Resistindo na boca da noite um gosto de sol

ABEQ

A economia circular e a sustentabilidade da indústria química

O conceito de economia circular é bastante complexo e merece um texto exclusivo sobre o assunto. O volume 35 da Revista Brasileira de Engenharia Química, da ABEQ, tem um ótimo texto introdutório assinado pelas pesquisadoras Profa. Suzana Borschiver e Aline Tavares, da UFRJ. No artigo, as autoras definem economia circular como “um modelo econômico regenerativo e restaurativo por princípio, que tem por objetivo manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo, distinguindo-se entre ciclos técnicos e biológicos”.

Aqui interessa dizer que a economia circular é um objetivo da indústria química em todo mundo. E a sua implantação impõe “estimular o agrupamento espacial de indústrias que são (cada vez mais) dependentes uma da outra: o agrupamento espacial é importante para criar ecologia industrial local, apoiada pela ligação de infraestruturas (por exemplo, para transporte local de resíduos reutilizáveis, água ou calor) e serviço compartilhado (por exemplo, tratamento compartilhado de resíduos, controle de qualidade e segurança, produção local compartilhada de energia renovável – eólica, solar ou biogás – e distribuição, institutos compartilhados de pesquisa e treinamento)” (Van Buren et al., 2016).

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Considerando a ecologia industrial, um dos aspectos da economia Ccrcular, “a interdependência entre as atividades visa redirecionar os produtos ou subprodutos de uma atividade no processo produtivo de outra. No caso de cadeias de suprimentos curtas, produtores e consumidores formam novos relacionamentos. A ecologia industrial e as cadeias de suprimentos de proximidade também se baseiam em uma visão sistêmica e integrada do desenvolvimento regional, na qual o território, em vez de aparecer como um espaço geográfico ou jurídico, é considerado um sistema econômico, caracterizado por relações estreitas (organizacional, cognitiva e de proximidade espacial) construídas pela estratégia dos atores locais e com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e humano, respeitando o meio ambiente e um desenvolvimento voltado para o desenvolvimento sustentável” (Gallaud e Laperche, 2016)

Ou seja, a sustentabilidade da indústria química é tanto maior se fornecedores e consumidores estão o mais próximo possível. Se a sustentabilidade da indústria química é um objetivo, e aparentemente é, a concentração de toda a produção em um único país ou região do globo é indesejada.



Considerações finais

O fato de a indústria brasileira pedir proteção contra invasão externa, mesmo com o dólar valendo quase seis reais e a taxa de juros de referência sendo 3% ao ano, mostra que nossa indústria está muito (muito) frágil. Esta é a nossa tendência de curto e longo prazo – o encolhimento e a desimportância. Mas as coisas podem mudar, para melhor, se o Brasil melhorar um pouco o seu ambiente para negócios.

Kairós, o deus grego da oportunidade, era rápido, andava nu e só tinha um cacho de cabelos na testa. Os antigos gregos queriam dizer que a oportunidade só pode ser agarrada de frente quando chega; depois que passa é impossível. Alguém vá lá acordar o Macunaíma na rede, porque talvez Kairós esteja a caminho.


Referências

British Petroleum (2019). BP Statistical Review of World Energy 2019, 68th edition, https://www.bp.com/content/dam/bp/business-sites/en/global/corporate/pdfs/energy-economics/statistical-review/bp-stats-review-2019-full-report.pdf

D Gallaud, B Laperche. Circular Economy, Industrial Ecology and Short Supply Chain. John Wiley & Sons, 2016.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,volkswagen-quer-parceria-com-fornecedores-para-nacionalizar-componentes,70003272710

É esta pandemia que vai mudar a História? Ou é o braço de ferro da China com o resto do Mundo?

https://www.forbes.com/sites/kenrapoza/2020/04/07/new-data-shows-us-companies-are-definitely-leaving-china/#2d7e653a40fe

https://www.forbes.com/sites/kenrapoza/2020/04/10/kudlow-pay-the-moving-costs-of-american-companies-leaving-china/amp/

https://www.newyorker.com/news/daily-comment/the-pandemic-isnt-a-black-swan-but-a-portent-of-a-more-fragile-global-system

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/04/industria-brasileira-pede-protecao-contra-invasao-externa.shtml

N Van Buren, M Demmers, R Van der Heijden, F Witlox. Towards a Circular Economy: The Role of Dutch Logistics Industries and Governments. Sustainability 2016, 8(7), 647.

S Boschiver, A Tavares. Conhecendo a economia circular. Rebeq, vol 35, nº 1. Disponível em: https://www.abeq.org.br/rebeq/rebeq-35/


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André Bernardo é Engenheiro Químico formado na Escola Politécnica da USP

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Texto: André Bernardo

André Bernardo é Engenheiro Químico formado na Escola Politécnica da USP, com mestrado em Desenvolvimento de Processos Biotecnológicos pela Faculdade de Engenharia Química da Unicamp e doutorado em Engenharia Química pela UFSCar. Trabalhou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e em diferentes indústrias químicas. Atualmente é professor do Departamento de Engenharia Química da UFSCar. E-mail de contato: abernardo@ufscar.br

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