Reúso de Água – Recuperação de esgoto mantém indústria nas regiões metropolitanas

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Osmose reversa de 18'' reduz os sais do permeado

Mesmo sendo o “coração” do Aquapolo, o MBR sozinho não atenderia à demanda por água do polo. Por isso, em primeiro lugar, foi acrescentada uma bateria de filtros de disco de 400 micra antes do MBR, para evitar principalmente óleos e graxas, prejudiciais para as membranas tipo espaguete da Koch. Mas outros complementos do projeto, na fase de polimento, são até mais necessários do que o pré-tratamento instalado, tendo em vista que o filtro de 400 micra (da israelense Arkal) é considerado um excesso de zelo pelos padrões da Koch, que normalmente indica filtro de tela perfurada de 2 mm antes dos MBRs, apenas para reter sólidos mais grosseiros.

Para complementar o esquema do tratamento, uma estação de osmose reversa foi projetada, passou por fase piloto e finalmente foi instalada. Ela receberá parte do permeado do MBR quando a salinidade ultrapassar a condutividade elétrica de sais de 720 mS/cm. Trata-se na verdade de duas unidades para 100 litros por segundo cada, fornecidas com inéditas (no país) membranas de 18 polegadas da marca MegaMagnum, da Koch. São nove vasos de pressão com cinco membranas em cada. O ganho de produtividade, em relação às membranas convencionais do mercado de oito polegadas, é flagrante, segundo Ribeiro. Enquanto uma membrana de 8” tem 400 pés quadrados de área, a de 18” tem 3 mil pés quadrados, o que equivale a sete elementos das convencionais. “Como cada sistema terá 45 módulos, será como se fossem 315 membranas de oito polegadas”, disse.

“O polo quer uma água com condutividade de 720 mS/cm e como a média do esgoto secundário da ETE ABC é de 830 mS/cm, podendo chegar a 900 mS/cm em período de estiagem, apenas com o MBR não conseguiríamos garantir esse padrão, já que ele não remove sais”, disse o diretor Asseburg. Com isso, foi conectado ao esquema da planta a unidade de osmose reversa, que reduz para 50 mS/cm a condutividade de sais, recebendo um percentual médio de até 30% da vazão total tratada (quando o limite de sais é ultrapassado). “Essa parte desmineralizada é então misturada ao permeado do MBR, diluindo os sais e fazendo um blend dentro dos padrões acordados”, disse.

Depois de formada a mistura dentro dos parâmetros, a água de reúso ainda passa por uma estação de desinfecção por dióxido de cloro da EKA Chemicals (pela rota do clorato). A partir daí a água está pronta para entrar na adutora de 17 km, que levou um ano e meio para ser construída na Avenida do Estado (em fase de recapeamento), e assim chegar a uma torre elevada para 622 m3 de reserva de água, na central petroquímica da Braskem. Na torre, que funciona como um just in time da água, segundo as palavras do diretor do Aquapolo, o fluxo é distribuído para dez empresas do polo (cujo número pode subir para 11, caso a refinaria de Capuava, da Petrobras, se decida por ser cliente).

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Asseburg: em agosto, a água chega ao polo

Água em agosto – O contrato do EPC determina que a nova água chegue ao polo no dia 1º de agosto de 2012. Provavelmente em abril a estação, denominada EPAI (estação de produção de água industrial), comece a receber o esgoto secundário para estabilização do processo biológico. “Nessa fase, vamos estressar o processo para saber se está tudo ok antes de entrar na adutora, descartando o permeado no Córrego dos Meninos”, disse Marcos Asseburg. É bom ressaltar que a água a ser produzida pelo Aquapolo é praticamente potável, sobretudo a que passa pela osmose reversa, pois o excesso de sais é reduzido. “Na verdade, depois da osmose, tecnicamente, ela é até melhor do que a potável”, afirmou a engenheira química Sheila de Oliveira. As membranas de ultrafiltração de fibra oca – uma barreira de filtração com poros de diâmetros entre 1 e 100 nanômetros (0,001 a 0,1 µm) – removem sólidos suspensos, matéria coloidal, macromoléculas e material particulado. Isso significa livrar a água de vírus, bactérias, sílica e turbidez, mas também de contaminantes não cobertos pelo tratamento convencional de água de abastecimento, como residuais de fármacos e os chamados disruptores endócrinos (compostos químicos e hormônios, como o etinilestradiol presente em pílulas anticoncepcionais e nos mananciais).

A obra é um EPC de R$ 364 milhões, valor no qual estão contempladas as três etapas (a EPAI, a adutora e o sistema de distribuição dentro do polo), e estima-se que o valor da água de reúso fornecida seja por volta de cinco reais o metro cúbico, menos da metade da água industrial fornecida hoje no ABC, com média de 11 reais/m3. “Mas é lógico que esse não vai ser um preço fixo. Isso tudo vai depender do consumo da indústria”, disse Asseburg. Como consumidora, a Braskem será a maior do polo, até mesmo pelo fato de hoje a empresa do grupo Odebrecht ser preponderante no setor petroquímico.

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