Química

Rio Oil & Gas 2008 – reservatório de bons negócios – Reservatório de bons negócios

Bia Teixeira
20 de outubro de 2008
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    Gabrielli reiterou ainda serem necessários investimentos pesados na qualificação de capital humano para atuar no cenário do pré-sal. “Os desafios são enormes, mas as oportunidades ainda maiores”, declarou. Ele observou que apenas 38% da área total de 112 mil km² da camada do pré-sal – equivalente a 41 mil km² – já estão sob concessão. “Caberá aos brasileiros decidir o que fazer com os outros 62%”, finalizou o executivo, dando um toque nacionalista ao seu pronunciamento.

    Foi o nacionalismo de governantes e governados de um país vizinho, a Bolívia, que mais uma vez embaçou o brilho da grande festa do petróleo no Riocentro. Na abertura da Rio Oil & Gas de 2006, o presidente boliviano Evo Morales roubou a cena ao decretar a nacionalização de todas as reservas de petróleo e gás do país. Foi o início de uma crise no segmento de gás natural que obrigou a Petrobras a implementar o Plano de Antecipação da Produção de Gás (Plangás), em virtude da dependência do Brasil – principalmente de indústrias do Sul, Sudeste (mais especificamente, do estado de São Paulo) – do gás natural boliviano.

    Crise acentuada na véspera da ROG deste ano, por causa da redução do fornecimento para o Brasil de até 50% dos 30 milhões de metros cúbicos exportados pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), em conseqüência de explosões que demandarão o fechamento de válvulas das instalações bolivianas. O pré-sal, rico em petróleo leve, de alta qualidade, e muito gás, salvou a situação, não deixando que a crise contaminasse a feira, tratada quase como um reservatório de oportunidades pelas empresas que têm o que vender para a cadeia produtiva de óleo e gás.

    Interesse internacional – A presença de representantes e estandes de empresas de 23 países é uma demonstração inequívoca dos atrativos do setor de óleo e gás do Brasil no cenário mundial. Não bastasse isso, nada menos que 12 países, por meio de órgãos governamentais e entidades de fomento ao comércio exterior, fincaram suas bandeiras nos quatro pavilhões e dois anexos da Rio Oil & Gas. Empresas do Reino Unido, Noruega e Dinamarca, com expertise em águas profundas, consolidada principalmente em operações no Mar do Norte, já são presença tradicional no evento do Rio, tanto no pavilhão como em estandes próprios, uma vez que muitas já são fornecedoras firmes da Petrobras e de outras petroleiras que atuam nas bacias brasileiras.

    Mas as soluções tecnológicas, os equipamentos submarinos de última geração, os produtos inovadores e os serviços altamente especializados que oferecem para a indústria petrolífera, com destaque para as atividades offshore, foram alguns dos grandes atrativos da promoção em que o pré-sal foi o ator principal.

    O pavilhão da França abrigou 25 empresas francesas que hoje atuam como players de destaque no mercado internacional de óleo e gás. Essa quantidade de empresas – quase o dobro do evento anterior – foi possível graças ao apoio da Rede das Missões Econômicas Francesas no Brasil, o departamento do ministério francês da Economia, Finanças e Emprego que tem como principal incumbência promover as exportações e os investimentos da França no Brasil. Ele também representa os órgãos de informação e fomento ao desenvolvimento internacional das empresas francesas, reunidos na agência pública Ubifrance.

    A petroleira Total, que tem uma posição de destaque no Oeste Europeu (Europa Ocidental) e na África, não poderia faltar ao evento, uma vez que fez uma descoberta de petróleo em águas muito profundas (em fase de desenvolvimento). Acionista dos gasodutos TBG (Bolívia-Brasil) e TSB (no Sul), a Total é distribuidora de lubrificantes e possui várias unidades industriais e comerciais de química especializada no país. “A participação francesa nos grandes projetos do setor de óleo e gás no Brasil se realiza hoje com base em uma forte parceria tecnológica, trazendo investimentos para o estado do Rio de Janeiro e intercâmbios no ramo de formação e pesquisa”, destacou Eric Fajole, conselheiro comercial do Consulado da França no Rio de Janeiro. Graças a essas parcerias, algumas empresas francesas já se destacam no cenário brasileiro, como a Vallourec Mannesman, a Petroval e a Altran, entre outras.

    A participação francesa foi marcada por empresas da área de tecnologia, como a Beicip-Franlab, de consultoria e software em E&P, que é controlada 100% pelo Instituto Francês do Petróleo (IFP). Ela é grande fornecedora de software, assistência e consultoria em exploração de bacias, caracterização de gerenciamento de reservatórios, refino, economia, gerenciamento e otimização de produção. De olho no pré-sal, ela trouxe para a ROG uma nova geração de softwares: de caracterização de reservatórios fraturados, simulação dinâmica, modelagem estratigráfica e modelagem integrada de bacias, análise de risco e caracterização avançada de reservatórios, entre outros. Confirmando o interesse da França no Brasil, o governo francês pretende instalar um grande pavilhão na feira Brasil Offshore, em 2009, por ocasião do Ano da França no Brasil.



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