Tintas e Revestimentos

Revestimentos metálicos melhoram propriedades técnicas dos plásticos

Antonio C. Santomauro
29 de dezembro de 2019
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    Tendências do mercado – Diretamente dependente de outros setores industriais para os quais presta serviços, a indústria brasileira de metalização de plásticos não poderia deixar de registrar, assim como acontece em praticamente toda a atividade industrial no país, grandes dificuldades neste ano.

    No segmento da metalização a vácuo, por exemplo, na ACT o ano começou bem e o primeiro semestre, diz Ramos, foi melhor que o de anos anteriores. “Mas daí em diante a demanda caiu bastante”, ressalta. Ele enxerga um potencial para a expansão desse gênero de metalização, por exemplo, na fabricação de duchas, chuveiros e produtos afins. “Empresas como Lorenzetti e Corona hoje têm suas próprias plantas de metalização a vácuo”, comenta.

    Por sua vez, a Wadyclor conseguirá este ano “apenas não ter prejuízo”, como relata Marco Barbieri, diretor industrial da empresa que croma e niquela plásticos para as indústrias automobilística, de metais sanitários, cosméticos e brinquedos, entre outras. “Ninguém no Brasil que trabalha com tratamento de superfícies, não só de plásticos, deve crescer este ano. Os setores dos quais depende essa indústria não se expandem, e mesmo a construção civil, se tiver algum crescimento, será pequeno”, projeta Barbieri. Segundo ele, a situação dos fornecedores desses serviços só não é pior porque nos últimos anos cerca de 30% das empresas do setor fecharam e isso concentrou a demanda naquelas que permaneceram.

    Além da claudicante conjuntura da economia do país, outros fatores podem complicar ainda mais os negócios dessas empresas. Um deles: “A poliamida cromável está muito cara no Brasil. Já cromei muita peça de poliamida, mas hoje ninguém mais oferece esse serviço no mercado nacional”, relata Barbieri.

    Importante lembrar que o câmbio que valoriza o dólar também é problema para essa indústria, que depende em ampla escala de insumos importados. Outros fatores podem contribuir para elevar drasticamente os preços de alguns desses insumos, caso, hoje, principalmente do paládio, que embora utilizado em quantidades não muito grandes, ainda é fundamental para tornar os plásticos aptos ao processo de eletrodeposição, pois confere escala produtiva ao pré-tratamento que os torna condutivos.

    Química e Derivados - Vista interna de equipamento Inubia para deposição a plasma

    Vista interna de equipamento Inubia para deposição a plasma

    Mas o paládio é empregado também em aplicações que o demandam em quantidades muito maiores e em expansão mundial, como nos catalisadores dos automóveis, hoje presentes mesmo na China (algo que não ocorria há alguns anos); por isso, seu preço no mercado global subiu muito. “Atualmente, o paládio está mais caro que o ouro”, queixa-se Zanini, da MacDermid. “Já estão sendo pesquisadas algumas alternativas a esse insumo, e creio que daqui a um ano, ou um pouco mais, elas comecem a ser disponibilizadas”, prevê.

    A Atotech, conta Bos, há cerca de três anos adquiriu uma empresa que desenvolveu um processo livre de paládio (e também de ácido crômico, que também vem sendo crescentemente restrito). “Mas essa tecnologia segue sendo aprimorada, ainda não temos previsão de quando será lançado comercialmente”, diz Bos.

    Para ele, o grande desafio atual da indústria de tratamento eletrolítico é banir dos processos o cromo hexavalente, ainda utilizado na grande maioria das aplicações. Para a camada externa de acabamento, ele informa, já há a opção do cromo trivalente, que consegue o mesmo desempenho, mas ainda é menos usado por questões econômicas. “Mas algumas montadoras, especialmente as europeias, começam a se movimentar para alterar suas especificações nesse sentido”, salienta. Também deverá, ressalta Bos, ser gradativamente substituído o cromo do pré-tratamento, na forma de ácido crômico. Em alguns países, empresas já anunciam soluções de pré-tratamento nas quais o ácido crômico (onde aparece o cromo hexavalente) é substituído por um ácido de manganês, por exemplo.

    Outra necessidade, prossegue o profissional da Atotech, é eliminar o ácido bórico (presente nos banhos de níquel eletrolítico), também utilizado no pré-tratamento, na etapa de aplicação do níquel químico, pois o boro é um elemento muito propício à proliferação de algas e, por isso, seu descarte é muito restrito em determinadas regiões. “No início de 2020, lançaremos nosso primeiro processo de níquel químico brilhante livre de ácido bórico”, afirma Bos.

    Segundo ele, mais de 50% da demanda global por plásticos metalizados pelo sistema químico-eletrolítico provém da indústria automotiva, que agora coloca um novo desafio para os fornecedores desse serviço: a expansão dos veículos elétricos, que têm na sustentabilidade um de seus principais apelos e por isso talvez utilizem menos peças decorativas (aquelas que mais requerem cromação). “Mas cresce o uso de plástico metalizado na indústria de metais sanitários, temos hoje torneiras totalmente feitas de ABS”, ressalta o profissional da Atotech.



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