Petroquímica – Resultados voltam ao azul e podem indicar a superação da crise

A precificação da nafta petroquímica no Brasil foi revista mediante negociação entre a Petrobras e as duas consumidoras. “Foi definida no início deste ano uma nova fórmula para remunerar a nafta do nosso principal fornecedor, porque a velha regra do ARA [Amsterdã, Roterdã e Antuérpia, padrão europeu de preços spot] mais 10% não era adequada para um ambiente competitivo”, disse. Mendonça não pode revelar detalhes do acordo, por força de cláusulas de confidencialidade. Mas explicou que a fórmula introduziu novo paradigma de preços, deixando de olhar a tabela spot e de se concentrar apenas nas fontes europeias, além de adotar um critério de premiação por qualidade. Caso a nafta seja mais naftênica do que o padrão avençado, há um fator de redução de preço, valendo o inverso para as naftas mais parafínicas, com maior produção de eteno.

O uso da fórmula antiga trouxe prejuízo ao setor petroquímico. Mendonça comentou que os preços internacionais da nafta começaram a despencar em outubro de 2008, caindo de US$ 900 para US$ 300 por tonelada em um período de trinta dias. “No entanto, o preço da nafta no Brasil só começou a cair dois meses depois”, lamentou. A mudança vai adequar as variações do preço da nafta ao das resinas, referenciado pelo mercado mundial.

Mendonça também observa que a Petrobras precisa se aproximar mais da cadeia produtiva dos termoplásticos. “Atualmente, a Braskem financia a cadeia sozinha, oferecendo preços diferenciados para a manufatura de exportação”, exemplificou. Segundo comentou, a Arábia Saudita oferece vantagens para atrair transformadores de plásticos para lá, gerando empregos e agregando valor ao produto nacional.

O próprio perfil da transformação brasileira também tende a se aproximar do adotado pelas petroquímicas. Isso quer dizer: os transformadores devem buscar consolidações de negócios por meio de fusões ou aquisições. Ou pelo fechamento de empresas menos eficientes. A meta é ganhar escala produtiva e capacidade financeira. “O Brasil já tem alguns transformadores de porte mundial, como se percebe no campo do polipropileno biorientado (BOPP)”, considerou. O mesmo vale para os distribuidores de resinas.

Mercado estável – O setor de resinas termoplásticas passa por um momento de equilíbrio entre oferta e demanda. “O mercado dos EUA está estável e a Europa aponta uma pequena recuperação”, afirmou Mallmann. A Quattor completou a nova fábrica de polietilenos que construiu no polo petroquímico paulista com tecnologia da Chevron. Segundo o seu presidente, a empresa já deu o aceite para as instalações, devidamente comissionadas e testadas. “Nos testes, verificamos que ela poderá superar a capacidade nominal projetada de 230 mil t/ano”, disse. A inauguração aguarda o suprimento de eteno.

Os novos fornos paulistas de pirólise alimentados com gases residuais da Refinaria do Vale do Paraíba (Revap) estão prontos, mas ainda falta terminar as ligações entre a unidade de tratamento de gases residuais em São José dos Campos-SP e a unidade de processamento em Santo André-SP, nas duas pontas do gasoduto, já concluído. “Com isso, a unidade de petroquímicos básicos [antes Petroquímica União] será ampliada”, explicou.

Mendonça, da Braskem, também vê um equilíbrio de oferta e demanda mundial nos termoplásticos, mas não confia plenamente na sua duração. “Basta que entrem em operação umas poucas unidades novas para derrubar as margens”, disse. A companhia inaugurou no ano passado a unidade para 250 mil t/ano de polipropileno em Paulínia-SP, mas ainda não conseguiu operá-la a plena carga. Só em junho deste ano estará funcionando o splitter (separador) de propeno dos gases residuais da refinaria contígua, a Replan. A fábrica de PP foi abastecida com o gás trazido de caminhão desde São José dos Campos.

“Atualmente está sobrando PP no Brasil, como estava previsto nos projetos de investimento”, explicou Mendonça. Esse excesso de produto não é preocupante porque essa resina tem um comportamento muito dinâmico de mercado, com amplas possibilidades de substituição de outras resinas e materiais usados nas mais variadas aplicações. “Ainda temos muitos grades de PP para lançar no Brasil”, afirmou. Historicamente, a Braskem nunca foi grande exportadora de PP, pois sua produção sempre correspondeu à participação no mercado local. Com a nova fábrica, começou a existir um excedente exportável, que deve perdurar pelos próximos dois ou três anos.

Além disso, a companhia mantém seu programa de investimentos. Está marcado para outubro de 2010 o início da produção de polietileno verde, feito com eteno de álcool etílico, em fábrica que está sendo construída em Triunfo-RS. No Nordeste, estuda-se a ampliação da produção de PVC, usando parte do dicloroetano hoje exportado.

No exterior, avançam os projetos de olefinas e das unidades de polipropileno e polietilenos na Venezuela, em parceria com a estatal Pequiven (PDVSA). Essas produções devem tomar o rumo do Golfo do México e de alguns países andinos, aproveitando a situação geográfica e a boa vantagem competitiva proporcionada pelo uso de matérias-primas de baixo custo. “Nenhum dos nossos projetos estratégicos está parado ou atrasado”, garantiu Mendonça. Ele admite, porém, que alguns projetos venham a sofrer modificações pontuais para alongar o perfil dos desembolsos, dentro de uma política conservadora de caixa.

A Braskem, por sua vez, reorganizou sua estrutura de negócios no início deste ano, encerrando um ciclo de consolidações iniciado há mais de um decênio. A área de unidades básicas, agora unificada, compreende todas as operações das antigas centrais petroquímicas da Bahia e Rio Grande do Sul, incluindo serviços básicos como a manutenção e o planejamento da produção. As antigas áreas de vinílicos e poliolefinas foram reunidas na mesma vice-presidência, comandada por Mendonça. As diretorias de negócios de cada resina (PP, PE e PVC) foram mantidas, bem como a diretoria de negócios internacionais que se encarrega das exportações de todas as resinas.

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