Equipamentos e Máquinas Industriais

Reúso de Água – Refinarias da Petrobras mantêm planos para reaproveitar efluentes em caldeiras e torres de resfriamento

Marcelo Furtado
29 de abril de 2013
    -(reset)+

    Química e Derivados, Unidade piloto de reúso está na Regap para acertar dosagem de químicos na EDR

    Unidade piloto de reúso está na Regap para acertar dosagem de químicos na EDR

    Carretas – A continuidade dos projetos de reúso – apesar dos atrasos no cronograma de obras da empresa – parece estar garantida, analisando-se o planejamento da Petrobras na área. O sinal mais evidente foi a compra no último ano de duas carretas móveis com unidades piloto de reúso. A ideia é levar as unidades para qualquer refinaria, conectando-as nas correntes de efluentes com possibilidade de reaproveitamento, para assim testar qual a rota adequada entre as várias disponíveis nas carretas encomendadas pela Petrobras em concorrência vencida pela EP Engenharia, de Guarulhos-SP.

    De acordo com Vânia Santiago, do Cenpes, além de ajudar na elaboração de novas rotas, as carretas também são importantes para otimizar os sistemas instalados ou em instalação. “A unidade piloto direciona principalmente o tratamento químico que auxilia e melhora o desempenho dos sistemas e equipamentos”, explicou. Foi por esse motivo que as carretas ficaram nesse primeiro ano de operação na Regap, para auxiliar na nova operação da EDR.

    Segundo Rogério Toledo de Almeida, diretor da EP Engenharia, com as carretas é possível optar pela criação de 88 rotas de tecnologias para reúso. Isso é possível em virtude da adaptação das técnicas, em escala piloto, em duas carretas especialmente projetadas com plataformas laterais e salas de controle retráteis. Por sua vez, as unidades itinerantes foram divididas em quatro etapas de tratamento. Na primeira carreta, a etapa inicial foi projetada para remoção de sólidos e conta com sistema físico-químico de coagulação e floculação para decantação (para 3 m3/h); uma ultrafiltração com membranas tubulares de fibra oca da Siemens (2 m3/h); um sistema de filtros de areia (2,5 m3/h); e outro filtro de areia polarizada Polartack (2,5 m3/h). Esta última tecnologia utiliza areia coberta com resina acrílica fortemente negativa, criando diferença de potencial elétrico, o que permite além da retenção mecânica da areia a ação polarizada de remoção de sólidos, aumentando a capacidade do filtro.

    Química e Derivados, Toledo de Almeida, Cenpes, carretas podem criar 88 rotas de reúso para a Petrobras

    Toledo: carretas podem criar 88 rotas de reúso para a Petrobras

    A segunda etapa, ainda na primeira carreta, é responsável por testes piloto de tecnologias para remoção de carga orgânica. Nela há uma coluna de resina catiônica (2 m3/h), filtração por carvão ativado, torre descarbonatadora e vários sistemas de processo de oxidação avançada (POAs), em combinações que podem ser adotadas por meio do uso de dióxido de cloro, ozônio, radiação de ultravioleta e sistema Fenton (peróxido de hidrogênio + catalisador de Fe). No caso dos POAs, a Petrobras tem dado preferência a sistemas que combinam peróxido de hidrogênio, radiação ultravioleta e ozônio, em detrimento do Fenton. Mas de forma geral o custo dos POAs ainda é considerado elevado pela empresa.

    Com os tratamentos da primeira carreta, os efluentes ficam livres de sólidos e orgânicos, mas ainda contam com sais dissolvidos. Na segunda carreta, foram instaladas as tecnologias de desmineralização. A terceira etapa contempla uma unidade de osmose reversa (com rejeito salino de 2 m3/h), outra de eletrodiálise reversa e dois vasos compactos de resinas catiônicas (1 m3/h) e aniônicas (1 m3/h). Após estas rotas, as tecnologias geram a chamada água industrial, que pode ser utilizada em alguns processos e em torres de resfriamento, por exemplo.

    A quarta etapa na mesma carreta é a de polimento da água desmineralizada. Há nela um sistema de leito de troca iônica, de 0,5 m3/h, que reduz a condutividade para menos de 0,5 mS/cm e a sílica para menos de 20 ppb. Da mesma forma, há um eletrodeionizador (EDI), que mescla membranas e resinas em um módulo sob corrente elétrica e que realiza o mesmo polimento, de forma contínua e sem parada para regeneração. Ambos os sistemas, que podem ser comparados nas diversas rotas estudadas, para achar o ponto ideal em termos técnicos e econômicos, preparam água desmineralizada para uso em caldeiras de alta pressão.



    Recomendamos também:








    Um Comentário


    1. Felipe Bezerra

      Muito interessante a reportagem. Tenho interesse na tecnologia de eletrodiálise reversa. É possível conseguir o contato da empresa Mega citada?
      Obrigado.



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *