Equipamentos e Máquinas Industriais

Reúso de Água – Refinarias da Petrobras mantêm planos para reaproveitar efluentes em caldeiras e torres de resfriamento

Marcelo Furtado
29 de abril de 2013
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    O interessante do projeto das carretas é que todos os sistemas são automatizados, com isso os técnicos do Cenpes podem ter acesso a eles via remoto na sede no Rio de Janeiro. “Eles podem analisar full time os parâmetros e ao final chegar à conclusão de qual a melhor rota a ser adotada na recuperação do efluente, partindo posteriormente para o projeto em escala real”, explicou Toledo de Almeida.

    Química e Derivados, Washington Yamanaga, Ecotech, análise de POAs para abatimento de fenóis

    Yamaga: análise de POAs para abatimento de fenóis

    POA na Petrobras – Na esteira dessas opções de fornecimento para reúso de água na Petrobras, e a despeito da puxada de freio nos investimentos (o principal projeto, no Comperj, do Rio, foi adiado por anos e enfrenta sérios problemas de licenciamento), muitas empresas ficam no aguardo das definições da estatal para participar das licitações, tanto direta como indiretamente, e para demonstrar suas tecnologias.

    A inclusão dos processos oxidativos avançados (POAs) nas carretas, para serem avaliados como opções futuras, mesmo sabendo que a Petrobras ainda os considera caros, anima empresas da área como a Ecotech, de Valinhos-SP, proprietária de companhias especializadas em soluções ambientais, como a Tratch-Mundi (ver QD-520, abril de 2012), que detém patente do POA Fentox, desenvolvido originalmente pelo laboratório de química ambiental da Unicamp-SP.

    Trata-se de processo Fenton (peróxido de hidrogênio + catalisador de ferro), que foi estabilizado para operar com pH variável e sem provocar aumento de temperatura, empregando também menos ferro como catalisador. Segundo o diretor de desenvolvimento da Ecotech, Washington Yamaga, embora sem revelar detalhes, o processo está em avaliação em dois projetos de refinarias como pré-tratamento de ETDIs (estação de tratamento de despejos industriais) biológicas.

    De acordo com a coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Tratch, Carla Veríssimo, o Fentox nas refinarias está sendo estudado para abatimento de sulfeto e fenóis. Estes últimos são muito difíceis de ser tratados. “Acima de uma determinada concentração, o tratamento convencional biológico começa a complicar, porque os fenóis são tóxicos para as bactérias e as degradam”, disse Carla. O ideal, segundo ela, é destruir a molécula do resíduo, mineralizá-lo de modo definitivo, para se adequar à tolerância do tratamento biológico. “Muitos também tentam fazer uma transferência de fase por filtros, com carvão ativado, mas mais para frente vai haver a necessidade de dispor o resíduo em aterro”, completou Carla Veríssimo, doutora pelo laboratório de química do estado sólido da Unicamp.

    Química e Derivados, Carla Veríssimo, Tratch, aditivos melhoram desempenho do Fentox

    Carla: aditivos melhoram desempenho do Fentox

    A proposta da Ecotech é degradar os fenóis das refinarias, encontrados em altas concentrações em etapas produtivas. Em dois tanques na petroleira, um está tratando apenas o fenol e o outro, sulfetos e fenóis. Além desses dois primeiros projetos, Carla vê um potencial muito grande do POA para degradar fenóis em várias águas residuais de tanques de combustível. E com uma vantagem: o sistema também oxida, junto com os fenóis, todos os tipos de cadeias de hidrocarbonetos, como gasolina e BTEX, por exemplo. “E com o nosso catalisador patenteado podemos acelerar em muito a degradação, em comparação até mesmo com o Fenton convencional”, complementa.

    Segundo Carla, há estudos na Petrobras que tratam em 100 horas reacionais o contaminante recalcitrante. Com o Fentox em análise, isso foi reduzido para 20 horas. E com mais aditivos para acelerar o processo (mantidos em segredo industrial), os estudos demonstraram queda para 14 horas reacionais. Nesse estudo, há a participação também de reatores especialmente projetados por empresa da Ecotech especializada em engenharia de equipamentos, a DPR Soluções Industriais. “Estamos trabalhando para reduzir o tempo para a oxidação, com equipamentos, aditivos e tecnologia de aplicação para operar em linha e não em bateladas”, completou o diretor da DPR, Edson Luiz de Oliveira.

    Otimização – O direcionamento da Petrobras para o reúso, além de fomentar a implantação de estações completas, também cria uma demanda forte por serviços e produtos de otimização das unidades em operação. Há várias empresas com expectativa de incrementar seus negócios fornecendo soluções para melhorar a operação das unidades de reúso.



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    Um Comentário


    1. Felipe Bezerra

      Muito interessante a reportagem. Tenho interesse na tecnologia de eletrodiálise reversa. É possível conseguir o contato da empresa Mega citada?
      Obrigado.



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