Meio Ambiente (água, ar e solo)

Remediação de solos: Técnicas alternativas melhoram desempenho

Quimica e Derivados
27 de julho de 2003
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    A contaminação de aqüíferos foi sempre uma questão de preocupação tendo em vista a mobilidade de suas águas e a possibilidade de deslocamento de plumas para fora do domínio físico do sítio. Além disso, a necessidade de conter a contaminação no local levou a aplicação, em larga escala e de forma irrestrita, de sistemas pump-and-treat para o controle de fontes e remoção de massa. Após uma década de experiência, ficou evidente que o uso dessa tecnologia como única forma de remediação não era suficiente, na maioria dos casos, para promover a reabilitação do sítio de forma rápida e com menores custos.

    Química e Derivados: Solos: solo07.Posteriormente, foi constatado que a remoção de massa poderia ser significativamente incrementada utilizando-se “ar” como meio de extração em vez de água. Este fato levou ao desenvolvimento e aplicação de tecnologias de extração in-situ, tais como extração de gás de solo (SVE – soil vapor extraction) e aeração de solo in-situ (AIS – airsparging). Embora a motivação inicial de aplicar essas tecnologias tenha sido a de diminuir os custos operacionais, observou-se que elas estavam possibilitando a remediação de sítios de forma mais acelerada e com níveis de concentração finais mais aceitáveis, dentro dos critérios estabelecidos. Esses resultados satisfatórios mobilizaram a indústria de remediação, sobretudo na América do Norte, a investir em tecnologias alternativas, objetivando: 1) soluções mais rápidas e com menores custos; 2) tecnologias in-situ não-invasivas ou pouco invasivas; 3) tecnologias complementares que promovessem a aceleração in-situ da degradação natural de contaminantes, principalmente através de reações mediadas biologicamente. Com isso, soluções mais sustentáveis economicamente e ambientalmente foram ganhando cada vez mais espaço nesse setor.

    Química e Derivados: Solos: solo08.Verificou-se, também, uma redução nos custos de remediação nos últimos 20 anos. Técnicas de extração ex-situ tais como pump-and-treat foram sendo lentamente substituídas ou complementadas por técnicas de extração in-situ como a extração de gás de solo e aeração de solo. Subseqüentemente, essas técnicas de extração in-situ deram vez ao aparecimento de técnicas de remediação passiva ou destruição de massa in-situ como as barreiras reativas permeáveis (BRPs), incluindo os sistemas funnel-and-gate. A tecnologia das BRPs vem sendo utilizada de forma cada vez maior nos Estados Unidos e Canadá e é considerada uma das alternativas de remediação de maior preferência no mercado. O padrão de evolução das tecnologias vem focalizando em soluções cada vez mais naturais, incluindo a alteração das condições bioquímicas do subsolo para subsidiar na remediação.

    Atenuação natural – Uma grande mudança ocorreu nos últimos cinco anos, com o reconhecimento comprovado de que processos de atenuação natural podem contribuir, de forma significativa, para o controle e redução das plumas de contaminação no solo e águas subterrâneas. Com diversas denominações – atenuação natural, bioatenuação, biorremediação intrínseca, remediação natural e atenuação natural monitorada (ANM) – essa tecnologia de remediação vem ganhando popularidade e se solidificando no mercado como uma alternativa viável para os casos em que são confirmadas as condições biogeoquímicas favoráveis à ocorrência das reações naturais. A atenuação natural monitorada (ANM) pode se constituir em um procedimento efetivo de remedição de solos e águas subterrâneas quando utilizada em conjunção a outras tecnologias ou simplesmente como uma única alternativa desde que, de fato, comprovada ao longo de um tempo de monitoramento.

    Química e Derivados: Solos: solo09.O desenvolvimento das barreiras reativas permeáveis (BRPs), as quais consistem em sistemas de engenharia que favorecem a passagem das águas subterrâneas através de porções reativas – que podem ser aeróbicas ou anaeróbicas para reações mediadas biologicamente – é uma tentativa de fazer melhor uso das tecnologias naturais, de forma a acelerar as reações. Por exemplo, o uso das BRPs para a descloração redutiva de hidrocarbonetos alifáticos pode acelerar as taxas de degradação por oferecer as condições geoquímicas e biológicas mais favoráveis para as reações.

    A tentativa inicial de remediação de um sítio impactado por compostos organolorados é o tratamento ou contenção da pluma, a qual é relativamente mais fácil de identificar e tratar do que a fonte de DNAPL propriamente dita – fonte secundária. Nos últimos cinco anos, entretanto, um grande avanço ocorreu na tentativa de encontrar e tratar essas fontes. Existem ainda muitos desafios técnicos e de regulamentação para superar as atuais tecnologias de remediação disponíveis. Estes incluem a delineação da fonte de DNAPL e a eficiência e custos dos diversos tipos de tratamento/remoção. Técnicas de redução de fonte acopladas aos processos de atenuação natural mais a jusante possibilitam a restauração do sítio de forma mais otimizada.

    Química e Derivados: Solos: solo10.A motivação no uso das tecnologias não-estruturais na área de remediação de solos e águas subterrâneas decorre da constatação de que não há recursos suficientes para tratamento de todos os sítios comprovadamente contaminados, sobretudo quando são impostos critérios mínimos para a remediação. Hoje, as técnicas naturais, como por exemplo ANM, BRPs e fitoremediação são tentativas de elaborar técnicas de “engenharia” fazendo uso da natureza como um dos materiais de construção – raízes e microorganismos em vez de bombas e compressores.


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