq. “Sem falar que abre espaço para pequenas e micros se apresentarem, uma vez que este setor pode utilizar empresas regionais, de menor porte, em novos empreendimentos e na manutenção e expansão da malha existente.”

Presença internacional – Empresas de todos os países querem uma fatia dos US$ 8 bilhões em investimentos na área de dutos, atentas a outras oportunidades que podem surgir no aquecido mercado brasileiro de petróleo e gás. Canadenses e britânicos são a linha de frente da força-tarefa estrangeira deste evento.

O já tradicional pavilhão do Canadá tem 17 empresas confirmadas, mas esse número poderá ser maior, uma vez que é comum parceiros de negócios compartilharem o mesmo espaço em eventos. “A Rio Pipeline é fundamental para a indústria canadense”, diz a gerente de negócios de petróleo e gás do consulado canadense, Nadine Lopes, garantindo que a feira traz retorno às empresas do Canadá que vêm à Rio Pipeline. A participação do Canadá não é ainda maior, como em outros anos, por causa da crise financeira internacional. Mas assegura que é crescente o número de empresas daquele país que solicitam informações sobre a indústria brasileira deste setor.

Respaldados na experiência acumulada no Mar do Norte, os ingleses também querem garantir uma fatia desse bolo. Haverá uma comitiva de peso de empresas que buscam não somente conquistar bons negócios como também parceiros estratégicos para reforçar sua posição no mercado, de acordo com o United Kingdom Trade & Investment (UKTI), braço comercial do Consulado Britânico. “Aumentou em mais de 50% o interesse de empresas britânicas no setor de petróleo e gás do Brasil”, afirma Laura Netto, gerente de Energias Renováveis, Biocombustíveis e Educação e Treinamento do Consulado Geral Britânico no Rio de Janeiro.

O apetite ficou maior depois das descobertas no pré-sal, onde duas das mais importantes empresas de energia do Reino Unido – Shell e BG – têm participação em mais de um bloco. Sem falar que a Shell, que é anglo-holandesa, tem controle e participação em outros ativos espalhados pelas principais bacias produtoras do Brasil, na exploração de petróleo e gás natural. Empresas britânicas querem mostrar na Rio Pipeline que estão aptas a inovar no transporte por dutos, inclusive submarinos, uma das grandes alternativas para o transporte de petróleo dos campos do pré-sal.

Foco no pré-sal – Não é por outra razão que a conferência de abertura da Rio Pipeline 2009 é justamente um assunto pra lá de offshore: “Pré-sal: O Impacto no Transporte por Dutos”, a ser proferida por ninguém menos que José Miranda Formigli, gerente-executivo de Exploração & Produção do Pré-Sal da Petrobras. O mesmo que também abriu a Brasil Offshore, em junho, mostrando que o assunto é o epicentro de todos os debates relacionados à indústria petrolífera no país.

Embora já tenha tradição e experiência no escoamento submarino da produção (apesar de que mais da metade ainda é feita por navios aliviadores), principalmente na Bacia de Campos, o país vai precisar de soluções inovadoras, uma vez que os campos do pré-sal estão a mais de 200 km da costa, em águas ultraprofundas.

O tema pré-sal é recorrente em boa parte dos mais de 307 trabalhos, de 24 países, que serão apresentados nas sessões técnicas do evento. Também estará presente nos oito fóruns de debates uma das novidades desta edição, programada para o dia 23. Entre os temas abordados, está a questão da tecnologia para a transmissão por dutos de CO2 (gás presente em megarreservatórios como Tupi, e que pode ser injetado em poços de petróleo para otimizar a produção) que vem sendo desenvolvida pela Petrobras e o Cenpes, além de boas práticas na operação e manutenção de dutos – destacando a experiência das empresas da América Latina e Caribe (entre elas, Ecopetrol, Petroperú e Petroecuador).

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