Resíduos – Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento

O novo filão em passivos ambientais serve ainda para compensar alguns entraves institucionais que o grupo Holcim precisa encarar no Brasil para expandir sua atuação no co-processamento de resíduos. Embora esteja em rota de crescimento desde que iniciou suas operações com resíduos em 1998, quando usava apenas 20 mil t de resíduos em seus fornos, a empresa lamenta a política estadual de Minas Gerais com relação à tecnologia.

“A burocracia no estado é muito grande para autorizar uma operação de destinação. Exige uma licença ambiental para cada resíduo ser co-processado”, explicou Ramos. Esses processos fazem o prazo para conclusão dos procedimentos levarem de seis meses a um ano, enquanto nos outros estados leva apenas um mês. Em São Paulo, por exemplo, basta ao interessado preencher um Cadri e não obrigá-lo a iniciar um lento e caro processo de licenciamento como em Minas. “Os pedidos precisam entrar na fila junto com pedidos de licença de operação de uma nova fábrica, por exemplo”, lamentou.

Aterros em Minas – A morosidade mineira, lamentável ao se saber que o estado é o maior produtor de cimento do país e portanto com o maior potencial para o co-processamento, cria dificuldades para a tecnologia concorrer com os aterros, ainda uma solução mais barata e rápida para ser autorizada, em detrimento de sua pior avaliação ambiental por não destruir defi nitivamente os passivos. Enquanto o co-processamento cobra preços que variam de R$ 200 a R$ 800 por tonelada, dispor em aterros sai de R$ 100 a R$ 150/t.

Química e Derivados, Resíduos - Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento
Quantidade de resíduos tratada (t): industriais crescem mais de 30%/ ano

Não por outro motivo, construir aterros em Minas Gerais atrai o interesse dos grandes competidores. A Essencis, sociedade entre o grupo Solvi e a Camargo Corrêa, inaugurou um aterro classe 2 em Betim-MG há cerca de três anos e até o final do ano, no mesmo local, deve ampliar a operação para receber resíduos classe 1. E também a francesa Veolia Serviços Ambientais, desde maio de 2008, conta com licença de instalação de aterro classe 2 para resíduos industriais e domésticos em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com o presidente da Veolia, James Miralves, a intenção no local é começar trabalhando com a destinação de resíduos não-perigosos e, depois de consolidada a operação, expandir para os classe 1, transformando o aterro em uma central de tratamento completa, nos moldes da que a Veolia já possui em Tremembé-SP no aterro Sasa, onde há laboratório de análise, unidades de inertização e preparação de resíduos e sistema de tratamento de chorume (evaporação movida a biogás).

Química e Derivados, James Miralves, presidente da Veolia, Resíduos - Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento
James Miralves prepara a Veolia para ser operador integrado no Brasil

Segundo Miralves, Minas Gerais tem uma grande necessidade de investimentos para tratamento de resíduos industriais. Daí a preferência do grupo francês de por enquanto privilegiar esse estado em detrimento do mais industrializado de todos, São Paulo, ainda bem servido de aterros especiais e demais tecnologias para tratamento. E ainda outras regiões fora de São Paulo devem receber investimentos. Embora sob sigilo e em processo de licenciamento (por sinal, demorado, visto que o do aterro mineiro levou quase sete anos), mais duas unidades de aterros serão construídas no Brasil, país em geral considerado pelo dirigente francês de potencial elevado na área de resíduos, mas ainda de demanda fraca. “O tempo que levaremos para expandir nossas operações deve coincidir com o início da demanda de fato na área, ou seja, no mínimo daqui a uns cinco anos”, explicou.

O planejamento da Veolia engloba expandir sua oferta em tecnologias de destinação e de serviços. Por enquanto atuando em duas frentes, em aterros e co-processamento, de início o grupo investirá mais nessas tecnologias. Além dos novos aterros anunciados, deve ampliar a atuação em co-processamento por meio de novas unidades de blendagem de resíduos. Atualmente conta com apenas uma em Sorocaba-SP (ex-Resicontrol), mas há pelo menos mais outra em licenciamento no Rio Grande do Sul para preparar resíduos para queima em fornos da cimenteira Cimpor em Candiota, no extremo sul do estado. “Estamos estudando duas possibilidades para começar a operar no Sul”, revelou. Em Sorocaba, a Veolia prepara cerca de 50 mil t/ano de resíduos e, na operação gaúcha, com partida prevista para 2010, o volume inicial deverá estar na casa das 20 mil t/ano.

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