Resíduos: mais controle da geração e transporte, e novo competidor

“Novo” competidor na área – Outra demonstração de que o mercado tem muito potencial de crescimento é a recente decisão do tradicional grupo francês Suez – considerada a líder mundial em projetos, gerenciamento e operação de sistemas ambientais, com receita em 2017 de 15,9 bilhões de euros e atendendo 58 milhões de habitantes em todo o mundo com serviços de saneamento – de ampliar sua atuação em resíduos no Brasil. A entrada do grupo deve trazer maior competitividade ao setor, hoje dominado por grupos como Essencis, Estre Ambiental e Veolia e por vários outros de menor porte.

Já há 80 anos no país, o grupo sempre foi mais atuante por aqui em água, com muitas estações e sistemas de tratamento, dentro de seu portfólio diversificado de tecnologias, instalados em indústrias e em companhias de saneamento. Também foi o primeiro a ter uma concessão de saneamento no Brasil, em Limeira-SP, em 1995, em sociedade com a Odebrechet (que vendeu seus negócios ambientais para a canadense Brookfield), e também em Manaus-AM, ambos negócios descontinuados pelo grupo francês no decorrer da década passada. Aliás, nessa nova fase, a estratégia inclui também voltar a disputar concessões de saneamento.

Simbólico no novo interesse em resíduos, inclusive, é o novo diretor geral da Suez Brasil, Charles Chami, que assume seu posto oficialmente no dia 1º de setembro, ter passado os últimos dez anos chefiando a empresa do grupo especializada em reciclagem de resíduos industriais metálicos, a Metalimpex, com sede no Brasil em São José dos Pinhais-PR e que vinha atuando para atender a demanda de montadoras de carros no país por meio de contratos de prestação de serviços.

Segundo Chami, o grupo tem capacidade e experiência global para criar soluções específicas para cada tipo de resíduo, sejam eles industriais ou públicos, conforme a necessidade tecnológica ou de custo, que podem envolver contratos de operação, BOTs ou PPPs. “A ideia é adaptar as nossas soluções a partir da composição dos resíduos e da prioridade de cada cidade ou indústria”, diz.

A Suez pode ofertar, segundo o diretor, soluções para os grandes quatro grandes processos empregados em resíduos: incineração, biodigestão anaeróbica para geração de biogás, aterros e coprocessamento em fornos de cimento ou vidro. Em todas essas soluções, embora o grupo ainda não atue no Brasil, há uma experiência acumulada com vários contratos de operação pelo mundo, pelos quais além de ser a responsável operacional, a Suez também projetou, usou tecnologias próprias e construiu as plantas.

Ao todo, a Suez trata 43 milhões de toneladas de resíduos por ano no mundo, sendo 3,4 milhões de t de resíduos perigosos. Nas centrais de triagem, há uma recuperação média de 10,2 milhões de toneladas de materiais. Apenas em usinas de waste to energy (WTE), que incineram resíduos domésticos e mesmo industriais para recuperação energética (térmica e elétrica), o grupo tem 55 unidades instaladas, que tratam mais de 9 milhões de t/ano, gerando e vendendo 7 TWh de energia, o equivalente à produção de 400 geradores eólicos. “Isso evita a emissão de 1,5 milhão de toneladas de CO2eq de gases de efeito estufa”, diz Chami.

Em aterros, que funcionam como centrais de tratamento, há 100 no mundo operados pela empresa, que recebem 20 milhões de toneladas de resíduos. Deles, 95% têm sistemas de geração de energia elétrica e térmica por meio de estrutura de captação de biogás, com um total de 1 TWh de energia vendida, evitando a emissão de 6 milhões de toneladas de CO2 equivalentes de gases do efeito estufa.

Na área de coprocessamento de resíduos em fornos de cimento, a Suez opera 10 unidades de preparação e blendagem de resíduos não-perigosos e 11 de perigosos, que atendem 30 cimenteiras com 1,2 milhão de toneladas/ano de combustíveis preparados pela mistura desses resíduos e que apresentam poder calorífico médio entre 15 e 20 MJ/kg.

Química e Derivados, Chami: geração de eletricidade é a melhor opção para resíduos
Chami: geração de eletricidade é a melhor opção para resíduos

Para Chami, há a intenção de explorar o grande contingente de clientes do grupo em soluções para a água e efluentes, tanto na área industrial como na pública, para começar os investimentos. A ideia, diz, é não só atender as demandas mais enraizadas no mercado brasileiro, caso dos aterros, como as não muito utilizadas, caso principalmente da solução WTE, comum na Europa e Ásia e que ainda não decolou no país (o único projeto é em Barueri-SP, que demora para sair do papel apesar de já ter sido formatado e contar com licença ambiental).

“No Brasil, ao contrário da Europa, ainda há muitas áreas para aterro, mas a solução energética é sem dúvida mais inteligente no logo prazo”, diz. Para se ter uma ideia, uma usina de WTE requer 10 hectares para a construção, com capacidade para incinerar e gerar energia com 1 milhão de t/ano de resíduos. Para ter a mesma capacidade, um aterro precisa de 75 hectares e não terá a mesma capacidade de geração de energia, mesmo com eficiente sistema de biogás. Não à toa, tratando 9 milhões de t/ano com WTE, a Suez gera 7 TWh. Já com seus 100 aterros, que recebem 20 milhões de t/ano, a geração é de 1 TWh. “Isso sem falar que as usinas de WTE contemplam sistema de triagem de materiais recicláveis, maximizando o ciclo de recuperação do lixo da tecnologia”, diz.

Página anterior 1 2 3Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios