Reúso de Água – Recuperação de esgoto mantém indústria nas regiões metropolitanas

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Sheila: parâmetros do tratamento superaram as especificações

Para chegar à capacidade total de mil litros por segundo, Asseburg acredita ser difícil a demanda se incentivar apenas pelo polo. “Principalmente porque a indústria petroquímica é mais antenada com processos limpos e racionais e tende a reduzir progressivamente o consumo de água ao longo dos anos”, afirmou. Dessa forma, a previsão de crescimento contempla a adesão de outros tipos de indústrias da região ao produto de alta qualidade do Aquapolo.

Com a provável boa aceitação da água recuperada do esgoto, expansões poderiam ser feitas na própria ETE ABC (e até mesmo replicadas em outras ETEs, para outros consumidores industriais). Isso porque a capacidade total de tratamento de esgoto apenas dessa estação da Sabesp é para 3 mil litros por segundo, sendo que atualmente ela trata 1.800 litros, dos quais pouco mais de um terço entrará no circuito do Aquapolo. Aliás, nessa situação hipotética e desejável de o negócio do reúso vingar, o meio ambiente agradecerá. O esgoto da região, mesmo tratado, deixará de ser descartado (não se pode esquecer que 20% de carga residual continua a entrar nos rios) e passará a ter valor de mercado, os corpos d’água mais limpos poderão ser utilizados para abastecimento e a indústria deixará de concorrer com a população no consumo de água potável.

No Rio também – Outra prova de que o reúso de esgoto para aplicação industrial é um caminho a ser seguido encontra paralelo em projeto contido no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A obra tem muita similaridade com o Aquapolo paulista e também envolve a Foz do Brasil na sociedade de propósito específico (SPE), formada com a companhia de saneamento carioca, a Nova Cedae, para coordenar a obra e a operação da unidade de reúso.

Da mesma forma, a unidade prevê a construção de um MBR, mas que será fornecido pela GE Water and Process, em concorrência recentemente decidida. Estão previstas três etapas de 500 l/s, que totalizarão ao final do projeto a capacidade total de 1.500 l/s, superando o projeto paulista. Outra diferença é que o tratamento partirá do esgoto de saída do decantador primário e não demandará unidade de osmose reversa.

O projeto compreenderá uma estação de produção de água industrial (EPAI) com MBR da GE na ETE Alegria, da Cedae, localizada no Caju, de onde partirá também um duto submarino de 17 quilômetros, para atravessar a Baía de Guanabara, até o reservatório intermediário da ETE São Gonçalo. Uma estação de bombeamento nesse local alimentará com a água de reúso um duto terrestre de 32 km até a entrada do Comperj, em Itaboraí-RJ. Esse EPC é estimado em cerca de R$ 1 bilhão. O Comperj, com unidades de refino e petroquímicas, está previsto para ser entregue, em sua primeira fase, em 2014, quando sua refinaria terá capacidade de processar até 165 mil barris de petróleo por dia. A segunda fase, prevista para 2018, atingirá a capacidade total de 330 mil bpd.

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Aquapolo vai produzir de início 650 l/s, mas pode chegar a 1.000 l/s de água de reúso industrial - Clique para Ampliar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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