Resíduos – Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento

TWM – James Miralves deixa a impressão de que os planos da Veolia para o Brasil são ambiciosos e não devem se limitar apenas a algumas unidades de tratamento. “Estamos nos preparando para ser uma provedora completa para os clientes”, disse. Além dessa afi rmação poder significar o interesse da empresa em investir em novas tecnologias de tratamento no Brasil, possível em razão de se tratar de um grupo internacional com grande portfólio de soluções ambientais, também tem a ver com a perspectiva de a Veolia ofertar serviços de terceirização de gerenciamento de resíduos, no modelo TWM (total waste management).

“A única maneira de ser competitivo nessa modalidade de fornecimento é contar com o maior número possível de ativos e soluções para o cliente, para poder diluir o custo da operação”, explicou o dirigente. Isso porque, no TWM, a operadora passa a gerenciar todos os resíduos da indústria, com gente própria que se encarrega de armazenar, transportar e defi nir a melhor destinação para cada corrente de lixo industrial ou doméstico do cliente. Se o parque instalado do fornecedor é limitado tecnológica ou geograficamente falando, a operação tende a se encarecer e tornar-se pouco interessante no aspecto comercial. “No nosso caso, a estrutura operacional ainda não é favorável para oferecermos o TWM”, disse.

Química e Derivados, Resíduos - Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento
Unidades receptoras de resíduos - Empresas privadas

 

A avaliação do presidente da Veolia é fácil de ser compreendida ao se saber que as empresas atualmente envolvidas em projetos de TWM no Brasil contam com estrutura bastante diversificada, tanto em tecnologia como em amplitude geográfica. Um exemplo é a Cavo Serviços e Meio Ambiente, empresa do grupo Camargo Corrêa. Com mais de 15 clientes em operações terceirizadas de maior ou menor amplitude, entre eles a Quattor (ex-Riopol) em Duque de Caxias-RJ, na qual gerencia 100% das correntes de resíduos, além de contar com a estrutura operacional da empreiteira, a Cavo aproveita o parque de tratamento da coligada Essencis (sociedade 50% Camargo Corrêa, 50% Solvi). Com essa parceria societária, a empresa tem à disposição o maior parque de centrais de tratamento de resíduos do Brasil, com aterros, unidades de blendagem, incineradores e tecnologias térmicas.

“Com certeza é uma vantagem competitiva ter as soluções em casa. Mas ao mesmo tempo é bom também ter independência para procurar alternativas quando for preciso”, explicou o gerente de novos negócios da Cavo, Iberê Gibin Júnior. Nesse mesmo perfil de oferta completa de destinações, o mais interessante ainda é saber que o outro sócio da Camargo Corrêa na Essencis, o grupo Solvi, também conta com braço operacional para gestão total de resíduos, por meio de sua controlada Vega GRI. Embora teoricamente concorram no mercado, Cavo e Vega usufruem da mesma facilidade por meio das operações da Essencis, onde são sócias.

Química e Derivados, Iberê Gibin Júnior, gerente de novos negócios da Cavo, Resíduos - Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento
Iberê Gibin Júnior: TWM pode criar novas soluções para os resíduos

Para a Cavo, os negócios com TWM devem continuar crescendo, segundo explicou Gibin Júnior. Na sua opinião, o comum é no início das operações o cliente terceirizar apenas uma parte da gestão, o que é ampliado depois de perceber as vantagens do serviço. “Além de deixar a empresa mais envolvida com seu core business, temos condições de criar novas saídas para seus resíduos, encontrando valor para eles”, disse. Fazem parte dessas novas soluções pesquisas em cooperação com universidades, como a que pretende incorporar lodos de ETEs em cerâmicas vermelhas ou outra que estuda reunir dois resíduos perigosos com o propósito de neutralizá-los. “Unindo os dois, eles se transformam em resíduos classe 2, mais baratos para destinar”, explicou.

Na unidade da Quattor em Duque de Caxias, em um contrato de cinco anos com possibilidade de renovação em 2009, a Cavo conta com 20 pessoas próprias que cuidam de 23 correntes de resíduos. Na central do pólo gasoquímico, essa equipe é responsável pela parte analítica, de desenvolvimento de soluções, de logística e pelo operacional da gestão, que envolve movimentação interna, gerência do armazém temporário, controle e rastreabilidade dos resíduos, além, é claro, das etapas

Página anterior 1 2 3 4 5Próxima página
Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios