Química

Renováveis: Os baixos preços do petróleo e gás natural afetam a competitividade dos renováveis

Quimica e Derivados
20 de dezembro de 2016
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    A seguir são apresentados os custos de matérias-primas e a receita auferida pelo produto para os dois processos, nas Tabelas 4 e 5. Fica claro que o processo que utiliza bioetanol é totalmente inviável, considerando os preços atuais da matéria-prima e produto, pois a receita advinda da venda do produto não paga o custo da matéria-prima.

    Tabela 4 – Custo de matérias-primas e receita do produto: carbonilação do metanol
    Tabela 5: Custo de matérias-primas e receita do produto: oxidação do etanol

    Química e Derivados,

    Conclusões – A grande oferta de gás natural nos EUA, causada pela produção dos campos de shale gas, seguida da queda dos preços do petróleo trazem mudanças que impactam significativamente a indústria petroquímica e afetam o movimento que se iniciou, nos primeiros anos deste século, em busca de diversificação de matérias-primas e maior sustentabilidade dos processos produtivos. É bom lembrar que este novo cenário pode vir a repetir o passado, pois nos anos noventa, quando o preço do petróleo caiu substancialmente, tornou insustentáveis as fontes alternativas de energia e bioprodutos que haviam sido desenvolvidas posteriormente às crises do petróleo, e os renováveis caíram em esquecimento.

    Os exemplos citados de produção de eteno e ácido acético por rotas renováveis mostram claramente o quanto estas opções perderam competitividade neste cenário de grande disponibilidade e baixo preço das matérias-primas fósseis.

    Hoje existe maior consciência de que o modelo de desenvolvimento social-econômico, até então praticado, necessita ser alterado sob pena de inviabilizarmos as gerações futuras. Cabe então à sociedade se engajar em busca da viabilização de processos produtivos sustentáveis. A criação de mecanismos de incentivo e políticas públicas que privilegiem os produtos renováveis é mandatória, pois a sustentabilidade passa por três eixos que devem atuar harmonicamente: ambiental, social e econômico. O Brasil é um dos líderes mundiais na produção e consumo de biocombustíveis, devido às políticas públicas de apoio a este segmento. O futuro é dependente do que desejamos ser.

    Referências:

    Avancini, M.V.A.; Análise comparativa entre tecnologias de produção de ácido acético via petroquímica e alcoolquímica, Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos), UFRJ, Escola de Química, Rio de Janeiro, 2016.

    Baratelli Jr, F.; Projeto Eteno de Álcool, Petro & Química, 45-54, maio de 1981.

    CEPEA/ESALQ, Álcool Hidratado, SP média mensal, <http://cepea.esalq.usp.br/english/ ethanol/?id_page=243&full=1>. Acessado em: 23/06/2016.

    FGV Energia; Boletim de Conjuntura do Setor Energético, 06, junho de 2016.

    ICIS, Worldwide trade flow – Polyolefins (2013-2014), 2015.

    ICIS News, US April ethylene contracts fully settle higher, Tracy Dang, 03 May 2016.

    Index Mundi, Nymex – CME Group, Açúcar cotação do final do dia, <http://www.indexmundi. com/ commodities/?commodity=sugar&months=60>. Acessado em: 23/06/2016.

    Química e Derivados,Narayan, R.; Renewable resources & renewable energy – A global challenge, 2nd ed, Cap.1, CRC Press, 2011.

    PLATTS, Petrochemicals; The world is flat…at least for global ethylene producers while oil prices are low, <http://blogs.platts.com/2016/02/02/the-world-is-flat-ethylene-producers-oil-prices-low/, Feb 2, 2016. Acessado em: 06/05/2016.

    Luiz Fernando Leite é engenheiro químico, pós-graduado em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela PUC-PR, e doutorado na área de Gestão de Tecnologia e Inovação pela UFRJ. Executou e gerenciou vários projetos na Petrobras, na qual foi gerente da Divisão de Catalisadores e coordenador do Programa de Tecnologias Estratégicas do Refino. Atualmente é professor do Departamento de Processos Orgânicos da Escola de Química da UFRJ.



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